"SENHOR, FAZEI-ME INSTRUMENTO DE VOSSA PAZ".

Sua maior intenção, seu desejo principal e plano supremo era observar o Evangelho em tudo e por tudo,imitando com perfeição, atenção, esforço, dedicação e fervor os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo no seguimento de sua doutrina". (Vida de S. Francisco - 1Cel 84)

"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você está fazendo o impossível.São Francisco de Assis"

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

O SENHOR É O MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ...











PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 18,12-14)(06/12/22)

Amados irmãos e amadas irmãs, neste mundo inseguro por conta dos pecados nele praticados; e pela falta da prática das virtudes eternas o que fazer para vencer a insegurança e o medo de perder tudo até mesmo a própria vida? 

A única resposta que nos conforta é nos depositar nas mãos de Deus que nos enviou o seu Filho, nosso Senhor Jesus, como Pastor de nossas almas, aquele que nos dar a vida eterna. Meditemos com amor e atenção o Pequeno Sermão de hoje.

Caríssimos, existe em nós uma necessidade de nos mantermos seguros, tranquilos sem nos atormentar em nossos pensamentos, mas isso só é possível quando, por meio da fé, nos sentimos protegidos pelo nosso bom Pastor, nosso Senhor Jesus Cristo, quais ovelhas que somos do seu rebanho. 

Decerto, sem a sua presença e proteção nos sentimos com que perdidos, sem rumo, mergulhados nos labirintos deste mundo tenebroso. De fato, por mais que tenhamos sob o nosso comando tudo o que diz respeito a nossa existência nem assim nos sentimos totalmente seguros; visto que tem sempre algo previsível ou imprevísivel que tenta nos atormentar. 

No Evangelho de hoje "disse Jesus a seus discípulos: Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixa ele as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? Em verdade vos digo, se ele a encontrar, ficará mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos." 

De fato, quando o Senhor Jesus fala em se perder, significa perder do estado de graça, isto é, viver sem a sua presença em nossa vida, porque Ele é a única Fonte de segurança que temos; fora Dele ninguém neste mundo se sente seguro por si mesmo, porque à medida que o tempo passa temos consciência que perderemos tudo, menos o amor e o bem que Deus nos deu a praticar, e esse é o nosso maior tesouro. 

Portanto, caríssimos, ser encontrados pelo Senhor Jesus quais ovelhas perdidas do seu rebanho, significa conversão, mudança dos parâmetros que dirige nossa vida; significa deixar-nos conduzir pela sua Palavra que nos aponta o caminho da verdade que nos conduz ao Reino dos Céus, que é Ele mesmo. (cf. Jo 14,6). 

Destarte, ser ovelha do rebanho do Senhor Jesus, é ouvir a sua voz que é inconfundível e seguir os seus passos sem jamais duvidar, isto é, sem dar espaço para as vozes das tentações e do inimigo de nossas almas. Em suma, é fazer silêncio interior para ouvir a voz do Senhor. 

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu llhes dou a vida eterna; elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará de minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém as pode arrebatar da mão de meu Pai. Eu e o Pai somos um." (Jo 10,27-30). 

Amados irmãos e amadas irmãs, assim seja a nossa conduzida por nosso Bom Pastor, nosso Senhor Jesus Cristo, como nos ensinou o rei Davi: "O Senhor é meu pastor, nada me faltará. Restaura as forças de minha alma. Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome." (Sl 22,1-3). 

Paz e Bem! 

Frei Fernando Maria OFM Conv.




sábado, 3 de dezembro de 2022

HOSPITAL NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS: HOJE HOSPITAL-LAR NOSSA DAS GRAÇAS EM RIO PRETO-SP

 



O Hospita-lar Nossa Senhora das Graças em Rio Preto - SP, atende pacientes geralmente idosos com doenças crônicas neurológicas, muitas vezes sem vínculos familiares, que necessitam além do cuidado médico, muito carinho e o amor de Deus. Conheça essa história, e saiba como ajudar! Direção Geral: Frei Francisco Edição e Finalização: Renan Aker Imagens: Renan Aker Departamento de Comunicação/Captação: Emerson Vieira, Vinicius Melo, Renan Aker, Anderson Peres Produção: Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus Apresentação: Frei Tarcísio Marchini Giro na Providência: Frei Daniel Nosso Facebook: http://bit.ly/LarSaoFrancisco​​​​ Nosso Instagram: @associacaoLarSaoFrancisco e @barcohospitalpapafrancisco



terça-feira, 29 de novembro de 2022

Festa de Todos os Santos Franciscanos



No aniversário da aprovação da regra de São Francisco pelo Papa Honório III, no dia 29 de novembro de 1223, a Ordem Franciscana recolhe-se em oração festiva para contemplar a grandiosa árvore de santidade nascida daquele livrinho que Francisco dizia ter recebido do próprio Jesus e constituía a “medula do Evangelho”.

Era esse precisamente o projeto de vida e o carisma do pobrezinho: ser sal da terra e luz do mundo, fazer reviver na Igreja o Evangelho em sua pureza, ou seja, apresentar perante os homens a vida de Cristo em todas as suas dimensões: desde a pobreza ao zelo pela salvação de todos, do anúncio da Boa Nova ao sacrifício da cruz.

Quem poderia contar a imensa multidão de Santos, Beatos, Veneráveis e Servos de Deus – se quisermos utilizar esta terminologia canônica – ou melhor ainda, de todos os irmãos e irmãs, sem nome e sem rosto, que nos limites da sua fragilidade viveram a perfeição evangélica, fazendo da regra franciscana a norma da sua vida? É um imenso capital de santidade e de amor, muitas vezes desconhecido, outras vezes esquecido, quando não mesmo desprezado pelo mundo! O bem dá menos nas vistas do que o mal; no entanto, a história do bem, tantas vezes anônima e despercebida, tem escrito o nome e o rosto de Cristo. É essa história que impede o mundo de cair no desespero e fecunda as atividades da Igreja.

São Francisco disse um dia aos irmãos, numa explosão de alegria: “Caríssimos, consolai-vos e alegrai-vos no Senhor! Não vos deixeis entristecer pelo fato de serem poucos, nem vos assusteis da minha simplicidade nem da vossa, pois o Senhor me revelou que há de fazer de nós uma inumerável multidão e nos propagará até os confins do mundo. Ele me mostrou um grande número de pessoas a vir ter conosco, com o desejo de viverem segundo a nossa regra. Ainda me parece ouvir o ruído dos seus passos! Enchiam diversos caminhos, vindos de todas as nações: eram franceses, espanhóis, alemães, ingleses, uma turba imensa de várias outras línguas e nações”.

Ao ouvirem estas palavras, uma santa alegria se apoderou dos irmãos, pela graça que Deus concedia ao seu Santo.

Todos os Santos Franciscanos, roguem a Deus por nós!

Fonte:

domingo, 27 de novembro de 2022

NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS

 


Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós!!!!!

Em uma tarde de sábado, no dia 27 de novembro de 1830, na capela das Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, Santa Catarina Labouré teve uma visão de Nossa Senhora. 
A Virgem Santíssima estava de pé sobre um globo, segurando com as duas mãos um outro globo menor, sobre o qual aparecia uma cruzinha de ouro. Dos dedos das suas mãos, que de repente encheram-se de anéis com pedras preciosas, partiam raios luminosos em todas as direções e, num gesto de súplica, Nossa Senhora oferecia o globo ao Senhor.

Oração à Nossa Senhora da Medalha Milagrosa
( 27 de novembro )

Ó Imaculada Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, ao contemplar-vos de braços abertos derramando graças sobre os que vo-las pedem, cheios de confiança na vossa poderosa intercessão, inúmeras vezes manifestada pela Medalha Milagrosa, embora reconhecendo a nossa indignidade por causa de nossas inúmeras culpas, acercamo-nos de vossos pés para vos expôr, durante esta oração, as nossas mais prementes necessidades (momento de silêncio e de pedir a graça desejada).

Concedei, pois, ó Virgem da Medalha Milagrosa, este favor que confiantes vos solicitamos, para maior Glória de Deus, engrandecimento do vosso nome, e o bem de nossas almas. 
E para melhor servirmos ao vosso Divino Filho, inspirai-nos profundo ódio ao pecado e dai-nos coragem de nos afirmar sempre como verdadeiros cristãos. Amém.

Rezar 3 Ave Marias. 
Depois: Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.


quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Isabel conheceu e amou Cristo nos pobres

 


Da Carta escrita por Conrado de Marburgo, diretor espiritual de Santa Isabel, diretor espiritual de Santa Isabel, escrita ao pontífice, no ano de 1232. 

Muito cedo começou Isabel a possuir grandes virtudes. Do mesmo modo como a vida inteira foi a consoladora dos pobres, era também desde então a providência dos famintos. Determinou a construção de um hospital, perto de um castelo de sua propriedade, onde recolheu muitos enfermos e enfraquecidos. A todos que ali iam pedir esmola, distribuiu liberalmente suas dádivas; e não só ali, mas em todo o território sob a jurisdição de seu marido. Destinou para isto a renda de quatro dos principados do esposo, e foi ao ponto de mandar vender seus adornos e vestes preciosas em benefício dos pobres. 

Tinha o costume de, duas vezes ao dia, pela manhã e à tarde, visitar pessoalmente seus doentes, e chegava mesmo a tratar com as próprias mãos os mais repelentes. A alguns deles alimentava, a outros preparava o leito, a outros até carregava nos ombros. Assim realizava muitas obras de bondade. Em tudo isto seu marido, de feliz memória, não se mostrava contrariado. Contudo, após a morte deste, tendendo para a máxima perfeição, rogou-me com lágrimas que lhe permitisse ir mendigar de porta em porta. 

Numa Sexta-feira Santa, desnudados todos os altares, em uma capela de seu castelo onde acolhera os frades franciscanos, colocou as mãos sobre o altar e, na presença de umas poucas pessoas, renunciou à própria vontade e a todas as pompas mundanas e a tudo quanto o Salvador no evangelho aconselhara abandonar. Feito isto, vendo que poderia deixar-se absorver pelo tumulto do século e glória mundana, naquela terra onde vivera com esplendor em vida do esposo, seguiu-me contra minha vontade a Marburgo. Nesta cidade construiu um hospital para doentes e necessitados, chamando à sua mesa os mais miseráveis e desprezados. 

Além desta atuação operosa, digo-o diante de Deus, raramente vi mulher mais contemplativa. Algumas pessoas e mesmo religiosos, na hora de sua oração particular, viram muitas vezes seu rosto brilhar maravilhosamente e como que raios de sol jorrarem de seus olhos. 

Antes da morte ouvi-a em confissão. Indagando-lhe, então, qual o seu desejo em relação ao que possuía e a seus móveis, respondeu que tudo quanto parecia possuir já pertencia aos pobres e pediu-me distribuir-lhes tudo, reservando apenas a túnica vulgar que vestia e coma qual queria ser sepultada. Depois, recebeu o corpo do Senhor e, em seguida, até à hora de Vésperas falou bastante sobre as ótimas coisas que ouvira no sermão. Finalmente, com toda devoção, recomendando a Deus todos os presentes, expirou como se adormecesse suavemente.


Veja mais no Link:






Santa Isabel da Hungria #01 | A princesa que dedicou sua vida aos pobres

 


No episódio #01 da Série "Santa Isabel da Hungria: um modelo de zelo para os dias de hoje", Frei Jeâ Paulo Andrade conta a história de vida de Santa Isabel da Hungria, padroeira da Ordem Franciscana Secular (OFS).




SANTA ISABEL DA HUNGRIA - UMA PRINCESA QUE AMOU OS POBRES(Dia 17/11)- padroeira dos irmãos e das irmãs da Ordem Franciscana Secular


Comemoramos hoje a festa de Santa Isabel da Hungria, padroeira dos irmãos e das irmãs da Ordem Franciscana Secular. A ela, o Papa Bento XVI consagrou uma de suas catequeses semanais. Do texto do Papa extraímos algumas informações e transcrevemos uma e outra de suas reflexões.

Isabel constituiu-se numa figura da Idade Média que sempre suscitou muito interesse, conhecida como Isabel da Hungria, mas também Isabel da Turíngia. Nasceu em 1207 na Hungria. Seu pai era André II, rico e poderoso rei da Hungria. Para reforçar os laços familiares, o soberano havia se casado com uma condessa alemã Gertrudes de Andechs-Merania, irmã de Santa Edwiges, que era esposa do duque da Silésia. Estamos no ambiente dos nobres e dos grandes da terra, de reis e rainhas, duques e duquesas, príncipes e princesas. Isabel viveu na corte da Hungria apenas nos primeiros anos de vida com uma irmã e três irmãos.

Sua infância foi interrompida quando cavaleiros vieram buscar a menina para levá-la para a Alemanha central. Seu pai havia determinado que ela viesse a se tornar princesa da Turingia. “Segundo os costumes daquele tempo, de fato, seu pai havia estabelecido que Isabel se convertesse em princesa da Turíngia. O landgrave ou conde daquela região era um dos soberanos mais ricos e influentes da Europa no começo do século XIII e seu castelo era centro de magnificência e cultura. Mas, por detrás das festas e da glória, escondiam-se as ambições dos príncipes feudais, geralmente em guerra entre eles e em conflito com as autoridades reais e imperiais. Neste contexto, o conde Hermann (Hermano) acolheu com boa vontade o noivado entre seu filho Ludovico e a princesa húngara”. Vivendo nesse quadro, a menina que vinha da Hungria, mais tarde iria revelar-se uma mulher voltada para a pobreza e miséria.

Isabel partiu de sua pátria com grande séquito e importante dote. Com ela foram suas amas pessoais que, no decorrer do tempo, puderam fornecer informações preciosas a respeito da vida de Isabel. As duas talvez fizessem parte, mais tarde, do núcleo do que viria a ser a Terceira Ordem Regular.

Voltamos ao texto de Bento XVI: “Após uma longa viagem, chegaram a Eisenach, para depois subir à fortaleza de Wartburg, o maciço castelo sobre a cidade. Lá se celebrou o compromisso entre Ludovico e Isabel. Nos anos seguintes, enquanto Ludovico aprendia o ofício de cavaleiro, Isabel e suas companheiras estudavam alemão, francês, latim, música, literatura e bordado. Apesar do fato do compromisso ter sido assumido por razões políticas, entre os dois jovens nasceu um amor sincero, motivado pela fé e pelo desejo de fazer a vontade de Deus”. Muitos biógrafos insistem em mostrar detalhes do ardoroso amor de Isabel por seu marido.

Após a morte de seu pai, com a idade de 18 anos, Ludovico começou a reinar. Isabel teria se tornado objeto de críticas silenciosas no ambiente da corte. Seu comportamento sóbrio não correspondia aos costumes vigentes. O próprio casamento foi sóbrio. Isabel não gostava das obrigações sociais decorrentes do fato de ser uma princesa. Conta-se que certa vez tirou a coroa da cabeça e prostrou-se por terra. Uma religiosa teria visto esse gesto e Isabel deu a seguinte explicação: “Como posso eu, criatura miserável, continuar usando uma coroa de dignidade terrena quando vejo o meu Rei Jesus Cristo, coroado de espinhos?”. Uma observação curiosa e bonita na biografia de Isabel. Ela não consumia alimentos sem antes ter a certeza de que eles provinham de propriedades e bens legítimos do marido. Não queria se alimentar daquilo que, de alguma forma, proviesse de injustiças, do aproveitamento do trabalho não recompensado.

“Isabel praticava assiduamente as obras de misericórdia, dava de beber e de comer a quem batia à sua porta, distribuía roupas, pagava as dívidas, cuidava dos doentes e sepultava os mortos. Descendo de seu castelo, dirigia-se frequentemente com suas amas às casas dos pobres, levando pão, carne, farinha e outros alimentos. Entregava pessoalmente os alimentos e cuidava com atenção do leito e das roupas dos pobres. Este fato chegou aos ouvidos do marido, ao que ele respondeu: “Enquanto ela não vender o castelo estou feliz”. Podemos aqui evocar o milagre do pão transformado em rosas: enquanto Isabel ia pela rua com seu avental cheio de pães para os pobres, encontrou-se com o marido, que lhe perguntou o que estava carregando. Abrindo o avental, no lugar dos pães, apareceram rosas. Este símbolo da caridade está presente muitas vezes nas representações em pintura e em imagens de Isabel.

Isabel amava o marido e o marido era reconhecido pelo amor da esposa e o retribuía. “O jovem casal encontrou apoio espiritual nos Frades Menores, que, desde 1222, difundiram-se na Turíngia. Entre eles, Isabel escolheu Frei Rüdiger como diretor espiritual. Quando ele lhe narrou as circunstâncias da conversão do jovem e rico comerciante Francisco de Assis, Isabel se entusiasmou ainda mais em seu caminho de vida cristã. Desde aquele momento dedicou-se mais a seguir Cristo pobre e crucificado, presente nos pobres. Inclusive depois que nasceu seu primeiro filho, seguido de outros dois, nossa santa não descuidou jamais de suas obras de caridade”. Ajudou os frades a construírem um convento em Halberstadt. Depois passou a ser dirigida espiritualmente por Conrado de Marburgo.

Seu marido, em 1227, se associou à cruzada de Frederico II, dizendo à esposa que era uma tradição dos soberanos da Turíngia. Ludovico morreu antes de embarcar, dizimado pela peste, em Otranto, com a idade de 26 anos. Isabel sofreu muito quando soube da notícia. Dizem alguns de seus biógrafos que, quando chegaram seus ossos, ela se jogou com imensa tristeza sobre caixa que continha os resto de seu amado Ludovico. Passou então a dedicar-se mais às coisas do reino. Seu cunhado usurpou o governo da Turingia, tornando-se sucessor de Ludovico, acusando Isabel de incompetência para gerir os assuntos do governo. “A jovem viúva com seus três filhos foi expulsa do castelo de Wartburg e começou a procurar um lugar para refugiar-se. Somente duas de suas amas permaneceram junto dela, acompanharam-na e confiaram os três filhos aos cuidados de amigos de Ludovico.

Peregrinando pelos povoados, Isabel trabalhava onde era acolhida e assistia os doentes, fiava e costurava. Durante este calvário, suportado com grande fé, paciência e dedicação a Deus, alguns parentes, que haviam permanecido fiéis a ela e consideravam ilegítimo o governo de seu cunhado, reabilitaram seu nome”. Isabel recebeu algumas rendas e pode retirar-se para o castelo da família em Marburgo, onde vivia também seu diretor espiritual, Conrado. Em 1228 com as mãos sobre o altar da capela dos franciscanos em Eisenach, Isabel renunciou à própria vontade e as vaidades do mundo. Construiu depois um hospital para leprosos. Viveu os três últimos anos de vida no hospital cuidando dos doentes e acompanhando o término da vida dos moribundos. Fazia trabalhos humildes e repugnantes. “Ela se converteu no que poderíamos chamar de mulher consagrada no meio do mundo (soror in saeculo) e formou com outras amigas suas, vestidas com um hábito cinza, uma comunidade religiosa. Não é por acaso que ela é padroeira da Terceira Ordem Regular de São Francisco e da Ordem Franciscana Secular”.

Em novembro de 1231 foi vítima de fortes febres. Na noite de 17 de novembro descansou no Senhor.

domingo, 6 de novembro de 2022

Francisco, reconstrói a minha casa.


    Interior da Capela de São Damião. 


Nos últimos meses de 1205 ou, no mais tardar, no início do ano de 1206, o jovem Francisco de Assis teve uma profunda e singular experiência de Deus, que o atraía para si através de um longo processo de conversão. Depois de desistir da guerra na Apúlia (sul da Itália) e voltar para a casa de seus pais, rezando diante do Crucificado da pequenina ermida de São Damião, Francisco ouviu uma voz que lhe dizia: “Reconstrói a minha casa”.

São Damião, lugar muito especial para a história franciscana, cuja construção remonta provavelmente aos dois últimos séculos do primeiro milênio, estava localizada próxima à cidade de Assis, não muito distante de seus muros. Foi dedicada aos mártires Cosme e Damião, porém em todos os documentos antigos só aparece o nome de São Damião.

No tempo da juventude de São Francisco a ermida de São Damião, propriedade do bispado de Assis, estava quase abandonada e precisando de reparos. Este estado lamentável, no qual se encontrava a pequena igreja, deve ter despertado no jovem Francisco um sentimento de compaixão por aquele santo lugar, onde escutara a voz divina que lhe falava ao coração.

Havia naquela ermida um grande e belo ícone do Crucificado, pintado por um artista anônimo, provavelmente da própria Itália, que media 1,90 metro de altura por 1,20 metro de largura. O Crucificado foi pintado,não como o homem das dores e do sofrimento, mas como Aquele que está vivo e glorioso, mostrando a sua vitória sobre a morte. Seus olhos expressivos e bem abertos contemplam com doçura o fiel que deles se aproxima. Certamente esta figura deve ter tocado o coração do jovem Francisco que, naquele momento, passava por uma profunda e radical transformação. Ainda hoje os peregrinos podem ver bem de perto este ícone (original), conservado na Basílica de Santa Clara, em Assis.

Vejamos agora o que nos dizem os antigos biógrafos de São Francisco a respeito da sua experiência com o Crucificado de São Damião:

Tomás de Celano não registrou este episódio quando elaborou a primeira biografia do santo pai Francisco alguns anos após a sua morte. Na sua segunda biografia ele nos diz: “Num certo dia, anda perto da igreja de São Damião que estava quase em ruínas e abandonada por todos... Ao entrar nela para rezar, prosternando-se suplicante e devoto diante do Crucificado... sente-se diferente do que entrara. Imediatamente, a imagem do Cristo crucificado, movendo os lábios da pintura... fala-lhe, enquanto ele estava assim comovido. Chamando-o, pois, pelo nome, diz: ‘Francisco, vai e restaura a minha casa que, como vês, está toda destruída’. Francisco, a tremer, fica não pouco estupefato... prepara-se para obedecer, entrega-se totalmente ao mandato” (2Celano 10).

A Legenda dos Três Companheiros descreve o episódio assim: “Estando ele a andar nas proximidades da igreja de São Damião, foi-lhe dito em espírito que entrasse na mesma para a oração. Entrou nela e começou a rezar com fervor diante de uma imagem do Crucificado que piedosa e benignamente lhe falou, dizendo: ‘Francisco, não vês que minha casa está destruída? Vai, portanto, e restaura-a para mim’. Tremendo e admirando-se, ele diz: Fá-lo-ei de boa vontade, Senhor’. Ele entendeu que lhe fora dito daquela igreja que, por causa da extrema antiguidade, ameaçava uma ruína próxima” (LTC 13, 6-9).

São Boaventura, por sua vez, relata assim este acontecimento: “Num certo dia, saindo a meditar no campo, ao andar perto da igreja de São Damião, que devido à excessiva velhice ameaçava ruir, e como... tivesse entrado nela para rezar, prostrado diante da imagem do Crucificado, enquanto rezava, ... Ouviu com seus ouvidos corporais uma voz vinda da própria cruz que dizia por três vezes: ‘Francisco, vai e restaura minha casa que, como vês, está toda destruída!’. Francisco, a tremer, como estivesse sozinho na igreja, ... fica fora de si, entrando em êxtase. Voltando finalmente a si, prepara-se para obedecer” (Legenda Maior 2,1).

Esta foi a missão que Deus confiou ao nosso pai Francisco: “Reconstrói a minha casa”. Apesar de começar imediatamente a restaurar velhas igrejas de Assis, mais tarde ele chegou a compreender este mandato de forma muito mais profunda, como nos assegura São Boaventura: O jovem Francisco “Recolhe todas as forças ao mandato de restaurar a igreja material, embora a principal intenção da palavra se referisse àquela Igreja que Cristo adquiriu com seu sangue, como o Espírito Santo o instruiu e ele depois revelou aos irmãos” (Legenda Maior 2,1 v.5).

Frei Salvio Romero, eremita capuchinho.


sábado, 5 de novembro de 2022

-"Francisco, restaura a minha casa, que desmorona"

E esse pedido de Deus pode ser levado a todos nós: "Restauremos a nossa Igreja."



Foi na encantadora igrejinha de São Damião, a um quilometro abaixo de Assis, toda humilde entre as oliveiras, que se deu o notável acontecimento. Francisco rezava com fervor ante o grande crucifixo bizantino: "Senhor, suplico-Vos me ilumines e dissipeis as trevas da minha alma".
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Do crucifixo veio a resposta, suave e benevolente: "Francisco, restaura a minha casa, que desmorona". 
Iluminado por essa ordem precisa, correu à loja do pai, que se encontrava ausente, carregou o cavalo com várias peças de tecido e galopou em direção ao mercado de Foligno. Ali vendeu o tecido e a montaria. 

De volta a São Damião, encontrou o velho sacerdote que administrava o santuário e ofereceu-lhe o dinheiro para pagar as despesas de restauração; que desconfiado recusou. Francisco, então, atirou com desdém o dinheiro no canto de uma janela e suplicou ao velho sacerdote que lhe permitisse viver com ele. O outro aceitou.
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Entrementes, voltou o pai a Assis e, informando-se dos acontecimentos, teve um acesso de violenta cólera. Reunindo parentes e amigos, desceu a São Damião, a fim de capturar o filho indigno; este, porém, refugiado numa caverna, passou um mês em oração, jejum e lágrimas.
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Enfim, confiando no auxilio de Deus, foi ao encontro de seus perseguidores.
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Assis acolheu o seu herói de ontem com vaias e pedradas; Pedro de Bernardone (seu pai) lançou-o numa enxovia (prisão subterrânea), exortando-o a renuncia de seus projetos.
Seguiu depois em viagem de negócios e a mãe libertou o seu Francisco, que regressou a São Damião.

Voltando de novo o pai, nova cena; desta vez, quis encerrar o caso e apresentou queixa aos cônsules. Citado, Francisco compareceu e declarou-se a serviço de Deus; enviaram o queixoso ao tribunal do Bispo, perante o qual aceitou apresentar-se o filho insubmisso.
Intimado a restituir o dinheiro que tirara, Francisco respondeu com um gesto sublime: para nada conservar da herança paterna, despojou-se das próprias vestes, atirando-as aos pés do pai.
Na eloquência de sua nudez, dirigiu-se aos presentes em solene linguagem: "Escutai-me todos e compreendei. Até agora chamei Pedro Bernardone meu pai. Agora, posso dizer: Pai Nosso, que estais nos Céus" E o Bispo, em sinal de adoção, cobriu Francisco com seu manto.
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Essa nova fase separava Francisco do mundo, consagrando-o ao serviço da igreja; doravante, achava-se livre para dedicar-se à tarefa que lhe indicara o próprio Cristo.
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Ganhou novamente São Damião e, vestido com o hábito de eremita, iniciou, jubiloso, a restauração do santuário, pedindo materiais e alimento, chegando mesmo a reunir, não obstante as zombarias, companheiros que o auxiliassem no trabalho.
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Terminada a igrejinha de São Damião, e não tendo recebido outra ordem de Cristo, Francisco restaurou a de São Pedro. Depois a de Santa Maria dos Anjos, depois uma capela abandonada que ficava a uma légua da cidade e que se chamava, por causa das exíguas dimensões, "a Porciúncula".
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Fascinado com a solidão do lugar, ali estabeleceu o seu domicilio. E foi ali, na humilde casa de Deus que em 24 de fevereiro de 1209, festa de São Matias, ouviu Francisco o apelo que rematou sua conversão, esclarecendo-lhe o sentido das palavras percebidas havia dois anos em São Damião.
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O Evangelho do dia recordava as palavras pronunciadas por Jesus quando enviou os apóstolos a anunciarem a boa nova: "Ide e pregai, dizendo: Está próximo o Reino dos Céus... Não leveis à cintura ouro, nem prata, dinheiro, alforje para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bordão: porque o operário é digno do seu sustento"...
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Não era a igreja de pedra que o Senhor lhe ordenava reconstruir, mas o Corpo Místico de Cristo, retalhado pelo ódio, vício e indiferença.

(Do livro de Ivan Gobry, São Francisco de Assis e o espírito franciscano).


FRANCISCO VAI, RECONSTROI A MINHA CASA! (3Comp 5)


Em 1205, Francisco de Assis escuta esta convocação vinda do Crucifixo de São Damião.
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Foi logo à prática e preparou-se para a vida e missão calejando as mãos erguendo, pedra sobre pedra, a própria capela do lugar da inspiração e outras que estavam destruídas.
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Ocupar-se neste trabalho foi o mesmo que tocar o intocável na sociedade medieval: os leprosos. 
Ele fez casa e esteve em casa com os que não tinham casa: mendigos e camponeses.
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Ensinou também que a casa do Senhor é mais que um templo; é nada mais que o mundo, que caiu em ruínas. A vida de São Francisco não é um conto de fadas distribuído em legendas, mas a entrega de alguém por uma causa.
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Uniu o modo de ser monástico ao modo de ser errante. Nos caminhos conheceu a vida do rural ao urbano, dormiu na casa de ricos e entre os trapos dos que viviam de esmolas. Reuniu o povo da igreja, da roça, os artesãos e cavaleiros.
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Antecipou o sonho de uma sociedade justa, sustentável e feliz. Olhou o Evangelho como forma de vida e abraçou a consequência de ser um crucificado com o Amado.
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Amou e cuidou da casa comum por ter um forte vínculo com todo ser criado.
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Viveu uma vida pacífica, não violenta, sem contendas.
Aprendeu com Irmã Clara um jeito terno, contemplativo, simples, sem nenhuma psicose defensiva.
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Saiu do século XIII e antecipou um futuro.
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Vem, Francisco! Vem nos ajudar! 

Vitorio Mazzuco OFM





sábado, 29 de outubro de 2022

O EXEMPLO DE SÃO FRANCISCO EVITANDO A MORTE DA IGREJA




Escreve G. K. Chesterton que na História da Igreja a fé cristã conheceu, no mínimo, cinco vezes uma morte aparente. Um desses períodos dramáticos de "morte lenta da Igreja" foi o tempo de S. Francisco de Assis. Desta imagem particularmente lúgubre da Igreja do século XII dão testemunho as inúmeras bulas do Papa Inocêncio III, que condenavam os abusos mais escandalosos como a usura, a corrupção, a gula, a embriaguez, a libertinagem.

Tendo como pano de fundo aquela enorme dissolução de costumes surgem na Europa grandes heresias fanáticas e agressivas. Dentre estas conta-se o movimento dos Albigenses e dos Valdenses que quase destruíram o cristianismo. Outro golpe infligido à Igreja foi igualmente o aumento dos pregadores itinerantes, que sistematicamente criticavam os eclesiásticos, frequentemente tomados pela ganância das riquezas, aos quais se contrapunham propagando modelos de pobreza evangélica.

Pelo contrário, Francisco nunca criticava ninguém. A sua opinião era a de que, se o mal reinava ao seu redor, devia em primeiro lugar converter-se a ele próprio, e não os outros. Se um tal luxo e uma tal libertinagem reinavam à sua volta, era ele quem deveria tornar-se radicalmente pobre e puro, assumindo a responsabilidade de tudo. Os santos distinguem-se dos propagadores de heresias no pormenor destes últimos quererem converter os outros em vez de começarem por si próprios, enquanto os santos dirigem o gume de toda a crítica contra a sua própria pessoa. Para que o mundo se torne melhor esforçam-se por se converter a si mesmos.

Quanto mais Francisco se apercebia da corrupção e dos escândalos que o rodeavam, mais desejava assemelhar-se a Cristo, puro, humilde e pobre. Se o mundo era assim tão perverso, o culpado era Francisco e, assim sendo, era ele próprio quem devia converter-se radicalmente – e a história deu-lhe razão.

De fato, quando Francisco se converteu, quando se tornou tão "transparente" ao Senhor que o rosto de Cristo podia refletir-Se nele, a Europa começou a levantar-se da sua queda. 
Realizou-se, desse modo, o sonho no qual Inocêncio III vira uma figura semelhante a Francisco a amparar as paredes periclitantes da Basílica de Latrão, também chamada a "mãe e a primeira de todas as igrejas" – símbolo de toda a Igreja – e assim salvá-la.

Pe. Tadeusz Dajczer in 'Meditações sobre a Fé'




sábado, 22 de outubro de 2022

São João Paulo II: imagens marcantes

 

Ao ver essas imagens, ali está um verdadeiro Santo. São João Paulo II



São João Paulo II nasceu no dia 18 de Maio de 1920, em Wadowice, na Polônia. Foi batizado com o nome de Karol Wojtyła.

Em Outubro de 1942, entrou no seminário de Cracóvia clandestinamente, por causa da invasão comunista em seu país, e a 1º de Novembro de 1946, foi ordenado sacerdote. Em 4 de Julho de 1958, o Papa Pio XII nomeou-o Bispo auxiliar de Cracóvia. Tendo em vista sua espiritualidade marcadamente mariana, Karol escolheu como lema episcopal a conhecida expressão “Totus tuus”, de São Luís Maria Grignion de Montfort, grande apóstolo da Virgem Maria. A ordenação episcopal de Wojtyla foi em 28 de Setembro do mesmo ano. No dia 13 de Janeiro de 1964, foi eleito Arcebispo de Cracóvia. Em 26 de Junho de 1967, foi criado Cardeal por Paulo VI. Na tarde de 16 de Outubro de 1978, depois de oito escrutínios, foi eleito Papa.

A espiritualidade mariana do grande São João Paulo II o levou a uma vida inteiramente dedicada a Deus, principalmente os seus mais de 25 anos de pontificado, um dos mais longos da história da Igreja. Olhando para a vida de João Paulo II, este santo dos nossos dias, podemos aprender a espiritualidade que o fez de um dos Papas mais extraordinários de todos os tempos e que o elevou rapidamente à glória dos altares.

Ainda seminarista, um livro clássico de espiritualidade mariana o ajudou a tirar as dúvidas que tinha em relação a devoção a Nossa Senhora e a centralidade de Jesus Cristo na vida e na espiritualidade católica.

A obra que marcou profundamente a vida e consequentemente a espiritualidade de Karol Wojtyla foi o “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, de São Luís Maria Grignion de Montfort. Falando às Famílias Monfortinas, o Papa João Paulo II disse que o Tratado é um “texto clássico da espiritualidade mariana”, que teve singular importância em seu pensamento e em sua vida. Segundo o Santo Padre, o Tratado é uma “obra de eficiência extraordinária para a difusão da ‘verdadeira devoção’ à Virgem Santíssima”. São João Paulo II experimentou e testemunhou essa eficácia do Tratado em sua própria vida:

“Eu próprio, nos anos da minha juventude, tirei grandes benefícios da leitura deste livro, no qual “encontrei a resposta às minhas perplexidades” devidas ao receio que o culto a Maria, “dilatando-se excessivamente, acabasse por comprometer a supremacia do culto devido a Cristo”. Sob a orientação sábia de São Luís Maria compreendi que, quando se vive o mistério de Maria em Cristo, esse risco não subsiste. O pensamento mariológico do Santo, de fato, “está radicado no Mistério trinitário e na verdade da Encarnação do Verbo de Deus”.

No dia 22 de Outubro, a Igreja Católica celebra o dia de São João Paulo II. A data foi estabelecida pelo papa Francisco por simbolizar o dia em que Karol Wojtyla celebrou sua primeira missa como Pontífice, em 1978, iniciando seu pontificado.

São João Paulo II, rogai por nós!


quarta-feira, 12 de outubro de 2022

NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA

 















Frei Regis Daher, OFM

A Virgem Maria, a Mãe de Deus, é invocada conforme a história do povo cristão, em locais e regiões as mais distintas. Mesmo no Brasil, ela é chamada por muitos ‘nomes’. É quase automático nos lábios das pessoas, diante do inesperado ou do mistério grande das coisas, a exclamação: “Virgem Maria”! ou “Nossa Senhora”!

Para o descrente ou apenas o racional, a exclamação pode simplesmente ser um reflexo religioso inconsciente… No entanto, é curioso e muito significativo, que culturalmente o povo brasileiro chame sempre pela “mãe”, por uma “mulher”… que a fé sabe ser uma “bendita entre as mulheres”, porque é “cheia de graça”!

No Brasil, ela ganhou as feições simples e humildes de seu povo. É simplesmente a “Aparecida”, porque surgiu das águas, nas redes de gente simples como ela, os pescadores do rio Paraíba. A água escureceu sua imagem da argila, cor da terra. Apareceu negra, cabeça separada do corpo, que o homem colou e uniu. Outros sinais da identificação com o seu Filho e os seus irmãos: os renascidos da água e do espírito, membros do mesmo e único corpo, do qual o Cristo é a cabeça.

Antes dela ser “Aparecida”, já era a “Conceição”, aquela que concebe e dá à luz à própria Luz que veio a este mundo. Sabiamente diziam os Padres da Igreja que, primeiro Maria concebeu seu Filho na fé, crendo na Palavra que lhe foi anunciada e, por isso concebeu-O também no seu corpo. Tornou-se, então, o modelo e protótipo da Igreja, de todos os que, como ela, geram o Cristo pela fé.

São Francisco de Assis, na sua 2ª Carta aos Fiéis (48-53), depois de falar sobre a necessidade da completa conversão da atitude de egocentrismo, afirma:

“Aqueles que assim agirem e perseverarem até o fim, verão repousar sobre si o Espírito do Senhor e ele fará neles sua morada permanente, e serão filhos do Pai celestial cujas obras fazem. E serão esposos, irmãos e mães de nosso Senhor Jesus Cristo. Somos seus esposos, quando a alma crente está unida a Jesus Cristo pelo Espírito Santo. Somos seus irmãos quando fazemos a vontade de seu Pai, que está nos céus. Somos suas mães, se com consciência pura e sincera o trazemos em nosso coração e nosso seio e o damos à luz por obras santas que sirvam de luminoso exemplo para os outros”.

Para São Francisco a grandeza e a importância de Maria está no fato dela ter feito Cristo nosso irmão, dando-lhe a carne de nossa humanidade. Ele a vê sempre unida ao seu Filho. Por isso, a devoção a ela se faz na vida conforme o Evangelho. Francisco não só recorre à proteção de Maria, mas assume as atitudes dela frente a Deus, e como ela, concebe, gera e dá à luz à Palavra de Deus, dando-lhe vida e forma. É a fecundidade espiritual dos que, como Maria, geram o Cristo em suas vidas.


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TV Franciscanos | Nossa Senhora da Conceição Aparecida

 


Franciscanos, Especial Nossa Senhora Aparecida Direto do Santuário da Mãe Aparecida 

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

05/10 -SÃO BENEDITO



SÃO BENEDITO, O NEGRO, RELIGIOSO, DA ORDEM I
Benedito, cognominado o mouro – ou o “Negro”, como é conhecido no Brasil – nasceu na Sicília. De pais escravos, vindos da Etiópia para San Fratello, na Sicília, vendeu seus bens e fez-se eremita franciscano nas vizinhanças de Palermo.
Mais tarde, atendendo a um decreto de Pio IV, obrigando a todos os seguissem a Regra de São Francisco a viverem em conventos de sua Ordem, Benedito obedeceu.
No convento, dedicou-se a trabalhos humildes. Chegou a exercer o oficio de Superior, mesmo não sendo sacerdote e, mais tarde, vemo-lo novamente trabalhando na cozinha.
Morreu no ano de 1589. Seu culto cedo se espalhou pela Itália, Espanha, Portugal, Brasil e México. Pio VIII inscreveu-o solenemente no rol dos santos.

São Benedito, filho de escravos, que encontrastes a verdadeira liberdade servindo a Deus e aos irmãos, independente de raça e de cor, livrai-me de toda a escravidão, venha ela dos homens ou dos vícios, e ajudai-me a desalojar de meu coração toda a segregação e a reconhecer todos os homens por meus irmãos. São Benedito, amigo de Deus e dos homens, concedei-me a graça que vos peço do coração. 

Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.
São Benedito rogai por nós !

Oração, Novena e História de São Benedito-Dia 05 de outubro

 

Glorioso São Benedito, grande Confessor da fé,
com toda confiança venho implorar
a vossa valiosa proteção.

Vós, a quem Deus enriqueceu com os dons celestes,
impetrai-me as graças que ardentemente desejo,
para maior glória de Deus.

Confortai o meu coração nos desalentos!
Fortificai minha vontade para cumprir bem os meus deveres!
Sede o meu companheiro nas horas de solidão e desconforto!

Assisti-me e guiai-me na vida
e na hora da minha morte, para que eu possa bendizer a Deus nesse mundo
e gozá-lo na eternidade. Com Jesus Cristo, a quem tanto amastes.
Assim seja.
Amém…

Novena à são benedito:
1º dia
Glorioso São Benedito, dedicastes muito de vosso tempo para rezar e cuidar de vossa fé recebida no Batismo. Por isso ela tornou-se ardente e viva em vosso coração.
Dai-nos um pouco dessa vossa virtude em meio a este mundo tão conturbado em que vivemos.
Dai-nos coragem e determinação para sermos justos e anunciadores do Evangelho, tornando-nos discípulos e missionários.

Rogai a Deus por mim que neste momento preciso de vossa intercessão para (dizer a graça que precisa).
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai…
São Benedito, rogai por nós!


2º Dia
Glorioso São Benedito, fostes sempre humilde e procurastes sempre aceitar a vontade de Deus. Em todos os trabalhos que realizáveis o Amor era vossa principal ferramenta.
Abençoai nossos trabalhos e dai-nos o desejo de partilhar nossas vidas em comunidade.
Rogai a Deus por mim que neste momento preciso de vossa intercessão para (dizer a graça que precisa).
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai…
São Benedito, rogai por nós!


3º Dia
Glorioso São Benedito, fostes sempre muito fiel a vossos deveres e a vossos momentos de oração.
Ensinai-nos a cumprir nossos deveres com responsabilidade e amor e a reservar sempre um tempo para estar com Deus.
Livrai-nos de todo apego e dai-nos um coração pacífico para resolver toda questão e sermos promotores da Paz.
Rogai a Deus por mim que neste momento preciso de vossa intercessão para (dizer a graça que precisa).
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai…
São Benedito, rogai por nós!


4º Dia
Glorioso São Benedito, vosso carinho para com as pessoas o tornou conhecido e amado em toda a região.
Tínheis sempre uma palavra de incentivo e um bom conselho para todos.
Ajudai-nos a valorizar e a conservar nossos amigos a ser abertos e carinhosos para com todas as pessoas.
Rogai a Deus por mim que neste momento preciso de vossa intercessão para (dizer a graça que precisa).
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai…
São Benedito, rogai por nós!


5º Dia
Glorioso São Benedito, que sabíeis olhar com atenção e amor todas as necessidades das pessoas. Se fosse preciso chamava sua atenção e as conduzia pelas mãos de volta ao caminho de Deus.
Dai-nos um coração cheio de caridade para que possamos aceitar a realidade de cada pessoa.
Rogai a Deus por mim que neste momento preciso de vossa intercessão para (dizer a graça que precisa).
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai…
São Benedito, rogai por nós!


6º Dia
Glorioso São Benedito, sempre buscastes justiça. Dai-nos um coração sempre aberto e generoso, para que possamos agir com prudência e caridade em nossos momentos de decisão.
Que nós sempre possamos promover a justiça em nosso meio. Que os que nos cercam sejam sempre valorizados e respeitados.
Rogai a Deus por mim que neste momento preciso de vossa intercessão para (dizer a graça que precisa).
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai…
São Benedito, rogai por nós!


7º Dia
Glorioso São Benedito, fostes sempre muito aberto à ação do Espírito Santo.
Fazei que nossa mente e nosso coração sejam acolhedores dos Dons do Espírito Santo para que nossa vida seja melhor para todos.
Rogai a Deus por mim que neste momento preciso de vossa intercessão para (dizer a graça que precisa).
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai…
São Benedito, rogai por nós!

8º Dia
Glorioso São Benedito, vossa vida nos ensina que vossa riqueza estava em Deus. Para os que só pensam em bens materiais, poderíeis significar pouco porque vossa pessoa era vítima dos preconceitos que ainda hoje maltratam tantas pessoas.
Ensinai-nos a valorizar os bens eternos e a olhar para as pessoas como Jesus as olhava.
Rogai a Deus por mim que neste momento preciso de vossa intercessão para (dizer a graça que precisa).
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai…
São Benedito, rogai por nós!


9º Dia
Glorioso São Benedito, discípulo e missionário. Guiai-nos pelos caminhos que nos levam à Paz. Que possamos sempre estar abertos ao Anúncio da Palavra, em constante processo de conversão, dispostos a assumir nosso compromisso de batizados e levar a Paz que vem de Deus a nossos irmãos e irmãs. Que nossa caminhada possa nos levar à santidade.
Rogai a Deus por mim que neste momento preciso de vossa intercessão para (dizer a graça que precisa).
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai…
São Benedito, rogai por nós!


REZE UM TERÇO A NOSSA SENHORA EM LOUVOR A SÃO BENEDITO
  • História de São Benedito
São Benedito nasceu perto de Messina, na ilha da Sicília, Itália, no ano de 1526. Benedito significa abençoado. Seus pais foram escravos vindos da Etiópia para a Sicília. Era filho de Cristovão Manasceri e de Diana Larcan. O casal não queria ter filhos para não gerarem mais escravos. O senhor deles, sabendo disso, prometeu que, se eles tivessem um filho, daria a ele a liberdade. Assim, eles tiveram Benedito. E, como prometido, ele foi libertado pelo seu senhor ainda menino.
Benedito foi educado por seus pais na fé cristã. Quando menino, cuidava das ovelhas e sempre aproveitava para rezar o Rosário, ensinado por sua mãe.

A vida de São Benedito
Quando tinha 20 anos foi insultado por causa de sua raça. Porém, com muita calma e paciência suportou tudo. Vendo isso, o líder dos eremitas franciscanos, Frei Jerônimo Lanza, convidou-o para fazer parte da congregação. São Benedito aceitou prontamente, vendeu tudo o que tinha e se tornou um eremita franciscano, ficando com eles por volta de 5 anos.
O Papa Pio IV, desejando unificar a ordem franciscana, ordenou aos eremitas que se juntassem a qualquer ordem religiosa. Benedito foi para o mosteiro da Sicília, um convento em Santa Maria de Jesus. Era o convento dos franciscanos capuchinhos. Benedito entrou como irmão leigo, assumindo uma função tida como secundária: a de cozinheiro. Benedito, porém, fez da cozinha um santuário de oração e fervor. Vivia sempre alegre e com muita mansidão, conquistando a todos com sua comida saborosa e sua simpatia.
Foi transferido depois para o convento de Sant’Ana di Giuliana, ficando por 4 anos. Depois retornou para o convento de Santa Maria de Jesus, permanecendo ali até sua morte.

Superior do mosteiro
Por causa de sua vida exemplar, trabalho, oração e ajuda a todos, Frei Benedito tornou-se um líder natural. Em 1578 foi convidado para ser o Guardião, (superior) do mosteiro, cargo que aceitou depois de muita relutância. Apesar de ser analfabeto, administrou o mosteiro com grande sucesso, seguindo com rigor os preceitos de São Francisco. Organizou os noviços, foi caridoso os padres, era o primeiro a dar exemplo nas orações e no trabalho.

São Benedito, um analfabeto procurado pelos teólogos
Os teólogos vinham de longe para conversar com São Benedito e aprender com ele. Frei Benedito tinha o dom da sabedoria e o dom da ciência. E, apesar de sua condição de analfabeto, ensinava a todos.
Mandava os porteiros não dispensarem nenhum pobre sem antes dar-lhes alimento e ajuda, mesmo na dificuldade do mosteiro. Quando termina seu mandato como superior, ele volta com alegria para o seu ofício de cozinheiro.

A fama de São Benedito
Todos queriam ver e tocar em São Benedito, por causa de sua fama de santidade, palavras, milagres e orações. Os escravos simpatizavam muito com ele, por ser negro, pobre e com grandes virtudes. Em torno do seu nome surgiram numerosas irmandades. São Benedito é um dos Santos mais populares no Brasil, com inúmeras paróquias por todos os lugares inspiradas em seu modelo de humildade e caridade.

Os Milagres de São Benedito
Grande é o numero de milagres de São Benedito, inclusive a ressurreição de dois meninos, a cura de vários cegos e surdos, a multiplicação de peixes e pães, e vários outros milagres. Alguns milagres de multiplicação de alimentos aconteceram na cozinha de São Benedito. Por isso, ele é tido carinhosamente pelo povo como o Santo Protetor da cozinha, dos cozinheiros, contra a fome e a falta de alimentos.

Falecimento
Um dia Frei Benedito profetizou que quando morresse teria que ser enterrado às pressas para evitar problemas para seus irmãos. Depois disso, ficou gravemente doente e faleceu no dia 4 de abril de 1589, aos 65 anos de idade. E a profecia se cumpriu: quando ele faleceu uma multidão invadiu o mosteiro para vê-lo, conseguir algum objeto seu ou um pedaço de sua roupa de monge para terem como relíquia do santo pobre e humilde, causando problemas para o convento.
Na hora de sua morte ele disse com muita alegria: Jesus! Jesus! Minha mãe, doce Maria! Meu Pai São Francisco! E morreu em paz. Seu corpo foi transladado para a igreja e exalava suave perfume. Exumado posteriormente, estava intacto, (incorrupto). Em 1611 seu corpo foi colocado em uma urna de cristal na igreja de Santa Maria em Palermo para visitação e permanece até os dias de hoje.

Imagem de São Benedito
São Benedito foi canonizado em 24 de maio de 1807, pelo Papa Pio Vll. É representado com o menino Jesus nos braços por que fora visto várias vezes com um lindo bebê nos braços quando estava em profunda oração. Por orientação da CNBB, no Brasil a festa de São Bendito é comemorada no dia 5 de outubro.