"Senhor, fazei-me instrumento de Vossa Paz"
São Francisco de Assis

segunda-feira, 4 de maio de 2026

HISTÓRIA DE SÃO PEREGRINO: Protetor contra o Câncer:

 

Novena de São Peregrino contra o Mal do Câncer

Oração para todos os dias
São Peregrino protetor contra o mal do câncer.
R: Rogai por nós.
São Peregrino esperança dos que sofrem.
R: Rogai por nós.
São Peregrino exemplo de oração confiante.
R: Rogai por nós.
Ó Redentor do gênero humano, que para apagar os nossos pecados, aceitaste ser submetido ao suplício da cruz e a uma morte atroz. Quando estavas neste mundo, no meio dos homens, curaste muitas pessoas de toda sorte e doença. Purificaste o leproso, devolveste a vista ao cego que suplicava: Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!
Digna-Te, pois, Senhor meu Deus, livrar-me deste mal incurável.(repita a sua intenção e o nome da pessoa para a qual pede a graça)
Ó Deus, Vosso Servo Peregrino a quem provastes com uma chaga maligna, passou a noite em oração diante do Vosso filho crucificado e amanheceu curado.
Por sua intercessão, humildemente Vos pedimos, concedei aos que sofrem de câncer o alívio de suas dores e, na Vossa infinita bondade, a cura da doença. E a nós livra-nos da doença do câncer.
Ó Deus por intercessão de São Peregrino livrai-nos da doença do câncer.
Por Cristo Senhor nosso. Amém.

Devoção a São Peregrino
São Peregrino foi canonizado em 1726 através do Papa Bento XIII. A Igreja celebra São Peregrino em 4 de maio. Ele é o padroeiro de Forli desde 1942. No Brasil existe um local chamado São Peregrino, com uma capela dedicada ao santo, na cidade de Turvo/SC.

Orações de São Peregrino
Oração a ser feita para um enfermo:
Oh São Peregrino, a quem chamamos O Fazedor de Maravilhas, pelos inúmeros milagres que obtém de Deus para todos os que recorrem a vós: vós que por muitos anos padecestes uma cancerosa enfermidade que corroeu vossos tecidos, que tivestes alívio quando todos os recursos humanos perderam as esperanças; vós que fostes favorecido vindo Jesus para sarar vossa enfermidade, pede a Deus e a Santíssima Virgem a cura para esta pessoa a quem agora vos encomendo: (diga o nome da pessoa enferma). Aos cuidados por tua poderosa intercessão, vos pedimos que nos ajudes a alcançar a bondade e a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém. 
Rezar 1 Pai Nosso, 1 Ave Maria e 1 Glória ao Pai.
.
Oração a ser feita pelo próprio enfermo São Peregrino
Humilde servidor de Deus, vem em minha ajuda, sustenta-me em minha debilidade. A enfermidade invade meu corpo e faz a vida incerta, a tristeza envolve meu coração e me desespera. Por vossas súplicas, alcança-me uma fé viva, e uma esperança firme, a fim de que a mão de Deus se estenda sobre mim, me livre de todo mal, sare meu corpo e que se cumpra a sua vontade sobre mim. Que em sua ternura eu seja fortalecido em minhas angústias, para que eu possa viver e ser testemunho de sua presença em minha vida. 
Rezar 1 Pai Nosso, 1 Ave Maria e 1 Glória ao Pai.

São Peregrino nasceu na cidade de Forli, Romanha, na Itália, em 1265. Cresceu em meio a uma população conhecida pelo espírito reacionário e anárquico. Era um jovem idealista, intempestivo, com o apelido de Furacão. Na juventude, Peregrino participava do movimento dos Gibelinos. Era um grupo ligado ao imperador, que lutava contra o Papa.
.
A conversão de São Peregrino
Um dos sete fundadores da Ordem dos Servos de Maria e prior geral da Ordem, São Filipe Benizi, foi à Forli com a missão de pacificar a população. Em um de seus discursos pedindo paz, o grupo de inimigos do Papa expulsou São Filipe da cidade com muita violência. E Peregrino que fazia parte do grupo de agressores agrediu São Filipe com socos e bofetadas.
Caindo em si depois, ficou arrependido por ter agredido um Servo de Deus. Por isso, Peregrino foi atrás de São Filipe para pedir perdão. São Filipe o perdoou e acolheu com amor, sem ressentimentos. O perdão e o amor do São Filipe tocaram profundamente o coração de Peregrino, até então acostumado ao rancor, à revolta, à vingança.
A partir dessa época, Peregrino começou a rezar à Virgem Maria suplicando sua conversão e que a Mãe de Jesus mostrasse a ele qual caminho deveria trilhar. Pouco tempo depois, com trinta anos de idade, foi para a cidade de Siena onde ingressou na Ordem dos Servos de Maria, a mesma do Pe. Filipe Benizi.
.
São Peregrino e suas penitencias
Com o passar dos anos, Peregrino voltou para Forli e trabalhava com os pobres da cidade com muita dedicação e amor. 
A penitência estava sempre presente em sua vida. 
Ele lamentava os erros e pecados do passado e confessava sempre que sentia necessidade.
Às vezes até se castigava fisicamente. Quando estava cansado, deitava-se no banco da igreja ou no chão duro. Quando tinha sono, muitas vezes não deitava na cama, mas no chão. Durante trinta anos, cumpriu uma penitência imposta a si mesmo: ficava sempre em pé, nunca se sentava.
.
Protetor contra o Câncer
Na idade de 60 anos, por causa desse estilo de vida sacrificado, foi acometido pelo câncer, com uma chaga maligna em sua perna direita. Sem ver nenhuma chance de cura, o médico se viu obrigado a amputar a perna de Peregrino para salvar sua vida. Durante aquela noite, porém, ele foi se arrastando até a sala de orações, onde havia uma pintura de Jesus crucificado na parede.
Ele se prostrou aos pés da cruz e clamou pela cura daquela doença maligna. Ele foi envolvido num êxtase tão profundo que viu Jesus descer da cruz pintada na parede e tocar sua perna doente. Ao acordar, mandou chamar o médico, que constatou que havia ocorrido um verdadeiro milagre, pois a perna de  Peregrino estava totalmente curada e não precisava ser amputada.
Por causa deste fato, ele passou a ser venerado e invocado como o protetor contra o câncer. Muitas pessoas têm alcançado graças e milagres de cura dessa doença ainda hoje pedindo a intercessão de São Peregrino..
.
Falecimento e Milagres
São Peregrino Laziosi faleceu no ano de 1345, aos 80 anos de idade, vítima de uma febre desconhecida. Durante seu velório houve acontecimentos extraordinários. Uma mulher, que era suspeita de estar possuída pelo mal, foi levada até a igreja. Eles a encostaram no corpo de São Peregrino e a mulher foi libertada de todo mal.
.
Um jovem, que tinha caído de uma árvore, estava com suas vísceras expostas. Ao invocar o santo, livrou-se da morte certa. Levaram, também, um cego até a igreja onde acontecia o velório. Quando o cego se Aproximou do caixão, o santo se sentou, fez o sinal da cruz no rosto do cego, e o homem voltou a enxergar. E o santo deitou-se novamente em seu caixão.
.
Outro acontecimento extraordinário foi que a população de toda a região, sabendo dos acontecimentos miraculosos, começou a peregrinar até a igreja onde estava o corpo de São Peregrino. Era tanta gente que eles não conseguiam fazer o sepultamento. Porém, começaram a perceber que o corpo do santo não estava se decompondo, mesmo depois de alguns dias. Esse fenômeno sobrenatural durou por vários séculos.
.
Ainda hoje, passados quase sete séculos de seu falecimento, o corpo de São Peregrino Laziosi apresenta alguns tecidos, músculos, cabelos, unhas e pele. Seu corpo está exposto em um relicário na Catedral que leva o seu nome, em Forli, na Itália.

CAPELA EM JOSÉ BONIFÁCIO-SP (Paróquia São José)
Av.  Tufi Murad, 140 - Jardim Vitoriano
TEL:(17) 3245-3457
MISSAS:
Aos Sábados às 17h00 - E Todo dia 05 de às 19h30


domingo, 3 de maio de 2026

Caminhos do Evangelho | 5º Domingo da Páscoa - Frei Danilo Santos Oliveira-

"Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim." (João 14:1 - 12) - 

Reflexão de Frei Danilo Santos Oliveira





Evangelho (Jo 14,1-12): «Não se perturbe o vosso coração! Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fosse assim, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós. E depois que eu tiver ido e preparado um lugar para vós, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também. E para onde eu vou, conheceis o caminho».

Tomé disse: «Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?». Jesus respondeu: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se me conhecestes, conhecereis também o meu Pai. Desde já o conheceis e o tendes visto».

Filipe disse: «Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta». Jesus respondeu: «Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me conheces? Quem me viu, tem visto o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Crede-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Crede, ao menos, por causa destas obras. «Em verdade, em verdade, vos digo: quem crê em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai».


sexta-feira, 1 de maio de 2026

São José Operário

 



Pio XII, instituindo, em 1955, a festa de São José Operário quis oferecer ao trabalhador cristão um modelo e protetor. “Todo trabalho possui dignidade inalienável e, ao mesmo tempo, ligação íntima com a pessoa em seu aperfeiçoamento: nobre dignidade e prerrogativa, que não são de modo algum aviltadas pela fadiga e pelo peso que devem ser suportados como efeito do pecado original em obediência e submissão à vontade de Deus”, disse Pio XII.
.
Foi no dia 1º de maio de 1886, em Chicago, maior parque industrial dos Estados Unidos na época, que os operários de uma fábrica se revoltaram com a situação desumana a que eram submetidos e pelo total desrespeito à pessoa que os patrões demonstravam. Eram trezentos e quarenta em greve e a polícia, a serviço dos poderosos, massacrou-os sem piedade. Mais de cinquenta ficaram gravemente feridos e seis deles foram assassinados num confronto desigual. Em homenagem a eles é que se consagrou este dia.
.
São José é o modelo ideal do operário. Sustentou sua família durante toda a vida com o trabalho de suas próprias mãos, cumpriu sempre seus deveres para com a comunidade, ensinou ao Filho de Deus a profissão de carpinteiro e, dessa maneira suada e laboriosa, permitiu que as profecias se cumprissem e seu povo fosse salvo, assim como toda a humanidade.

Proclamando São José protetor dos trabalhadores, a Igreja quis demonstrar que está ao lado deles, os mais oprimidos, dando-lhes como patrono o mais exemplar dos seres humanos, aquele que aceitou ser o pai adotivo de Deus feito homem, mesmo sabendo o que poderia acontecer à sua família. José lutou pelos direitos da vida do ser humano e, agora, coloca-se ombro a ombro na luta pelos direitos humanos dos trabalhadores do mundo, por meio dos membros da Igreja que aumentam as fileiras dos que defendem os operários e seu direito a uma vida digna.

Muito acertada mais esta celebração ao homem “justo” do Evangelho, que tradicional e particularmente também é festejado no dia 19 de março, onde sua história pessoal é relatada.

https://franciscanos.org.br/



terça-feira, 28 de abril de 2026

ORDEM FRANCISCANA SECULAR - Uma Ordem para nossa desordem!

  

Conheça a Ordem Franciscana Secular - OFS Vídeo produzido pela fraternidade Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula, do Regional Sul 3 (RS) da OFS do Brasil. 
.
Produção executiva e edição: 
Vera Munhoz e Rogério Ferraz.

28 DE ABRIL: Lembramos do Casal de Beatos Luquesio e Buonadonna- Primeiros irmãos da Terceira Ordem Franciscana


Paz e Bem, irmãos e irmãs.

É com imensa alegria que celebramos a festa da Família franciscana em que Lembramos do Casal de Beatos Luquesio e Buonadonna.
Que transformaram as suas vidas ao conhecer São Francisco de Assis e seu ideal de pobreza, que atraiu muitas pessoas.
E eles também se encantaram e passaram a desfazer-se de tudo e seguir o santo para com ele fazer penitência, queria até se separar. Deixar de ser um casal. Porém São Francisco não consentiu que abandonassem o sacramento do matrimônio.
Logo, pediram-lhe que ao menos lhe indicassem alguma forma de vida, em que de um modo mais perfeito servissem a Deus. 
Então o Santo, prometeu-lhes no mesmo dia em que pregou aos pássaros dar-lhes uma forma de vida em que todos podiam observar, sem deixar família, nem abandonar suas casas.
No ano de 1216 Francisco cumpre o prometido entrega o hábito da Penitência aos dois primeiros irmãos da Terceira Ordem Franciscana e são eles o casal Luquésio e Buonadona (também conhecidos no Brasil por Lucio e Bona), poderíamos dizer que Francisco insere, com a fundação da Ordem Terceira, os leigos seculares no âmbito da Igreja, assumindo seu papel como leigos comprometidos numa realidade da Igreja.
Luquesio, era conhecido por ser um homem ganancioso, mas que mudou radicalmente de vida depois de ouvir os ensinamentos de São Francisco. Passando a renunciar a todos os seus bens e passou a viver junto com sua mulher uma vida de penitência, baseada na pobreza, no minorismo e na caridade cristã.
Buonadonna, resistiu no primeiro momento, da conversão de seu esposo. Sua conversão foi, devagar. Mas, após o milagre dos pães, percebeu sua ignorância. E se rendeu totalmente ao amor, a compaixão, para com o próximo assim, como seu marido. Como eles foram os primeiros irmãos penitentes Luquésio e Dona Bona, dedicaram-se ao apostolado nas famílias e entre os casais. Eram generosos com todos e testemunhavam o amor de Cristo.
Luquésio faleceu aos 80 anos em 1260 e sua esposa anos depois, e foi beatificado apenas em 27 de março de 1697 pelo papa Inocêncio XII, embora anteriormente já tivesse grande fama de santidade, na Europa ficaram conhecidos como bem-casados e são considerados patronos dos casais, seu corpo repousa junto ao de sua esposa na grande basílica a ele dedicado na cidade de Poggibonsi na Itália. Fazer a lembrança desse santo homem é retomar as origens da Ordem Franciscana Secular e resgatar a essência de nosso carisma.
O casal Luquésio e Bonadonna nos revelam os valores que devem ser cultivados em um lar franciscano secular, onde a caridade, o amor a Deus e o cuidado com a família devem ser o alicerce de nossa caminhada franciscana.

FREI:
e

OBS. Publicado anteriormente em 28 de abril 2022, resolvemos subir para data atual. 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Santa Zita de Lucca- Pio XII proclamou-a padroeira das empregadas domésticas do mundo inteiro.

 



Empregada doméstica – Ordem Franciscana Terceira. Canonizada em 1696.

Santa Zita nasceu em 1218, na época ainda de São Francisco, em Monsagrati, nos arredores da cidade de Lucca no seio de uma família muito devota. A sua irmã mais velha entrou para um convento de Cister e seu tio foi eremita e morreu com fama de santidade.

Filha de camponeses, aos 12 anos foi trabalhar como empregada doméstica na casa de uma rica família, e aí permaneceu durante 48 anos, ou seja até morrer.

Extremamente devota, perguntava-se sempre a si mesma: “Isto agrada ao Senhor?” Ou: “Isto desagrada a Jesus?”. Esta preocupação de sempre fazer a vontade divina tornara-se para ela quase uma obsessão.

Tendo sempre, em todas as ocasiões e situações, demonstrado um grande amor para com o próximo, foi-lhe confiado o encargo de distribuir as esmolas cada sexta-feira. E dava do seu pouco, da sua comida, das suas roupas, daquilo que possuía, das suas parcas economias. Dizem que um dia foi surpreendida enquanto socorria os necessitados. Mas no seu avental o que era alimento converteu-se em flores.

Conta-se ainda que certo dia foi dar esmola a um necessitado, durante o seu tempo de trabalho. Vizinhos, tendo sido testemunhas desta “infração”, vieram logo avisar a família Fatinelli, para quem Zita trabalhava. A dona da casa foi à cozinha, para averiguar se havia atraso no afazeres e, ó milagre, alguns Anjos estavam ocupados a fazer aquilo que Zita deveria ter feito durante o tempo em que foi fazer obra de caridade. Daí em diante, nunca mais foi impedida de seguir os seus instintos caritativos.

Um outro fato que sobre ela se conta igualmente é o seguinte:

Durante um período de grande fome que assolou a região, Zita continou a praticar a caridade a que estava habituado, utilizando mesmo o que estava armazenado nos celeiros de seus patrões. Uma vez mais foi acusada, mas quando os seus patrões foram verificar os celeiros, ficaram admirados de os encontrar repletos: nada lá faltava.

Na hora da morte — aos 60 anos — tinha ajoelhada a seus pés toda a família Fatinelli, a quem servira toda a vida. 
Partiu para o Céu no dia 27 de Abril de 1278. O seu corpo é venerado na igreja de São Fredaino, em Lucca, Itália. 

Pio XII proclamou-a padroeira das empregadas domésticas do mundo inteiro.


quinta-feira, 23 de abril de 2026

Beato Egídio de Assis | Franciscanos Conventuais

23 de Abril. Nós, franciscanos, celebramos a memória do Beato Egídio de Assis, clérigo da I Ordem Franciscana, dos primeiros companheiros. Texto tirado do livro "Santos Franciscanos para cada dia" de Frei Giuliano Ferrini, OFM e Fr. José Guillermo Ramírez, OFM.


 


 

Bem-aventurado Egídio de Assis

Discípulo de São Francisco, clérigo da Primeira Ordem (+1262). Pio VI aprovou seu culto no dia 4 de julho de 1777.

Dos primeiros companheiros de Francisco de Assis nenhum lhe era mais caro ao coração do que um irmão muito simples que ele chamava “nosso cavaleiro da Távola Redonda”. Jovem de uma piedade e de uma pureza de vida singulares, Egídio admirava seu concidadão Francisco à distância, mas não ousava aproximar-se dele, até o dia em que soube que seus amigos Bernardo e Pedro tinham-se tornado seus companheiros, decididos a viver com ele uma vida de pobreza. Egídio imediatamente resolveu fazer o mesmo. Ao sair da cidade, encontrou-se com seu mestre e os dois estavam absorvidos na conversa, quando foram abordados por uma mendiga.
.
“Dá-lhe o teu casaco” – disse-lhe São Francisco, ao se dar conta de que nenhum deles tinha dinheiro. E o candidato a discípulo prontamente obedeceu. O teste foi suficiente: no dia seguinte, Egídio recebeu o hábito. Primeiramente ficou com Francisco, acompanhando-o em suas viagens de evangelização pela Marca de Ancona e outras regiões não distantes de Assis, mas um sermão em que o Fundador exortou os discípulos a saírem pelo mundo afora, levou Egídio a fazer uma peregrinação a Compostela.

Pode-se dizer que ele praticamente percorreu o seu caminho de ida e volta sempre trabalhando, porque, quando possível, retribuía as esmolas com algum serviço pessoal, e distribuía com os outros tudo o que recebia ou possuía, inclusive o seu próprio manto, sem se preocupar com as zombarias que sua aparência grotesca provocava. Depois de seu retorno à Itália, foi enviado a Roma, onde ganhava seu sustento, executando trabalhos como o de carregar água ou cortar lenha. Uma visita à Terra Santa foi seguida de uma missão a Túnis, destinada a converter os sarracenos. A expedição resultou em fracasso. Os cristãos locais temiam sofrer com o ressentimento dos muçulmanos e, em vez de acolherem e ajudarem os missionários, obrigaram-nos a voltar a seus navios, antes mesmo de darem início à missão. Frei Egídio passou o resto de sua vida na Itália, principalmente em Fabriano, Rieti e Perusa, onde morreu.
.
Apesar de sua simplicidade e de sua falta de cultura, ele era dotado de uma sabedoria infusa que levava as pessoas de todas as condições a consultá-lo. Aos que procuravam seus conselhos, a experiência ensinava que evitassem certos assuntos ou palavras cuja simples menção fazia o frade mergulhar em êxtase, durante o qual parecia totalmente alheio ao mundo. Os próprios garotos da rua sabiam disto, e, quando o viam passar, gritavam: “Paraíso! Paraíso!” Egídio tinha veneração pelas pessoas cultas, e certa vez perguntou a São Boaventura se o amor dos ignorantes para com Deus se igualaria ao de uma pessoa culta. “Iguala sim – foi a resposta do santo. Uma boa velhinha analfabeta pode amar a Deus melhor do que um doutor letrado da Igreja”.
.
Encantado com a resposta, Frei Egídio correu para o portão do jardim que olhava para a entrada da cidade e gritou: “Escutai-me, vós todas, boas velhinhas! Vós podeis amar a Deus melhor do que Frei Boaventura”. Neste momento entrou em êxtase que durou três horas. Na medida do possível, ele vivia uma vida retirada, em companhia de certo discípulo. Este depois declarou que, em todos os 20 anos que passaram juntos, nunca ouviu seu mestre pronunciar uma palavra vã. Seu amor ao silêncio era verdadeiramente notável. Conta-nos uma bela lenda que S. Luís de França, por ocasião de sua viagem à Terra Santa, desembarcou secretamente na Itália, para visitar seus santuários. Em Perusa, procurou Frei Egídio, a respeito do qual ouvira contar muitas coisas. Depois de se abraçarem efusivamente, os dois se ajoelharam um ao lado do outro, em muda oração, e em seguida se separaram, sem terem trocado uma palavra sequer exteriormente.
.
Durante toda a sua vida, o Beato Egídio sofreu terríveis tentações do demônio, mas, como bom soldado de Cristo, considerava muito normal ter de lutar contra o inimigo de seu Mestre. Ele odiava a ociosidade. Quando vivia em Rieti, o Cardeal Bispo de Túsculo gostava frequentemente de tê-lo como seu companheiro à mesa, mas Egídio só comparecia se pudesse ganhar o almoço prestando algum serviço. Certo dia de muita chuva, seu anfitrião lhe garantiu que, como era impossível trabalhar no campo, ele devia aceitar a refeição de graça. Seu hóspede, porém, não era pessoa fácil de dissuadir. Penetrando furtivamente na cozinha do cardeal, que achou extremamente suja, Egídio ajudou a fazer uma boa limpeza nela, antes de voltar à mesa de seu anfitrião.
.
A dor pungente que lhe causou a morte de São Francisco foi seguida, naquele mesmo ano, pela maior alegria de sua vida, pois Nosso Senhor lhe apareceu em Cetona, com o mesmo aspecto que tinha quando estava neste mundo. Posteriormente, Egídio costumava dizer a seus irmãos que nascera quatro vezes: no dia de seu próprio nascimento, no dia do batismo, no dia da tomada de hábito e no dia em que viu Nosso Senhor.
.
Os ditos áureos de Frei Egídio, muitos dos quais chegaram até nós, foram publicados muitas vezes. Eles nos revelam uma profunda vida espiritual, aliada a uma aguda capacidade de percepção das coisas.


As fontes da vida do Beato Egídio são tão numerosas, que é impossível enumerá-las aqui. O elemento principal é uma biografia, escrita, ao que parece, em sua forma primitiva, por Frei Leão, mas conservada em duas recensões distintas, conhecidas como Vida Longa e Vida Breve. Encontra-se uma discussão exaustiva desses e de outros materiais em W. W. Seton, Blesseti Giles ot Assisi (1918), que atribui a prioridade à Vida Breve e publica um texto latino e uma tradução. A Vida Longa foi incorporada na Chronica XXIV Generazium, publicada em Quaracchi em 1897. 
Vejam-se também I Fioretti de S. Francisco de Assis (numerosas edições), e Léon, “Auréole séraphique” (trad. para o inglês), voI. II, p. 89-101.





Admoestações de São Francisco

Nas Admoestações, São Francisco recorda que o amor fraterno não depende da presença ou da convivência imediata. Amar o irmão verdadeiramente significa respeitá-lo também quando ele está distante, quando não pode se defender ou quando não está presente para ouvir nossas palavras.

A fraternidade franciscana nasce de um coração que deseja o bem do outro em qualquer circunstância. Assim se constrói uma vida marcada pela caridade, pelo respeito e pela fidelidade ao Evangelho.
Paz e Bem!



Admoestações de São Francisco de Assis

 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

SÃO FRANCISCO DE ASSIS: A Vida, os Milagres e os Lugares Sagrados que Marcaram sua Jornada

 


A incrível jornada de São Francisco de Assis! Neste episódio especial do Jornada Infinita, viajamos até Assis, La Verna, Greccio e San Damiano, locais que marcaram a vida de São Francisco de Assis, um dos santos mais inspiradores da história do cristianismo. O que você vai descobrir neste vídeo? ✅ A juventude de Francisco e sua renúncia à riqueza. ✅ A experiência mística em La Verna, onde recebeu os estigmas. ✅ O chamado de Cristo na igreja de San Damiano. ✅ Como sua pregação transformou o cristianismo e inspirou até os papas. ✅ A relação de São Francisco com a natureza e os animais. 📍 Uma viagem pelos lugares sagrados de São Francisco! Exploramos a Basílica de São Francisco, o Eremitério do Carceri, onde ele buscava solitude, e o santuário de La Verna, onde ele teve sua visão divina. 💬 O que mais te inspira na vida de São Francisco? Comente aqui e compartilhe esse vídeo. 🔔 Se inscreva no canal e ative o sininho para não perder os próximos vídeos!


São Francisco de Assis Benção com a Reliquia Frei Mário Tagliari OFM

 




Frei Mário Tagliari, OFM nos dá a Benção com a relíquia de São Fancisco de Assis. Para o povo e também aos nossos animais de estimação. Outros Vídeos católicos em:



domingo, 22 de março de 2026

Assis de Francisco e Clara - Lugares de Peregrinação

 



Neste programa Lugares de Peregrinação conheceremos Assis, cidade onde viveu São Francisco e Santa Clara. Contemplaremos os lugares que marcaram a vida desses grandes santos, desde o Eremitério dos Carceri, passando pela Basílica de Santa Clara, também pelo local onde nasceu Francisco, sua casa paterna, até chegarmos à belíssima basílica onde repousam seus restos mortais.

Acompanhe conosco!



terça-feira, 17 de março de 2026

São Patrício da Irlanda e sua couraça - reze agora mesmo!

 

Nasceu na Grã-Bretanha por volta do ano 389, isto é, no final do século IV d.C. Aos 16 anos foi capturado por piratas irlandeses e vendido como escravo. Mas conseguiu escapar e fugiu para a França. Ali, em contato com pessoas religiosas, fez um discernimento na busca da vontade de Deus, tornando-se sacerdote e missionário. Em 432, decidiu inclusive voltar para a ilha da Irlanda.
.
Dedicou-se com ardor à evangelização de toda a população irlandesa: crianças, jovens e adultos. Para explicar o mistério da Santíssima Trindade, utilizava o trevo de três folhas, mostrando que, na fé cristã, Deus é uno e trino. Incentivou os sacramentos e, entre eles, a confissão particular. Pela tradição popular, atribuiu-se a São Patrício o desaparecimento das cobras na ilha. Por isso é representado esmagando esses animais com seu cajado. Mediante sua pregação, mudou a crença do povo, levando muitas pessoas do culto celta para a fé e o culto cristão. Sofreu, por causa disso, perseguição, pois com sua presença e ação perturbava os chefes religiosos celtas. No entanto, perseverando em seu esforço missionário ao longo de 20 anos, fez com que a Irlanda aderisse ao cristianismo e se tornasse, mais tarde, um dos países mais cristãos do mundo.
.
Acabou por falecer aos 17 de março do ano 461, com fama de santidade e o mérito de grande apóstolo da fé cristã. Havia, de fato, fundado mosteiros e ajudado a conversão de muitas pessoas. O que ele nos ensina? A sermos nós também "sal da terra e luz do mundo" (Mt 5,13), como certa vez Jesus pediu a Seus discípulos. Vivemos em outra época, é verdade, mas o nosso tempo também tem urgente necessidade de novos evangelizadores. Precisamos de novos "patrícios" que nos levem a descobrir a beleza da fé cristã e da prática do Evangelho.
.
Esta oração dedicada ao Apóstolo da Irlanda, São patrício nos serve como uma armadura divina contra o mal, a violência e as adversidades espirituais.

Oração Couraça de São Patrício

Hoje me levanto com poderosa força e invoco à Santíssima Trindade com Trinitária fé professando a unidade do Criador e da criatura.
.
Hoje me levanto com a força do nascimento de Cristo, com a graça do seu batismo, com a força de sua crucificação e morte, com a força de sua ressurreição e ascensão, com a força de seu retorno no dia do juízo.
.
Hoje me levanto com a força do amor do Querubim, obediente aos anjos, a serviço dos arcanjos, na esperança da ressurreição para encontrar consolo com as orações dos patriarcas, as predições dos profetas, os ensinamentos dos apóstolos, a fé dos confessores, a inocência das santas virgens, os feitos dos homens de bem.
.
Hoje me levanto com a força dos céus: a luz do sol, o brilho da lua, o esplendor do fogo, a velocidade do trovão, a rapidez do vento, a profundidade dos mares, a permanência da terra, a firmeza da rocha.
.
Hoje me levanto com a força de Deus que me guia: sua grandeza que me apoia, sua sabedoria que me guia, seu olho que me cuida, seu ouvido que me escuta, sua palavra que me fala, sua mão que me defende, seu caminho para segui-lo, seu escudo para proteger-me, sua Eucaristia para livrar-me das armadilhas do demônio, da tentação dos vícios, daqueles que me desejam o mal, longe ou perto, só ou acompanhado.

Invoco hoje estes poderes para que se levantem entre mim e estes males, contra todos e cruéis infames poderes que desejam o mal, para meu corpo, contra as invocações dos falsos profetas, contra as nefastas leis da pagania, contra as falsas leis da heresia, contra as artes da idolatria, contra os feitiços das bruxas, quiromantes e feiticeiros, contra todo conhecimento que corrompe o corpo e a alma.

Cristo que me protege hoje contra o veneno, contra o fogo, contra morrer afogado, contra ser ferido, para que assim venha a mim abundante consolo.

Cristo comigo,
Cristo à minha frente,
Cristo atrás de mim,
Cristo em mim,
Cristo abaixo de mim,
Cristo sobre mim,
Cristo à minha direita,
Cristo à minha esquerda,
Cristo quando me deito,
Cristo quando me sento,
Cristo quando me levanto,
Cristo no coração de todo homem que pensa em mim,
Cristo na boca de quem fale de mim,
Cristo em todo olho que me vê,
Cristo em todo ouvido que me ouve.
Hoje me levanto com poderosa força e invoco à Santíssima Trindade com trinitária fé professando a unidade do Criador e da criatura. 
Amém.

Curiosidades da Oração Couraça de São Patrício

A Couraça de São Patrício foi uma oração muito usada durante a Idade Média, com o objetivo de proteger os cavaleiros dos golpes de seus inimigos.
São Patrício é considerado o padroeiro da Irlanda e seu dia é celebrado em 17 de março. No país, ele é conhecido como Saint Patrick ou da forma abreviada e familiar St. Paddy.

Fonte: O Mílite e


Pesquisa mais sobre São Patrício clicando AQUI


domingo, 15 de março de 2026

Parolin: a um mundo em ânsia e em guerra, São Francisco oferece alegria e fraternidade













O cardeal secretário de Estado Pietro Parolin diante do relicário com os restos mortais de São Francisco, expostos na Basílica de Assis (Vatican Media)

O cardeal secretário de Estado presidiu uma Missa na Basílica Superior de Assis por ocasião da exibição extraordinária dos restos mortais do Pobrezinho, no 800º aniversário de sua morte: “A alegria das pequenas coisas é a resposta à tristeza da nossa geração”

Daniele Piccini – Vatican News

.
A “sobriedade, a alegria das pequenas coisas, o sentir-se irmão de todos e de tudo”. É a “terapia eficaz” que São Francisco de Assis oferece a um mundo caracterizado pelo “desejo desenfreado de possuir, pelo luxo, pelo desperdício, pelo supérfluo, pelo consumismo”, habitado por uma geração afetada pela “ansiedade e tristeza” devido ao “trabalho precário”, às crises econômicas, ao clima, às “guerras de todos contra todos e contra tudo”.

Presidindo, nesta manhã de 15 de março às 11h, a Missa na Basílica Superior de Assis, por ocasião da exibição extraordinária dos restos mortais do Pobrezinho, pelo aniversário dos 800 anos de sua morte, o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, explicou com estas palavras o motivo do fascínio que o padroeiro da Itália exerce em todo o mundo, ainda muitos séculos após sua morte.

Um perfil humano e espiritual irresistível
.
Na homilia, o cardeal inspirou-se em um episódio narrado no famoso livro dos Fioretti. Certa vez, frei Masseo da Marignano, um dos primeiros companheiros de Francisco, perguntou por que razão todo o mundo “o seguia”, escutando-o e obedecendo-lhe, apesar de ele não ser um homem bonito, não possuir “grande sabedoria” e não ser “nobre”. O Pobrezinho respondeu-lhe que “os olhos santíssimos de Deus” nunca se detiveram sobre um homem mais “vil”, mais “insuficiente” e mais “pecador” do que ele. No entanto, observou o cardeal Parolin, Francisco conseguiu atrair a admiração de dois gênios indiscutíveis da Idade Média, o pintor e arquiteto Giotto e o poeta Dante.
.
A razão desse magnetismo, argumentou o diplomata do Vaticano, reside em seu “perfil humano e espiritual”, tal como descrito por seu primeiro biógrafo, Tomás de Celano. Em primeiro lugar, Francisco era “de caráter manso, de temperamento calmo, afável na fala, cauteloso nas admoestações, extremamente fiel no cumprimento das tarefas que lhe eram confiadas, prudente nos conselhos, eficaz na ação, amável em tudo. De mente serena, de alma doce, de espírito sóbrio, absorto em contemplações, constante na oração e em tudo cheio de entusiasmo”, escreve o autor de S. Francisci Assisensis vita et miracula.

Ser irmão de todos e de tudo

.
Mas outros aspectos de sua personalidade continuam a chamar “nossa atenção” após oito séculos, acrescentou o cardeal: sua “alegria perfeita”, sua “extrema pobreza”, sua “fraternidade universal”. O santo de Assis sabia aceitar de maneira “humilde, paciente e alegre” as adversidades da vida. Sua pobreza não era apenas “um meio ascético para tender à perfeição”, mas uma forma de “ser o mais possível semelhante a Cristo”. Por fim, ele se sentia “irmão de tudo e de todos”: dos homens, da criação, do universo, até mesmo da morte.
.
Francisco, lembrou o cardeal Parolin ao concluir sua homilia, escreveu o Cântico das Criaturas em um “tempo de crise, de escuridão, dentro e fora dele”. Um tempo, observou o cardeal, não muito diferente do nosso, “em que as trevas da guerra parecem obscurecer a luz da esperança”. Justamente neste momento histórico e existencial, desejando “paz e bem” ao mundo inteiro, o secretário de Estado do Vaticano convidou a rezar usando as palavras do Pobrezinho de Assis: pedindo a “Deus que não nos abandona” que ilumine as “trevas do coração”, nos conceda “fé reta, esperança certa, caridade perfeita e humildade profunda”.




quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Compadre Francisco | Episódio #26- Campanha da Fraternidade A Igreja inicia a Quaresma: tempo de conversão, oração, jejum e caridade.

Campanha da Fraternidade de 2026: “Fraternidade e Moradia”. Como transformar fé em compromisso concreto?

 


A Igreja inicia a Quaresma: tempo de conversão, oração, jejum e caridade. Com Frei Franklin Mateus, refletiremos sobre o sentido das cinzas e a espiritualidade quaresmal. 
Também vamos falar da Campanha da Fraternidade de 2026: “Fraternidade e Moradia”. Como transformar fé em compromisso concreto? Frei João Manoel Zechinatto nos ajudará a responder! 
Também vamos receber o Padre Jean Poul Hansen, secretário executivo do Setor Campanhas da CNBB. Assista, partilhe e viva bem este tempo! 
Paz e Bem!


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Oração de São Francisco de Assis para os animais de rua.


🙏

Senhor, pelas mãos de São Francisco, eu Te peço hoje pelos que não têm ninguém. 
Olha com ternura para os cães e gatos que vagam pelas ruas, dormindo sobre o cimento frio e caminhando com fome e sede. 
São Francisco, você que chamava o lobo de irmão e as aves de irmãs, estende o teu manto sobre esses pequenos seres agora.
Que eles encontrem, em meio ao abandono, um olhar de compaixão ou uma mão que lhes ofereça um pouco de alimento. 
Protege-os dos carros, da maldade de quem não entende sua inocência e do cansaço que abate o corpo deles. 
Sopra no coração das pessoas a vontade de ajudar, de acolher e de respeitar a vida que pulsa em cada um desses animais.
Que nenhum deles se sinta invisível hoje. 
Que a Tua luz os guie até um lugar seguro e que, em breve, o asfalto seja trocado por um lar e o medo pelo descanso de um afeto verdadeiro.
Amém.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Francisco de Assis ensina: quem reza, serve!




A oração sempre ocupou lugar central na vida cristã, não apenas como devoção, mas como fonte que sustenta e inspira todas as escolhas e ações do discípulo. Desde os antigos mestres espirituais, passando pela experiência de Santo Afonso de Ligório, aprendemos que rezar é reconhecer que “sem mim nada podeis fazer” e pedir o dom do Espírito para viver segundo o Evangelho. São Francisco de Assis é testemunha luminosa dessa verdade: sua profunda vida de oração, feita de silêncio, louvor, escuta e entrega, tornou-se ação concreta, serviço humilde, cuidado dos pequenos e reconstrução da vida dos que sofrem. Por isso, a oração cristã não permanece apenas na interioridade; ela abre o coração, purifica a intenção e conduz ao compromisso real com o Reino de Deus.

.
Orar é elevar a mente e o coração a Deus, confiando inteiramente na sua graça. Não se trata de um gesto isolado de devoção, mas da fonte que orienta toda ação cristã. Desde os antigos mestres, como Hugo de São Vítor, e conforme a tradição bíblica do Livro da Sabedoria, entende-se que a oração é o caminho pelo qual se recebe a sabedoria e o Espírito: “Invoquei o Senhor, e veio a mim o espírito da sabedoria.” Hugo recorda que, sem o auxílio divino, a iniciativa humana é insuficiente. A oração, portanto, é o acesso à filiação divina e nos torna capazes de pedir e viver o dom do Espírito. Santo Afonso reforça essa verdade a partir do mandato de Cristo: “Sem mim nada podeis fazer”. A oração não é um adorno religioso, mas a respiração da vida cristã. Quem reza com sinceridade e constância pede, antes de tudo, o dom do Espírito, e desse encontro nascem a fé, a esperança e a caridade autênticas.
.
A oração genuína, porém, não se limita ao interior: ela transforma e encaminha para o serviço. Enzo Bianchi e a tradição litúrgica lembram que a liturgia é “parusia antecipada”, sinal do Reino que já vem ao encontro do povo. O ministro, o celebrante e todo cristão só podem comunicar aquilo que carregam no coração: “Se você não estiver evangelizado, não poderá evangelizar; se a Palavra não mora em você, não poderá comunicá-la à assembleia.” São Carlos Borromeu aconselhava os ministros: “Se você administra os sacramentos, medite no que está fazendo. Se celebra a missa, medite no que está oferecendo. Se recita os salmos, medite a quem e do que está falando.” A regra é clara: a liturgia molda o coração para a caridade; a oração prepara e orienta a ação sacramental e pastoral. Orar e celebrar é preparar-se para servir e levar à vida aquilo que a Palavra e os sacramentos suscitam.
.
A vida de São Francisco de Assis ilumina essa união inseparável entre contemplação e serviço. Seu Cântico das Criaturas, sua oração diante do crucifixo e sua intimidade com Deus revelam uma espiritualidade que transforma tudo em compaixão e prática solidária. Na prece diante do crucifixo, “Altíssimo, glorioso Deus, ilumina as trevas do meu coração. Dá-me fé reta, esperança certa e caridade perfeita. Dá-me, Senhor, senso e discernimento para que eu cumpra o teu santo e verdadeiro mandamento”, Francisco mostra a prioridade da vida cristã: pedir a graça para viver o Evangelho. Ele viu a criação como “um grande coro de onde brota contínua oração” e fez da atenção aos pobres a consequência necessária dessa experiência contemplativa. Para ele, a oração que não gera partilha não é conforme ao Evangelho: a verdadeira espiritualidade conduz ao encontro dos pequenos, ao cuidado dos leprosos, à partilha do alimento, à presença junto aos marginalizados. A caridade é o fruto visível da alma que reza.
.
Praticar a fé significa, portanto, transformar a contemplação em gestos cotidianos: cultivar a Palavra, estudá-la, meditá-la, deixá-la moldar o coração; buscar a reconciliação com Deus e com os irmãos; ajudar os necessitados com partilha e presença; oferecer escuta; promover a comunhão. A Eucaristia, centro da vida cristã, recorda esse movimento: alimentar-se do Corpo do Senhor é assumir a responsabilidade de levar alimento e dignidade aos famintos. A espiritualidade franciscana sublinha que solidariedade é prática de amor: viver a destinação universal dos bens, a fraternidade e a partilha como escolhas diárias. “O que eu tenho, eu dou” resume a decisão de não viver para si, mas para quem precisa.
.
Há, portanto, um caminho claro: a oração nos dá o Espírito; o Espírito fecunda a fé; a fé se traduz em obras de amor. Tal percurso exige humildade, ser sinal pobre de Cristo, e coerência litúrgica: a celebração não é espetáculo, mas gesto formativo que converte. Quem preside, canta ou reza os ofícios deve fazê-lo com atenção e reverência, consciente de que a liturgia possui força evangelizadora quando é vivida em adoração. Ao mesmo tempo, a prática cristã é profética: uma espiritualidade que não promove transformação social nem se compromete com a justiça permanece mutilada. A fé que salva é a que humaniza, denuncia injustiças, reconstrói e liberta.
.
Concluímos com o mesmo espírito de Francisco, que inspirou gerações: oração e ação são duas faces da mesma vocação. Como escreveu o Poverello pouco antes de morrer: “Irmãos, até agora pouco ou nada fizemos; vamos recomeçar!” Recomeçar na oração, que desarma o ego e prepara o coração; recomeçar na caridade, que torna crível a Palavra de Deus. Orar e praticar é viver a fé como caminho de amor, nas pequenas ações, nas decisões corajosas, na partilha cotidiana, até que o mundo reconheça, em nós, o rosto misericordioso de Deus.

Paz e Bem!
Fr. Augusto Luiz Gabriel

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Ano Jubilar Franciscano - Mensagem do Ministro Provincial

 



Neste ano, celebramos os 800 anos da morte de São Francisco de Assis, que chama a morte de irmã e recorda que ninguém pode dela escapar: 

“Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã a Morte corporal, 
da qual homem algum pode escapar. 
Felizes os que ela achar 
conformes à tua santíssima vontade, 
porque a morte segunda não lhes fará mal.” 

Nesse contexto, o Papa Leão XIV dirige à Igreja a proclamação de um tempo especial de graça, vivido de 10 de janeiro de 2026 a 10 de janeiro de 2027, como convite para aprofundar a fé, buscar uma conversão mais sincera e experimentar renovação espiritual. 

Que este Ano Jubilar Franciscano, nos ajude a retomar o caminho com simplicidade, escuta e fidelidade, inspirados pelo testemunho de São Francisco de Assis. Acompanhe na #TVFranciscanos


A Transformação Impossível de São Francisco de Assis

 



SÃO FRANCISCO DE ASSIS | Do Luxo à Pobreza Radical Como o filho do homem mais rico de Assis se tornou o santo mais amado da história? Em 1206, Francesco Bernardone chocou a cidade inteira ao ficar nu na praça pública, devolver tudo ao pai, e escolher uma vida de pobreza absoluta. Mas o que levou um jovem festeiro e ambicioso a essa transformação radical? NESTE DOCUMENTÁRIO:
  • A juventude luxuosa de Francisco
  • Sua captura na guerra e crise existencial
  • A voz misteriosa do crucifixo de São Damião
  • O confronto épico com o pai na praça
  • A fundação da Ordem Franciscana
  • O encontro com o Sultão durante as Cruzadas
  • Os estigmas milagrosos no Monte Alverne
  • O legado que atravessou 8 séculos
⛪ Padroeiro: Itália, animais, ecologia