"SENHOR, FAZEI-ME INSTRUMENTO DE VOSSA PAZ".

Sua maior intenção, seu desejo principal e plano supremo era observar o Evangelho em tudo e por tudo,imitando com perfeição, atenção, esforço, dedicação e fervor os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo no seguimento de sua doutrina". (Vida de S. Francisco - 1Cel 84)

"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você está fazendo o impossível.São Francisco de Assis"

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Hoje celebramos a “Segunda-Feira do Anjo”, entenda o por quê.



Hoje, Segunda-feira da Páscoa, a Igreja celebra a chamada “Segunda-feira do Anjo”, que recebe este nome porque foi precisamente um anjo que, no sepulcro, anunciou às mulheres que Jesus tinha ressuscitado.
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Em um dia como hoje, em 2017, Vatican News recordou a explicação dada por São João Paulo II em 1994.
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“Por que se chama assim?”, perguntou o Pontífice, colocando em evidência a necessidade de destacar a figura daquele anjo, que disse das profundezas do sepulcro: “Ele ressuscitou”.
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Estas palavras “eram muito difíceis de pronunciar, de expressar, para uma pessoa. Além disso, as mulheres que foram ao sepulcro, o encontraram vazio, mas não puderam dizer ‘ressuscitou’; só afirmaram que o sepulcro estava vazio. Mas o anjo disse: ‘Ele não está aqui, ressuscitou’”.
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Assim narra o Evangelho de Mateus: “Mas o anjo, respondendo, disse às mulheres: Não tenhais medo; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito. Vinde, vede o lugar onde o Senhor jazia. Ide pois, imediatamente, e dizei aos seus discípulos que já ressuscitou dentre os mortos. E eis que ele vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis. Eis que os disse”. (Mt 28, 5-7)
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Os anjos são servidores e mensageiros de Deus. Como criaturas puramente espirituais, têm inteligência e vontade: são criaturas pessoais e imortais. Superam a perfeição de todas as criaturas visíveis.
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O resplendor da sua glória testemunha isso: Cristo é o centro do mundo dos anjos e estes lhe pertencem, ainda mais, porque os tornou mensageiros do seu plano de salvação.
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A partir de hoje, até o final da Páscoa no dia de Pentecostes, se reza a oração do Regina Coeli em vez da Oração do Ângelus.
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O Sumo Pontífice Emérito Bento XVI, em 2009, assinalou que o “Alegrai-vos” Maria pronunciado pelo anjo é um convite à alegria: “Gaude et laetare, Virgem Maria, aleluia, quia Surrexit Dominus vere, aleluia”, “Alegrai-vos e exultai, Virgem Maria, aleluia, pois o Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia”.

Fonte: ACI Digital


domingo, 4 de abril de 2021

Feliz Páscoa



Mensagem do Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, para a Páscoa.
Que Deus os abençoe, Paz e Bem!


MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO POR OCASIÃO DA PÁSCOA DO SENHOR



MENSAGEM URBI ET ORBI DO SANTO PADRE

(Domingo de Páscoa, 4 de abril de 2021)

Queridos irmãos e irmãs, boa Páscoa! Boa, santa e serena Páscoa!

Hoje ressoa, em todas as partes do mundo, o anúncio da Igreja: «Jesus, o crucificado, ressuscitou, como tinha dito. Aleluia».

O anúncio de Páscoa não oferece uma miragem, não revela uma fórmula mágica, não indica uma via de fuga face à difícil situação que estamos a atravessar. A pandemia está ainda em pleno desenvolvimento; a crise social e económica é muito pesada, especialmente para os mais pobres; apesar disso – e é escandaloso –, não cessam os conflitos armados e reforçam-se os arsenais militares. Isto é o escândalo de hoje.

Perante, ou melhor, no meio desta complexa realidade, o anúncio de Páscoa encerra em poucas palavras um acontecimento que dá a esperança que não decepciona: «Jesus, o crucificado, ressuscitou». Não nos fala de anjos nem de fantasmas, mas dum homem, um homem de carne e osso, com um rosto e um nome: Jesus. O Evangelho atesta que este Jesus, crucificado sob Pôncio Pilatos por ter dito que era o Cristo, o Filho de Deus, ao terceiro dia ressuscitou, conforme as Escrituras e como Ele próprio predissera aos seus discípulos.

O próprio Crucificado, não outra pessoa, ressuscitou. Deus Pai ressuscitou o seu Filho Jesus, porque cumpriu até ao fim o seu desígnio de salvação: tomou sobre Si a nossa fraqueza, as nossas enfermidades, a nossa própria morte; sofreu as nossas dores, carregou o peso das nossas iniquidades. Por isso Deus Pai O exaltou, e agora Jesus Cristo vive para sempre, Ele é o Senhor.

As testemunhas referem um detalhe importante: Jesus ressuscitado traz impressas as chagas das mãos, dos pés e do peito. Estas chagas são a chancela perene do seu amor por nós. Quem sofre uma provação dura, no corpo e no espírito, pode encontrar refúgio nestas chagas, receber através delas a graça da esperança que não decepciona.

Cristo ressuscitado é esperança para quantos ainda sofrem devido à pandemia, para os doentes e para quem perdeu um ente querido. Que o Senhor lhes dê conforto, e apoie médicos e enfermeiros nas suas fadigas! Todos, sobretudo as pessoas mais frágeis, precisam de assistência e têm direito a usufruir dos cuidados necessários. Isto é ainda mais evidente neste tempo em que todos somos chamados a combater a pandemia, e um instrumento essencial nesta luta são as vacinas. Por isso, no espírito dum «internacionalismo das vacinas», exorto toda a comunidade internacional a um empenho compartilhado para superar os atrasos na distribuição delas e facilitar a sua partilha, especialmente com os países mais pobres.

O Crucificado Ressuscitado é conforto para quantos perderam o trabalho ou atravessam graves dificuldades económicas e carecem de adequada proteção social. O Senhor inspire a ação das autoridades públicas para que a todos, especialmente às famílias mais necessitadas, sejam oferecidas as ajudas necessárias para um condigno sustento. Infelizmente a pandemia elevou de maneira dramática o número dos pobres, fazendo cair no desespero milhares de pessoas.

«É necessário que os “pobres” de todo o género reaprendam a esperar», disse São João Paulo II na sua viagem ao Haiti (Homilia no encerramento do Congresso Eucarístico e Mariano, 09/III/1983, 4). E é precisamente para o querido povo haitiano que, neste dia, vai o meu pensamento e encorajamento a fim de não se deixar vencer pelas dificuldades, mas olhar para o futuro com confiança e esperança. É verdade! O meu pensamento dirige-se de forma especial para vós, queridas irmãs e irmãos haitianos: estou unido e solidário convosco e faço votos de que se resolvam definitivamente os vossos problemas. Rezo por isso, queridos irmãos e irmãs haitianos.

Jesus ressuscitado é esperança também para tantos jovens que foram forçados a transcorrer longos períodos sem ir à escola ou à universidade e sem partilhar o tempo com os amigos. Todos precisamos de viver relações humanas reais e não apenas virtuais, sobretudo na idade em que se formam o caráter e a personalidade. Ouvimo-lo na passada sexta-feira durante a Via-Sacra das crianças. Estou unido aos jovens de todo o mundo e, neste momento, especialmente aos da Birmânia que se empenham pela democracia, fazendo ouvir pacificamente a sua voz, cientes de que o ódio só pode ser dissipado pelo amor.[1]

Que a luz do Ressuscitado seja fonte de renascimento para os migrantes que fogem da guerra e da miséria. Nos seus rostos, reconhecemos o rosto desfigurado e sofredor do Senhor que sobe ao Calvário. Oxalá não lhes faltem sinais concretos de solidariedade e fraternidade humana, penhor da vitória da vida sobre a morte que celebramos neste dia. Agradeço aos países que acolhem com generosidade os atribulados à procura de refúgio, especialmente o Líbano e a Jordânia, que alojam muitos refugiados em fuga do conflito sírio.

Possa o povo libanês, que atravessa um período de dificuldades e incertezas, sentir a consolação do Senhor ressuscitado e ter o apoio da comunidade internacional na sua vocação de ser uma terra de encontro, convivência e pluralismo.

Cristo, nossa paz, faça cessar finalmente o fragor das armas na amada e atormentada Síria, onde vivem já em condições desumanas milhões de pessoas, bem como no Iémen, cujas vicissitudes estão rodeadas por um silêncio ensurdecedor e escandaloso, e na Líbia, onde se vislumbra finalmente a via de saída dum decénio de contendas e confrontos sangrentos. Que todas as partes envolvidas se empenhem efetivamente por fazer cessar os conflitos e permitir aos povos exaustos pela guerra que vivam em paz e iniciem a reconstrução dos respetivos países.

A Ressurreição leva-nos, naturalmente, a Jerusalém. Para ela imploramos do Senhor paz e segurança (cf. Sal 122), a fim de que corresponda à sua vocação de ser lugar de encontro onde todos se possam sentir irmãos e onde israelitas e palestinenses encontrem a força do diálogo para alcançar uma solução estável, em que convivam lado a lado dois Estados em paz e prosperidade.

Neste dia de festa, o meu pensamento volta ainda ao Iraque, que tive a alegria de visitar no mês passado e pelo qual rezo a fim de continuar o caminho de pacificação empreendido e deste modo realizar o sonho de Deus duma família humana hospitaleira e acolhedora para todos os seus filhos.[2]

A força do Ressuscitado sustente as populações africanas que veem o seu futuro comprometido por violências internas e pelo terrorismo internacional, especialmente no Sahel e na Nigéria, bem como na região de Tigré e Cabo Delgado. Continuem os esforços para se encontrar soluções pacíficas para os conflitos, no respeito pelos direitos humanos e a sacralidade da vida, através dum diálogo fraterno e construtivo em espírito de reconciliação e operosa solidariedade.

No mundo, há ainda demasiadas guerras e violências! O Senhor, que é a nossa paz, nos ajude a vencer a mentalidade da guerra. Conceda a quantos estão prisioneiros nos conflitos, especialmente no leste da Ucrânia e no Nagorno-Karabakh, a graça de retornarem sãos e salvos às suas famílias, e inspire os governantes de todo o mundo a travarem a corrida a novos armamentos. Hoje, 4 de abril, celebra-se o Dia Mundial contra as Minas Antipessoais, munições velhacas e terríveis que, anualmente, matam ou mutilam tantas pessoas inocentes e impedem os seres humanos de «caminhar juntos pelas sendas da vida, sem ter receio das ciladas de destruição e de morte».[3] Como seria melhor um mundo sem estes instrumentos de morte!

Queridos irmãos e irmãs, também este ano, em vários lugares, muitos cristãos celebram a Páscoa no meio de grandes limitações e, às vezes, sem poderem sequer ir às celebrações litúrgicas. Rezemos para que tais limitações, bem como toda a limitação à liberdade de culto e religião no mundo, sejam removidas e cada um possa livremente rezar e louvar a Deus.

No meio das múltiplas dificuldades que estamos a atravessar, nunca esqueçamos que fomos curados pelas chagas de Cristo (cf. 1 Ped 2, 24). À luz do Ressuscitado, os nossos sofrimentos são transfigurados. Onde havia morte, agora há vida; onde havia luto, agora há consolação. Ao abraçar a Cruz, Jesus deu sentido aos nossos sofrimentos. E, agora, rezemos para que os efeitos benéficos daquela cura se espalhem por todo o mundo. Boa, santa e serena Páscoa!

[1] Cf. Tweet do Card. Charles Bo, 23/III/2021.
[2] Cf. Encontro Inter-religioso em Ur, 6/III/2021.
[3] São João Paulo II, Angelus, 28/II/1999.


Blog Frei Nilo Agostini

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

DEZ CITAÇÕES ESSENCIAIS DA BÍBLIA PARA QUANDO VOCÊ PRECISA DE PROTEÇÃO.

 

Quando a vida está incerta ou estamos com medo, busca na Bíblia a proteção reconfortante de Deus

.O dia 29 de setembro é a festa dos arcanjos, incluindo São Miguel Arcanjo, o líder do Exército de Deus, e de todos os anjos. E com este papel vem muita responsabilidade: Ele tem que lutar contra Satanás, defender a Igreja e os cristãos, conduzir os fiéis aos céus em sua morte e, finalmente, chamar todas as pessoas de sua vida terrena para o julgamento celestial.
Assim sendo, não é nenhuma surpresa que este arcanjo-chefe seja invocado para proteção e que ele seja o padroeiro da polícia, dos médicos e do exército.
Com os medos que muitos estão enfrentando na vida atualmente – seja relacionado à saúde, incerteza, insegurança financeira ou dificuldades emocionais – você pode querer buscar a ajuda dele para proteger você e sua família mais do que nunca.
Dessa forma, ao recordar São Miguel, você também pode buscar na Bíblia pelo conforto de que Deus irá protegê-lo e guiá-lo ao longo do caminho que Ele traçou para você, e se consolar em que, quando chegar a hora, Ele enviará seu arcanjo-chefe, Michael, para guiá-lo ao Seu lado.
Passagens bíblicas de conforto e proteção

1 NADA TEMAS, PORQUE ESTOU CONTIGO, NÃO LANCES OLHARES DESESPERADOS, POIS EU SOU TEU DEUS; EU TE FORTALEÇO E VENHO EM TEU SOCORRO, EU TE AMPARO COM MINHA DESTRA VITORIOSA. (ISAÍAS 41,10)
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2 CORAGEM! E SEDE FORTES. NADA VOS ATEMORIZE, E NÃO OS TEMAIS, PORQUE É O SENHOR VOSSO DEUS QUE MARCHA À VOSSA FRENTE: ELE NÃO VOS DEIXARÁ NEM VOS ABANDONARÁ. (DEUTERONÔMIO 31,6)
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3 A REFLEXÃO VELARÁ SOBRE TI, AMPARAR-TE-Á A RAZÃO. (PROVÉRBIOS 2,11)
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4 O SENHOR ESTÁ PERTO DOS CONTRITOS DE CORAÇÃO, E SALVA OS QUE TÊM O ESPÍRITO ABATIDO. (SALMOS 33,19)
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5 MAS O SENHOR É FIEL, E ELE HÁ DE VOS DAR FORÇAS E VOS PRESERVAR DO MAL. (II TESSALONICENSES 3,3)
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6 NÃO ABANDONES A SABEDORIA, ELA TE GUARDARÁ; AMA-A, ELA TE PROTEGERÁ. (PROVÉRBIOS 4,6)
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7 QUE O SENHOR TE ESCUTE NO DIA DA PROVAÇÃO, E TE PROTEJA O NOME DO DEUS DE JACÓ. (SALMOS 19,2)
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8 EM TUDO SOMOS OPRIMIDOS, MAS NÃO SUCUMBIMOS. VIVEMOS EM COMPLETA PENÚRIA, MAS NÃO DESESPERAMOS. SOMOS PERSEGUIDOS, MAS NÃO FICAMOS DESAMPARADOS. SOMOS ABATIDOS, MAS NÃO SOMOS DESTRUÍDOS. (II CORÍNTIOS 8-9)
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9 EM MEIO À ADVERSIDADE VÓS ME CONSERVAIS A VIDA, ESTENDEIS A MÃO CONTRA A CÓLERA DE MEUS INIMIGOS; SALVA-ME A VOSSA MÃO. (SALMOS 137,7)
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10 DEUS É NOSSO REFÚGIO E NOSSA FORÇA, MOSTROU-SE NOSSO AMPARO NAS TRIBULAÇÕES. POR ISSO A TERRA PODE TREMER, NADA TEMEMOS; AS PRÓPRIAS MONTANHAS PODEM SE AFUNDAR NOS MARES. (SALMOS 45,2-3)


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

CARISMA FRANCISCANO-II Dois testemunhos-

Francisco renunciou ao poder que gera a violência e ao dinheiro que está na raiz do poder. Deu de mão a toda a ambição de domínio, incluindo a mais sutil de todas, a dos clérigos. 
Rompeu com o sistema político religioso de seu tempo, a supremacia temporal da Igreja, as lutas feudais, as guerras santas. 
Fê-lo sem clamor, sem subverter a opinião pública, com suavidade, humildemente, mas realmente. Num 
mundo violento, eriçado de torreões, cavado de fossos o seu universo não conhecia muralhas nem torres de vigia. 
Pobre de bens e de poder, estava em paz com todos, vivia ao nível de todos os seres, para todos tinha um olhar cheio de luz e de respeito. 
O olhar, sobretudo, nele era maravilhosamente humano; humanos os sentidos todos. As criaturas já não eram objeto de posse e de domínio. Irmão do sol e das criaturas, caminhava num mundo aberto e esplendoroso. Era o pai de uma multidão de amigos. Nele se congraçavam a pureza e a ternura e nenhuma barreira conseguia impedir que se expandissem pelo mundo. 
O seu horizonte não era a cristandade temporal, com seu prestígio, as suas fronteiras a defender ou a dilatar, mas apenas Jesus Cristo, que urgia amar e servir o homem que se impunha salvar.

Éloi Leclerc, em “Desterro e Ternura”, Editorial Franciscana, Braga (Portugal), p.10-11


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Irmãos e irmãs de São Francisco, temos um papel importante a desempenhar no futuro que devemos construir com todos os homens e mulheres de boa vontade acentuando a prioridade das pessoas no seio da Fraternidade universal; manifestando a novidade do Evangelho, fonte de felicidade; encarnando no cotidiano dos relacionamentos, o amor salvador de Cristo; esforçando-nos em sermos testemunhas da liberdade interior do Espírito; recusando a ditadura do dinheiro e a pauperização de dois terços do planeta. 
Construir o futuro no maravilhamento diante da beleza da criação e promovendo um desenvolvimento humano duradouro; apaixonados pela paz e diálogo entre as religiões; sentindo-nos solidários de uma Igreja muitas vezes pecadora e por vezes luminosa. 
Um mundo novo está nascendo e a família franciscana deve fazer aí ouvir sua música própria.

Michel Hubaut, em “Chemins d’intériorité avec saint François”, Ed. Franciscaines, Paris, p 18-19

Por Frei Almir Guimarães

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

“Não me sinto bem neste lugar onde se blasfema contra meu Filho”: A Virgem que se materializou para pedir que deixassem de blasfemar Jesus


Uma cidade italiana testemunhou dois milagres da mesma imagem de Maria

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A cidade de Tagliamento, norte da Itália, testemunhou dois extraordinários milagres de uma imagem da Virgem Maria em séculos diferentes.
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Trata-se da imagem da Madonna di Rosa (“Virgem de Rosa”), um esplêndido afresco milagroso conservado desde o século XIX em um santuário de San Vito.
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Mas a imagem nem sempre esteve ali. A própria Virgem pediu que a trasladassem de onde ela se encontrava. E esse foi o seu primeiro milagre, em 1655.
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A Virgem na casa da família Giacomuzzi
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O chefe da família Giacomuzzi, Giovanni, encomendou a obra para decorar a sua casa na Villa di Rosa. No entanto, a casa ficou para seu filho, Giacomo, que, em 1648, decidiu mudar-se e deixou o imóvel abandonado.
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Meses mais tarde, a casa foi demolida. Entretanto, quando Giacomo voltou ao lugar onde passou a infância, encontrou a imagem da Virgem intacta entre as ruínas. Assim, decidiu levá-la embora para a nova casa.
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Os Giacomuzzi eram uma família muito devota. Eles se reuniam pela manhã e à noite para rezar diante da imagem. Mas, verdade seja dita, eles também eram muito incoerentes. Rezavam, mas blasfemavam durante todo o dia, culpando Deus pelas asperezas da vida no campo.
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O milagre no dia da Apresentação de Jesus no Templo
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Em 2 de fevereiro de 1655, dia da Apresentação de Jesus no Templo, a família foi à missa. Todos, menos a filha menor, de 8 anos, que se chamava Mariute. Ela sofria com fortes crises de epilepsia e tinha que ficar aos cuidados das tias.
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Em certo momento, as tias sentiram que a menina ria e parecia conversar com alguém na sala onde estava a imagem da Virgem. Quando foram ver, não quiseram interromper a cena incrível.
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As tias esperaram alguns minutos antes de fazer mil perguntas à garota. Mariute, depois de ter conversado com a Virgem, que se havia feito carne, simplesmente comentou o que ela lhe dissera:

“Não me sinto nada bem aqui, neste lugar onde se blasfemam contra meu Filho. Por favor, diga a seu pai para que esta imagem seja venerada em uma igreja, em uma rua frequentada. Implore também a todos os habitantes da região que se abstenham de blasfemar… Faça o que eu lhe peço e nunca mais terá crises de epilepsia”.
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Mariute, então, fez o que a Virgem lhe recomendou. Depois, se curou do mal. Os moradores também passaram a venerar a imagem em uma igreja franciscana.
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O bombardeio de 1944
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Séculos mais tarde, em 31 de dezembro de 1944, um enorme bombardeio atingiu a cidade de San Vito al Tagliamento. Uma enorme bomba destruiu o santuário onde estava a Virgem.
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A explosão foi enorme. Graças a Deus, não houve vítimas. Todos os franciscanos do convento se salvaram, mas o local veio a baixo. E, novamente, a imagem da Virgem voltou a aparecer milagrosamente intacta.
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Para conhecer o santuário, clique AQUI




https://pt.aleteia.org

domingo, 31 de janeiro de 2021

DOCE É SENTIR



Este vídeo foi feito com muito amor,carinho e dedicação para você e toda sua família! Que Deus os abençoe sempre e São Francisco de Assis interceda por todos nós. Amém... Paz e Bem meus queridos irmão em Cristo.

"Paz e Bem"

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Quando os pais marcam a vida de fé dos filhos Santos Timóteo e Tito, bispos e discípulos de Paulo 2 Timóteo 1,1-8; Lucas 10, 1-9

 


Lemos hoje um trecho da segunda carta de Paulo a Timóteo. Trata-se de um escrito marcado pela delicadeza e pela ternura. Paulo chama Timóteo de seu filho querido.

 “Dou graças a Deus (…) quando me lembro de ti, dia e noite, nas minhas orações. Lembrando-me das tuas lágrimas, sinto grande desejo de rever-te e assim ficar cheio de alegria”. Qual a motivo dessas lágrimas? Saudade? Lembrança de agradáveis vivências experimentas por Paulo e Timóteo? Que coisa maravilhosa quando pessoas que trabalham juntas na pastoral e na missão, para além do lado mecânico e funcional das tarefas se sentem ligadas por vínculos de amizade e de ternura! 

Delicado e belo o pensamento seguinte: “Recordo-me da fé sincera que tens, aquela mesma fé que antes tiveram tua avó Loide e tua mãe, Eunice. Assim também é a tua”. Paulo faz uma constatação tão simples e tão profunda, tão comum e tão extraordinária. A maneira como Loide e Eunice viviam, a avó e a mãe de Timóteo, modelou a fé do apóstolo bispo que era Timóteo. Paulo diz que Timóteo tem a mesma fé das duas. 

Sei que os tempos mudaram. Sei que muitos casamentos se fazem e de desfazem. Sei que muitos se recasam. Sei que muitos casados e muitas famílias não vivem mais da fé. Sei que não devemos ficar chorando sobre o leite derramado. 
Sei que precisamos acolher a todos e mesmo administrar o batismo a crianças cujas famílias não nos inspiram confiança de que venham cuidar da fé dos filhos… 
Sei de tudo isso e isso me faz sofrer. Penso sempre que o certo não é somente acolhermos as coisas como se apresentam, mas trabalhar para que surjam novas famílias, casais mais cristãos, pessoas diferentes que sejam fortemente cristãs mesmo nos tempos modernos, no tempo da pluralismo, do provisório e sobretudo no tempo do individualismo. 
Não podemos confiar totalmente a formação das crianças a uma catequese paroquial. Os pais é que educam a fé dos filhos
Quando leio esta epístola de Paulo fixo-me nesses nomes de Loide e Eunice. Vidas de fé que transmitem fé. 

Chamo atenção ainda para duas observações da carta de Paulo. O Apóstolo da nações pede que Timóteo reavive o dom de Deus que recebera pela imposição das mãos de Paulo. Estaria Timóteo desanimado? Teria ele esquecido das coisas do primeiro amor? 

E mais adiante há essa observação que nos leva a pensar: “Não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo evangelho, fortificado pelo poder de Deus”. Tudo indica que Timóteo andou fraquejando. Paulo pede que ele tenha força… que ele se lembre que age na “força” de Deus. 

Como é belo quando pais e avós marcam a vida de fé dos filhos… 
Bendito seja Deus pelos santos Timóteo e Tito, mas bendito também por Loide e Eunice.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Conversão de São Paulo


O martírio de São Paulo é celebrado junto com o de São Pedro, em 29 de junho, mas sua conversão tem tanta importância para a história da Igreja que merece uma data à parte. Neste dia, no ano 1554, deu-se também a fundação da que seria a maior cidade do Brasil, São Paulo, que ganhou seu nome em homenagem a tão importante acontecimento.

Saulo, seu nome original, nasceu no ano 10 na cidade de Tarso, na Cilícia, atual Turquia. À época era um polo de desenvolvimento financeiro e comercial, um populoso centro de cultura e diversões mundanas, pouco comum nas províncias romanas do Oriente. Seu pai Eliasar era fariseu e judeu descendente da tribo de Benjamim, e, também, um homem forte, instruído, tecelão, comerciante e legionário do imperador Augusto. Pelo mérito de seus serviços recebeu o título de Cidadão Romano, que por tradição era legado aos filhos. Sua mãe uma dona de casa muito ocupada com a formação e educação do filho.

Portanto, Saulo era um cidadão romano, fariseu de linhagem nobre, bem situado financeiramente, religioso, inteligente, estudioso e culto. Aos quinze anos foi para Jerusalém dar continuidade aos estudos de latim, grego e hebraico, na conhecida Escola de Gamaliel, onde recebia séria educação religiosa fundamentada na doutrina dos fariseus, pois seus pais o queriam um grande Rabi, no futuro.

Parece que era mesmo esse o anseio daquele jovem baixo, magro, de nariz aquilino, feições morenas de olhos negros, vivos e expressivos. Saulo já nessa idade se destacava pela oratória fluente e cativante marcada pela voz forte e agradável, ganhando as atenções dos colegas e não passando despercebido ao exigente professor Gamaliel.

Saulo era totalmente contrário ao cristianismo, combatia-o ferozmente, por isso tinha muitos adversários. Foi com ele que Estêvão travou acirrado debate no templo judeu, chamado Sinédrio. Ele tanto clamou contra Estevão que este acabou apedrejado e morto, iniciando-se então uma incansável perseguição aos cristãos, com Saulo à frente com total apoio dos sacerdotes do Sinédrio.

Um dia, às portas da cidade de Damasco, uma luz, descrita nas Sagradas Escrituras como “mais forte e mais brilhante que a luz do Sol”, desceu dos céus, assustando o cavalo e lançando ao chão Saulo , ao mesmo tempo em que ouviu a voz de Jesus pedindo para que parasse de persegui-Lo e aos seus e, ao contrário, se juntasse aos apóstolos que pregavam as revelações de Sua vinda à Terra. Os acompanhantes que também tudo ouviram, mas não viram quem falava, quando a luz desapareceu ajudaram Saulo a levantar pois não conseguia mais enxergar. Saulo foi levado pela mão até a cidade de Damasco, onde recebeu outra “visita” de Jesus que lhe disse que nessa cidade deveria ficar alguns dias, pois receberia uma revelação importante. A experiência o transformou profundamente e ele permaneceu em Damasco por três dias sem enxergar, e a seu pedido também sem comer e sem beber.

Depois Saulo teve uma visão com Ananias, um velho e respeitado cristão da cidade, na qual ele o curava. Enquanto no mesmo instante Ananias tinha a mesma visão em sua casa. Compreendendo sua missão, o velho cristão foi ao seu encontro colocando as mãos sobre sua cabeça fez Saulo voltar a enxergar, curando-o. A conversão se deu no mesmo instante, pois ele pediu para ser Batizado por Ananias. De Damasco saiu a pregar a palavra de Deus, já com o nome de Paulo, como lhe ordenara Jesus, tornando-se Seu grande apóstolo.

Sua conversão chamou a atenção de vários círculos de cidadãos importantes e Paulo passou a viajar pelo mundo, evangelizando e realizando centenas de conversões. Perseguido incansavelmente foi preso várias vezes e sofreu muito, sendo martirizado no ano 67, em Roma. Suas relíquias se encontram na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, na Itália, festejada no dia de sua consagração em 18 de novembro.

O Senhor fez de Paulo seu grande apóstolo, o apóstolo dos gentios, isto é, o evangelizador dos pagãos. Ele escreveu 14 cartas, expondo a mensagem de Jesus, que se transformaram numa verdadeira “Teologia do Novo Testamento”. Também é o patrono das Congregações Paulinas que continuam a sua obra de apóstolo, levando a mensagem do Cristianismo a todas as partes do mundo, através dos meios de comunicação.


SÃO PAULO- DIA 25 DE JANEIRO

                                                                            


No início do cristianismo, nenhum homem se entregou tão generosamente ao seguimento de Jesus, como Paulo de Tarso (3 - 60). Na sua pequena cidade natal vivia-se o mundo todo, pois lá circulavam livremente as três grandes culturas da época: a hebraica, a grega e a romana.
Podemos dividir a vida de São Paulo em duas partes. Nos 30 primeiros anos, de Tarso até Damasco, aparece mais o 'perseguidor'; nos outros 30 anos, de Damasco até Roma, onde ele morrerá decapitado, temos o 'seguidor' de Jesus, o discípulo missionário..
No início desse processo, Saulo combateu sem tréguas os seguidores do Nazareno, pois via neles os inimigos da religião revelada. Depois, seguirá Jesus com um ardor apaixonado. Paulo não conhece meio termo: de inimigo feroz se fez amigo e, como todo convertido, detesta a mediocridade.
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Como aconteceu esta mudança?
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Corria o ano 36 da nossa era. O fanático Saulo se dirige para Damasco querendo acabar com estes judeus desvairados, discípulos de Jesus. Ele já tinha feito isso na Judeia, quando participou do apedrejamento de santo Estêvão em Jerusalém.
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As comunidades cristãs o temiam, pois ele era cruel, frio e desumano.
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Pois bem, quando estava às portas de Damasco foi derrubado misteriosamente pelo amor do Ressuscitado, acontecendo coisas profundíssimas na sua mente e no seu coração, como destaca a famosa pintura de Caravaggio (1600) revestindo Saulo com o sangue de Cristo (vermelho/púrpura!). Veja como foi:
- Por que me persegues?... Pergunta direta. É o grito do pobre e do oprimido que confronta o seu opressor.
- Quem és tu, Senhor? Resmungou Saulo, abalado por aquela primeira pergunta.
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Diálogo angustiado e arredio. Desde a morte brutal do diácono Estêvão, sua alma se transformara num verdadeiro campo de batalha... Eis agora Saulo pelo chão, caído, cegado, repassando sua vida... Seus olhos jamais enxergaram tanto e em tão pouco tempo. Jesus Ressuscitado veio ao seu encontro!
- Eu sou Jesus, a quem tu persegues! O coração de Saulo bateu fortemente. Desmoronava um estilo prepotente de vida e começava a nascer o melhor discípulo. Paulo será o triunfo da razão e da fé sobre o fanatismo da lei.
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Você já percebeu como nos momentos mais importantes da vida, quando precisamos tomar decisões importantes, mil pensamentos perpassam pela nossa cabeça? Quase um terremoto! Só depois, com o passar do tempo, a paz se instala no próprio coração. Paulo experimentou o amor misericordioso de Jesus salvando-o. Então, veio a pergunta existencial e fundamental:
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- Senhor, que queres que eu faça?...
Se ele fizera tanto contra Cristo quanto não fará mais por ele?
Desde então, Paulo percorrerá países falando de Jesus e fortalecendo as incipientes comunidades cristãs. Um dia, o prenderam e o denunciaram... Que ironia, de perseguidor passou a ser perseguido e condenado à morte. Eis o que este homem tinha em Roma: Uma velha capa, para defender-se do frio, e uns pergaminhos... De quem nada mais esperava do mundo tudo pode o mundo esperar! .
A espada do carrasco cortou, por fim, sua cabeça. Era o ano 60 da era cristã: Pelejei o bom combate, terminei a minha carreira... Guardei a fé!
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Precisamos de mais discípulos de Jesus, como Paulo..
Uma pergunta: O que você fez, faz e pode fazer por Jesus?

Pe. J. Ramón F. de la Cigoña sj

domingo, 10 de janeiro de 2021

BASÍLICA DE SÃO FRANCISCO 1a PARTE



Uma viagem à cidade de São Francisco, no coração da Umbria, para nutrir-nos da sua profunda espiritualidade.
Nesta 1ª parte, o Ir. Anderson Pitz apresenta a Basílica Maior de São Francisco.

Anderson Pitz LC





quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Oração diante do Presépio



Menino das palhas, Menino Jesus,
Menino de Maria, aqui estou diante de ti.
Tu vieste de mansinho, na calada da noite,
no silêncio das coisas que não fazem ruído.
Tu é o Menino amável e santíssimo,
deitado nas palhas porque não havia lugar
para ti nas casas dos homens
tão ocupados e tão cheios de si.
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Dá a meus lábios a doçura do mel
e à minha voz o brilho do cantar da cotovia,
para dizer que vieste encher de sentido
os dias de minha vida.
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Não estou mais só: tu és o nosso companheiro
de minha vida. Tu choras as minhas lágrimas
e tu te alegras com minhas alegrias
porque tu és meu irmão.
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Tu vieste te instalar feito um posseiro
dentro de mim e não quero que teu lugar
seja ocupado pelo egoísmo que me mata
e me aniquila, pelo orgulho que sobe à cabeça,
pelo desespero.
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Sei, Menino de Maria, que a partir de agora,
não há mais razão para desesperar
porque Deus grande, belo,
Deus magnífico e altíssimo
se tornou meu irmão.
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Santa Maria, Mãe do Senhor e Palácio de Deus,
tu estás perto do Menino que envolves
em paninhos quentes.
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José, bom José, carpinteiro de mãos duras,
e guarda de meu Menino das Palhas,
protege esse Deus que se tornou
mendigo de nosso amor.
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Menino Jesus,
Hoje é festa de claridade e dia de luz.
Tu nasceste para os homens na terra de Belém

TvFranciscanos

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

SÃO FRANCISCO E O PRESÉPIO-" NATAL DE SÃO FRANCISCO"

    Foto ano 2019 Rivaldo R. Ribeiro- Paróquia São José- José Bonifácio-SP


As biografias de S. Francisco de Assis narram-nos como foi preparado o presépio em Gréccio na noite de Natal!

"PRESÉPIO": Rivaldo R.Ribeiro

Foi na cidade italiana de Gréccio, na noite de Natal de Jesus no ano 1223 que São Francisco criou o primeiro presépio, com uma representação cênica do nascimento de Jesus numa manjedoura de palhas, acompanhado pelos animais. Era um lugar simples mais enriquecido com muita ternura e amor. Depois São Francisco chamou os moradores próximos para que estivessem no local, para que assim relembrassem a noite do nascimento em Belém do Menino-Deus.
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O nascimento de Jesus num estábulo junto com os animais, Deus nos quis dar um recado claro e sem duvidas sobre a humildade e a beleza da pobreza quando é uma alternativa de vida. Abandonando o materialismo que nos subverte da condição humana em seres predadores da natureza e da vida.  
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O presépio nos mostra a luz e a beleza na representação do nascimento do Nosso Senhor Jesus Cristo. Com isso São Francisco iluminou e reacendeu a fé que estava adormecida entre o povo naquela época, um costume que perpetuou na Igreja até os nossos dias.
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O Natal do Nosso Senhor aconteceu numa conjunção entre a vida, representada pelos animais: boi, burro e o universo representado pela estrela guia. Foi um momento extraordinário da revelação do Verbo que se fez carne, Cristo tornou-se condição de homem para estar entre os homens. E como filho de Deus nos ensinou a verdade sobre a essência humana nos diferenciando dos animais em muitos aspectos: centralizado na consciência o nosso comportamento como seres racionais. 
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Na ternura do presépio notamos a força divina daquele momento do nascimento do Senhor, São Francisco levou isso ao povo para estimular o renascimento no coração de muitos que o já havia esquecido. Uma encenação que se perpetuou até os dias de hoje e corre pelo mundo ainda com o mesmo objetivo: relembrar o singelo momento do nascimento do Salvador...




Confira o texto histórico que narra como São Francisco preparou o Natal


"Sua maior intenção, seu desejo principal e plano supremo era observar o Evangelho em tudo e por tudo, imitando com perfeição, atenção, esforço, dedicação e fervor os "passos de Nosso Senhor Jesus Cristo no seguimento de sua doutrina". 

Estava sempre meditando em suas palavras e recordava seus atos com muita inteligência. Gostava tanto de lembrar a humildade de sua encarnação e o amor de sua paixão, que nem queria pensar em outras coisas.
 Precisamos recordar com todo respeito e admiração o que fez no dia de Natal, no povoado de Greccio, três anos antes de sua gloriosa morte. Havia nesse lugar um homem chamado João, de boa fama e vida ainda melhor, a quem São Francisco tinha especial amizade porque, sendo muito nobre e honrado em sua terra, desprezava a nobreza humana para seguir a nobreza de espírito. Uns quinze dias antes do Natal, São Francisco mandou chamá-lo, como costumava, e disse: "Se você quiser que nós celebremos o Natal de Greccio, é bom começar a preparar diligentemente e desde já o que vou dizer. Quero lembrar o menino que nasceu em Belém, os apertos que passou, como foi posto num presépio, e ver com os próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi e o burro".Ouvindo isso, o homem bom e fiel correu imediatamente e preparou o que o santo tinha dito, no lugar indicado.
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Aproximou-se o dia da alegria e chegou o tempo da exultação. De muitos lugares foram chamados os irmãos: homens e mulheres do lugar, de acordo com suas posses, prepararam cheios de alegria tochas e archotes para iluminar a noite que tinha iluminado todos os dias e anos com sua brilhante estrela. Por fim, chegou o santo e, vendo tudo preparado, ficou satisfeito. Fizeram um presépio, trouxeram palha, um boi e um burro. Greccio tornou-se uma nova Belém, honrando a simplicidade, louvando a pobreza e recomendando a humildade.
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A noite ficou iluminada como o dia e estava deliciosa para os homens e para os animais. O povo foi chegando e se alegrou com o mistério renovado em sua alegria toda nova. 
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O bosque ressoava com as vozes que ecoavam nos morros.
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Os frades cantavam, dando os devidos louvores ao Senhor e a noite inteira se rejubilava. O santo parou diante do presépio e suspirou, cheio de piedade e de alegria. A missa foi celebrada ali mesmo no presépio, e o sacerdote que a celebrou sentiu uma piedade que jamais experimentara até então. O santo vestiu dalmática, porque era diácono, e cantou com voz sonora o santo Evangelho. De fato, era "uma voz forte, doce, clara e sonora", convidando a todos às alegrias eternas. Depois pregou ao povo presente, dizendo coisas maravilhosas sobre o nascimento do Rei pobre e sobre a pequena cidade de Belém. Muitas vezes,-quando queria chamar o Cristo* de Jesus, chamava-o também com muito amor de "menino de Belém", e pronunciava a palavra "Belém" como o balido de uma ovelha, enchendo a boca com a voz e mais ainda com a doce afeição. Também estalava a língua quando falava "menino de Belém" ou "Jesus", saboreando a doçura dessas palavras.
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 Multiplicaram-se nesse lugar os favores do Todo-Poderoso, e um homem de virtude teve uma visão admirável. Pareceu-lhe ver deitado no presépio um bebê dormindo, que acordou quando o santo chegou perto. E essa visão veio muito a propósito, porque o menino Jesus estava de fato dormindo no esquecimento de muitos corações, nos quais, por sua graça e por intermédio de São Francisco, ele ressuscitou e deixou a marca de sua lembrança. Quando terminou a vigília solene, todos voltaram contentes para casa.
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Guardaram a palha usada no presépio para que o Senhor curasse os animais, da mesma maneira que tinha multiplicado sua santa misericórdia. De fato, muitos animais que padeciam das mais diversas doenças naquela região comeram daquela palha e tiveram um resultado feliz. Da mesma sorte, homens e mulheres conseguiram a cura das mais variadas doenças.
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O lugar do presépio foi consagrado a um templo do Senhor e no próprio lugar da manjedoura construíram um altar em honra de nosso pai Francisco e dedicaram uma igreja, para que, onde os animais já tinham comido o feno, passassem os homens a se alimentar, para salvação do corpo e da alma, com a carne do cordeiro imaculado e não contaminado, Jesus Cristo Nosso Senhor, que se ofereceu por nós com todo o seu inefável amor e vive com o Pai e o Espírito Santo eternamente glorioso por todos os séculos dos séculos. Amém. Aleluia, Aleluia.

Tomás de Celano - Primeiro Livro (Fontes Franciscanas).

sábado, 24 de outubro de 2020

São João de Capistrano


João nasceu no dia 24 de junho de 1386, na cidade de Capistrano, próximo a Áquila, no então reino de Nápoles, atual Itália. Era filho de um conde alemão e uma jovem italiana. Tornou-se um cidadão de grande influência em Perugia, cidade onde estudou Direito Civil e Canônico, formando-se com honra ao mérito. 
Lá se casou com a filha de outro importante membro da comunidade e foi governador da cidade, quando iniciava a revolta contra a dominação do rei de Nápoles. Como João de Capistrano era muito respeitado e julgava ter amigos entre adversários, aceitou a tarefa de tentar um diálogo com o rei. 
Mas estava enganado, pois, além de não acreditarem nas suas propostas de paz eles o prenderam. 
Ao mesmo tempo, recebeu a notícia da morte de sua esposa. João tinha trinta e nove anos de idade.

Nessa ocasião tomou a decisão mais importante de sua vida. Abriu mão de todos os cargos, vendeu todos os bens e propriedades, pagou o resgate de sua liberdade e pediu ingresso num convento franciscano. Mas também ali encontrou a desconfiança do seu propósito. O superior, antes de permitir que ele vestisse o hábito, o submeteu a muitas humilhações, para provar sua determinação. Aprovado, apenas um ano depois era considerado um dos mais respeitados religiosos do convento. Aliás, Ordem que ele próprio colaborou para reformar.

Desde então sua vida foi somente dedicada ao espírito. Durante trinta anos fez rigoroso jejum, duras penitências e se dedicou às orações. Trabalhou com energia, evangelizando na Itália, França, Alemanha, Áustria, Hungria, Polônia e Rússia. Tornou-se grande pregador e os registros mostram, que, após sua pregação, muitos jovens decidiam entrar na Ordem de São Francisco de Assis. 
Foi conselheiro de quatro papas. Idoso, defendeu a Itália numa guerra que ajudou a vencer. A famosa batalha de Belgrado, contra os invasores turcos muçulmanos.

João de Capistrano contava setenta anos de idade, quando um enorme exército ameaçava tomar toda a Europa, pois já dominava mais de duzentas cidades. 
O papa Calisto III o designou como pregador de uma cruzada, que defenderia o continente. Com ele à frente, os cristãos tiveram de combater um exército dez vezes maior. 
A guerra já estava quase perdida e os soldados estavam a ponto de desfalecer, quando surgiu João animando a todos, percorrendo as fileiras e mantendo-os estimulados na fé em Cristo. 
Agiu assim durante onze dias e onze noites sem cessar. Espantados com a atitude de João, os guerreiros muçulmanos apavoraram-se, o exército se desorganizou e os soldados cristãos dominaram o campo de batalha até a vitória final.

Vitória que, embora preferisse manter o anonimato, foi atribuída a João de Capistrano. Depois disso, retirou-se para o Convento de Villach, na Áustria, onde morreu aos 71 anos de idade, a 23 de outubro de 1456. Foi beatificado pelo Papa Leão X e solenemente canonizado pelo Papa Alexandre VIII no ano de 1690. 

João de Capistrano é o padroeiro dos juízes.


segunda-feira, 5 de outubro de 2020

05/10 -SÃO BENEDITO



SÃO BENEDITO, O NEGRO, RELIGIOSO, DA ORDEM I
Benedito, cognominado o mouro – ou o “Negro”, como é conhecido no Brasil – nasceu na Sicília. De pais escravos, vindos da Etiópia para San Fratello, na Sicília, vendeu seus bens e fez-se eremita franciscano nas vizinhanças de Palermo.
Mais tarde, atendendo a um decreto de Pio IV, obrigando a todos os seguissem a Regra de São Francisco a viverem em conventos de sua Ordem, Benedito obedeceu.
No convento, dedicou-se a trabalhos humildes. Chegou a exercer o oficio de Superior, mesmo não sendo sacerdote e, mais tarde, vemo-lo novamente trabalhando na cozinha.
Morreu no ano de 1589. Seu culto cedo se espalhou pela Itália, Espanha, Portugal, Brasil e México. Pio VIII inscreveu-o solenemente no rol dos santos.

São Benedito, filho de escravos, que encontrastes a verdadeira liberdade servindo a Deus e aos irmãos, independente de raça e de cor, livrai-me de toda a escravidão, venha ela dos homens ou dos vícios, e ajudai-me a desalojar de meu coração toda a segregação e a reconhecer todos os homens por meus irmãos. São Benedito, amigo de Deus e dos homens, concedei-me a graça que vos peço do coração. 

Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.
São Benedito rogai por nós !

domingo, 4 de outubro de 2020

TAU NA VOCAÇÃO FRANCISCANA



O TAU tem a forma da letra grega TAU (T) que é uma cruz. As duas maiores influências diretas em Francisco, em relação ao TAU, foram os antonianos e o Quarto Concílio Laterano.
No princípio de sua conversão, Francisco encontrou os antonianos e seu símbolo do TAU. Mas a influência mais forte que fez do TAU um símbolo tão querido para Francisco e pela qual ele se tornou sua assinatura, foi a CONCILIO DE LATRÃO
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Os historiadores geralmente admitem que Francisco estava presente nesse Concílio, no qual o Papa Inocêncio III fez o discurso de abertura, incorporando em sua homilia a passagem de Ezequiel (9,4) que diz que os eleitos, os escolhidos serão marcados com o sinal do TAU: "Percorre a cidade, o centro de Jerusalém, e marca com uma cruz na fronte os que gemem e suspiram devido a tantas abominações que na cidade se cometem e acrescenta:
" O TAU é a última letra do alfabeto hebraico e a sua forma representa a cruz, exatamente tal e qual foi a cruz antes de ser nela fixada a placa com inscrição de Pilatos.
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O TAU é o sinal que o homem porta na fronte quando - como diz o apóstolo - crucifica o corpo com os seus pecados quando diz: "Não quero gloriar-me a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo" (...)
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Sejam portanto mestres desta cruz! Sejam os campeões do TAU! . Concílio de Latrão. . São Francisco de Assis tomou o TAU e seu significado dos antonianos. Eles eram uma comunidade religiosa masculina, fundada em 1095, cuja única função era cuidar dos leprosos. Em seus hábitos era pintada uma grande cruz. Francisco tinha relações muito familiares com eles, porque trabalhavam no leprosário de Assis, no Hospital de São Brás, em Roma, onde Francisco esteve hospedado. .
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Quando Inocêncio III terminou sua homilia com "SEJAM OS CAMPEÕES DO TAU!" Francisco tomou estas palavras como dirigidas a ele e fez do TAU seu próprio símbolo, o símbolo de sua Ordem, de sua assinatura; mandou pintá-lo em toda parte e teve grande devoção a ele até o fim de sua vida. Simples e basicamente, o TAU representa a CRUZ.
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Os Concílios da Igreja foram convocados para reformar a Igreja, cabeça e membros. Assim o grande tema da Reforma: pessoal, interior, conversão constante e mudança de vida. Aqueles que deviam comprometer-se com a conversão contínua, uma vida de constante penitência, deviam ser marcados com o TAU. .
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O TAU para Francisco é um sinal da certeza de salvação; é o sinal de universalidade da salvação e é o símbolo da conversão contínua. .
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Se você permite ser marcado com o TAU ou usa o TAU, você está dizendo que se comprometeu com a conversão contínua, isto é, com o tema da Espiritualidade Franciscana. Não que você esteja convertido de uma só vez, mas dia-a-dia, mês após mês, ano após ano, você conserva seu olhar fixo no Senhor como sua única meta, e caminha em direção a ele com a mente indivisa (Carta S. Mary Margaret, out. 1989). .
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Retirado do livro "Orando com a Bíblia e São Francisco de Assis", a. Jussara Lima Dias, da Comunidade Católica Shalom. Ed. Shalom. .


O significado do TAU Franciscano.



Programa Paz e Bem
Matéria que explica o significado do tau, símbolo católico.


Carta a todos os Fiéis


Escrito por São Francisco de Assis.

Primeira redação
Estas são as palavras da vida e da salvação: quem as ler e praticar, tem a vida e a salvação do Senhor

I. Os que fazem Penitência
Em nome do Senhor!

A todos os que amam o Senhor com todo o coração, com toda a alma, com todo o entendimento, com todas as suas forças (Mt 12, 30), e amam o seu próximo como a si mesmos (Mt 22, 39); e aborrecem seus próprios corpos com seus vícios e pecados; e recebem o Corpo e o Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo; e fazem dignos frutos de penitência; Oh! quão felizes e benditos são os homens e mulheres que praticam estas coisas e perseveram nelas! porque repousará sobre eles o espírito do Senhor (Is 11, 2) e neles estabelecerá a sua morada e mansão (Jo 14, 23);  e são filhos do Pai celeste (Mt 5, 45), cujas obras fazem; e são esposos, irmãos e mães de nosso Senhor Jesus Cristo (Mt 12, 50).
Somos esposos, quando pelo Espírito Santo a alma se une a nosso Senhor Jesus Cristo. Somos seus irmãos, quando cumprimos a vontade de seu Pai que está nos céus (Mt 12, 50); somos suas mães, quando o levamos no coração e no corpo (1Cor 6, 20) pelo divino amor e pela pura e sincera consciência, e quando o damos à luz pelas santas obras, que devem brilhar aos olhos de todos para seu exemplo (Mt 5, 16).

Oh! como é glorioso ter no céu um Pai santo e grande! Oh! como é santo ter um tal esposo, consolador, belo e admirável! Oh! como é santo e amável ter um tal irmão e um tal filho, agradável, humilde, pacífico, doce, amável e mais que tudo desejável, Nosso Senhor Jesus Cristo, que deu a vida pelas suas ovelhas (Jo 10,15) e orou ao Pai, dizendo:
Pai santo, guarda em teu nome (Jo 17, 11) aqueles que me deste no mundo; eram teus e tu mos deste (Jo 17, 6). As palavras que me deste a eles as dei, e eles receberam-nas e reconheceram que, na verdade, eu vim de ti e reconheceram que tu me enviaste (Jo 17, 8). Rogo por eles, não rogo pelo mundo (Jo 17, 9). Abençoa-os e santifica-os (Jo 17, 17); também eu me santifico a mim mesmo por eles (Jo 17, 19). Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que, pela sua palavra, hão-de crer em mim (Jo 17, 20), para que sejam perfeitos na unidade (Jo 17, 23), assim como nós o somos (Jo 17, 11). E quero, Pai, que, onde eu estiver estejam eles também comigo, para que vejam a minha glória (Jo 17, 24) no teu reino (Mt 20, 21). Amen.

II. Os que não fazem Penitência

Porém todos aqueles que não vivem em penitência; e não recebem o Corpo e o Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo; e sustentam vícios e pecados; e correm atrás das más concupiscências e maus desejos da sua carne e não guardam o que prometeram ao Senhor; e com o seu corpo são escravos do mundo pelos desejos carnais, pelas solicitudes deste século e pelas preocupações desta vida; seduzidos pelo diabo, de quem são filhos e cujas obras praticam (Jo 8, 41), todos esses são cegos, porque não vêem a luz verdadeira, que é nosso Senhor Jesus Cristo.

Não possuem a sabedoria do espírito, porque não têm em si o Filho de Deus, que é a verdadeira sabedoria do Pai. Destes foi dito: A sua sabedoria desvaneceu-se (Sl 106, 27); e: Malditos aqueles que se afastam dos teus mandamentos (Sl 118, 21). Vêem e conhecem, sabem e fazem o mal, e deliberadamente perdem as suas almas.

Olhai, ó cegos, que andais enganados pelos vossos inimigos, a carne, o mundo e o diabo, porque ao corpo agrada cometer o pecado e repugna servir a Deus; pois que todos os vícios e pecados brotam e procedem do coração do homem, como diz o Senhor no Evangelho (Mc 7, 21).

E nada tendes neste século nem no vindouro.

Pensais possuir por muito tempo as vaidades deste mundo, mas estais enganados, porque virão o dia e a hora que não suspeitais, que desconheceis e ignorais. E então o corpo debilita-se, aproxima-se a morte, e assim se morre de morte amarga.

E onde, quando e como quer que o homem morra em pecado mortal sem penitência e sem satisfação, e, podendo satisfazer o não faz, o diabo arrebata-lhe a alma do corpo com tão grande angústia e tribulação, que ninguém pode conhecê-las, a não ser quem as experimenta.

E todos os talentos e poder, ciência e sabedoria, que julgavam ter, lhes serão tirados (Lc 8, 18; Mc 4, 25).

E deixam os bens aos parentes e amigos, que os levam e dividem e depois dizem: Maldita seja a sua alma, porque mais nos pudera ter deixado e ter ganhado mais do que ganhou.

O corpo torna-se pasto dos vermes e, assim, perdem corpo e alma nesta vida que é breve, e cairão no inferno, onde eternamente serão atormentados.

III. Última recomendação
A todos aqueles a quem chegar esta carta, rogamos, pela caridade que é Deus (1Jo 4, 16), que benignamente acolham as sobreditas odoríferas palavras de nosso Senhor Jesus Cristo. E aqueles que não sabem ler, peçam a outros que lhas leiam com frequência; e tenham-nas sempre presentes até ao fim mediante a prática de obras santas, porque são espírito e vida (Jo 6, 64).

E os que assim não fizerem terão de prestar contas, no dia do juízo (Mt 12, 36), perante o tribunal de nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 14, 10).

Carta a todos os Fiéis
Escrito por São Francisco de Assis.
SEGUNDA REDAÇÃO
Em nome do Senhor, Pai e Filho e Espírito Santo. Amem.

A todos os cristãos, religiosos, clérigos e leigos, homens e mulheres, a todos os que habitam pelo mundo além, o irmão Francisco, seu servo e súbdito, envia reverentes saudações, paz verdadeira do céu e caridade sincera no Senhor.
Como servo de todos, a todos tenho obrigação de servir e ministrar as palavras do meu Senhor, cheias de suave perfume. E considerando comigo que, devido às enfermidades e fraqueza do meu corpo, me é impossível visitar pessoalmente a cada um de vós, resolvi comunicar-vos, por meio desta carta e de mensageiros, as palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, que é o Verbo do Pai, e as palavras do Espírito Santo, que são espírito e vida (Jo 6, 64).

1. A Palavra do Pai
O Pai altíssimo, pelo seu arcanjo S. Gabriel, anunciou à santa e gloriosa Virgem Maria (Lc 1, 31), que esse Verbo do mesmo Pai, tão digno, tão santo e glorioso, ia descer do céu, a tomar a carne verdadeira da nossa humana fragilidade em suas entranhas. E sendo Ele mais rico do que tudo (2 Cor 8, 9), quis, no entanto, com sua Mãe bem-aventurada, escolher vida de pobreza.
E ao aproximar-se a sua Paixão, celebrou a Páscoa com seus discípulos, e tomando o pão, deu graças e o abençoou e partiu, dizendo: Tomai e comei, isto é o meu corpo (Mt 26, 26). E tomando o cálice, disse: Este é o meu sangue da nova Aliança, que por vós e por muitos vai ser derramado, para remissão dos pecados (Mt 26, 26-28). E depois orou ao Pai, dizendo: Pai, se é possível, passe de mim este cálice (Mt 26, 39). E sobreveio-lhe um suor como de gotas de sangue, que escorria até ao chão (Lc 22, 44). Pôs, todavia, a sua vontade na vontade do Pai, dizendo: Pai, faça-se a tua vontade, não como eu quero, mas como tu queres (Mt 26, 39).

Ora, a vontade do Pai foi esta: Que seu Filho, bendito e glorioso, que ele nos havia dado e que por nós nascera, se oferecesse, por seu próprio sangue, como sacrifício e hóstia, no altar da cruz; não por si mesmo, por quem todas as coisas foram feitas (Jo 1, 3), mas pelos nossos pecados, deixando-nos seu exemplo, para seguirmos seus passos (1Ped, 2-21). E quer que todos sejamos salvos por ele, e que o recebamos com um coração puro e num corpo casto. Todavia, poucos são os que o querem receber e ser salvos por ele, não obstante o seu jugo ser suave e o seu peso leve (Mt 11, 30).

2. Malditos os que recusam os mandamentos; benditos os que os cumprem.
Os que se recusam provar como o Senhor é suave (Sl 33, 9) e mais amam as trevas do que a luz (Jo 3, 19), negando-se a cumprir os mandamentos de Deus, têm a sua maldição. Deles foi dito pelo Profeta: Malditos os que se apartam dos teus mandamentos (Sl 118, 21). Pelo contrário, que felizes e benditos são os que amam o Senhor, e praticam o que o mesmo Senhor diz no Evangelho: Amarás ao Senhor teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma, e ao teu próximo como a ti mesmo (Mt 22, 37 e 39).

3. Amemos e adoremos a Deus
Sim, amemos a Deus e adoremo-lo com um coração puro e alma simples, porque é isso o que ele mais que tudo deseja quando afirma: Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade (Jo 4, 23). Porque todos os que o adoram, devem adorá-lo em espírito e verdade (Jo 4, 24). Dia e noite lhe dirijamos louvores e preces, dizendo: Pai nosso, que estais nos céus, porque importa orar sempre e sem cessar (Lc 18,1).

4. Da confissão e comunhão
Devemos, além disso, confessar ao sacerdote todos os nossos pecados, e receber de suas mãos o Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quem não come a sua carne e não bebe o seu sangue, não pode entrar no reino de Deus (Jo 3, 5). Mas coma e beba dignamente, porque quem indignamente o recebe, come e bebe a sua própria condenação, não discernindo o Corpo do Senhor (1Cor 11, 29), isto é, não o distinguindo dos outros alimentos. E façamos dignos frutos de penitência (Lc 3, 8). E amemos ao nosso próximo como a nós mesmos (Mt Z2, 39). E quem não quiser ou puder amá-lo como a si mesmo, ao menos não lhe faça mal, mas, sim, lhe faça bem.

5. Da misericórdia dos poderosos e do valor da esmola
Os que receberam o poder de julgar os outros, julguem-nos com misericórdia, como querem que o Senhor os julgue a eles. Porque sem misericórdia será julgado aquele que não usou de misericórdia (Tg 2, 13). Sejamos, pois, caridosos e humildes, e demos esmola, porque a esmola lava as almas das imundícies do pecado (Tb 31 31 4, 11). Os homens, de verdade, perdem tudo o que neste mundo deixam, mas levam consigo o preço da sua caridade e as esmolas que houverem feito, e delas receberão do Senhor recompensa e digna remuneração.

6. Do jejum corporal e da penitência (4)
Devemos também jejuar e abster-nos de vícios e pecados (Ecl 3, 32) e de excessos na comida e na bebida. Devemos ser católicos; frequentar as igrejas e reverenciar os sacerdotes, não tanto por si, se são pecadores, mas pelo ofício que têm de administrar o santíssimo Corpo e Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, que eles sacrificam no altar, e recebem e distribuem aos demais.
E firmemente nos compenetremos disto: Que ninguém se pode salvar, senão pelo Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo e pelas santas palavras do Senhor, que os sacerdotes proclamam, pregam e administram, e só a eles pertence administrar e não aos outros.
E de um modo especial os religiosos que renunciaram ao mundo, lembrem-se que estão obrigados a fazer mais e melhores coisas, sem no entanto omitir as demais (Lc 11, 42).

7. Da negação de si mesmo, do amor aos inimigos e da obediência
Devemos aborrecer o nosso corpo com seus vícios e pecados, pois o Senhor diz no Evangelho que todos os vícios e pecados procedem do coração (Mt 15, 38 18-19; Mc 7, 23).
Devemos amar aos nossos inimigos, e fazer bem àqueles que nos odeiam (Mt 5, 44; Lc 6, 27).

Devemos observar os preceitos e conselhos de nosso Senhor Jesus Cristo.

Devemos, além disso, renunciar a nós mesmos e submeter o nosso corpo ao jugo da servidão e da santa obediência, conforme prometemos ao Senhor. Mas ninguém está obrigado por obediência a obedecer àquele que lhe manda o que é pecado ou delito.

8. Da autoridade como serviço
Porém, aquele que tem ofício para ser obedecido, e que é tido por maior em dignidade, seja como menor (Lc 22, 26) e servo dos demais irmãos e use com eles de misericórdia, como quereria que com ele usassem, se estivesse no lugar deles. Nem, pelo pecado de um irmão, contra ele se irrite, mas, com toda a paciência e humildade, bondosamente o admoeste e encoraje.

9. De como cada um se deve julgar
Não devemos ser sábios e prudentes segundo a carne (1Cor 1, 26), mas procuremos, sim, ser simples, humildes e puros. E façamos de nossos corpos objecto de opróbrio e desprezo, porque todos, por nossos pecados, somos desgraçados e pútridos, fétidos e vermes, como diz o Senhor pelo Profeta: Eu sou um verme e não um homem, o opróbrio dos homens e o rebotalho da plebe (Sl 21, 7). Nunca devemos desejar estar acima dos outros, mas antes devemos ser servos e sujeitos a toda a humana criatura por amor de Deus (Pe 2, 13).

10. Da felicidade dos filhos de Deus
E todos os que assim procederem, e perseverarem até ao fim, sobre eles repoisará o espírito do Senhor (Is 11, 2) e neles fará morada e mansão (Jo 14, 23). E serão filhos do Pai celeste (Mt 5, 45), cujas obras fazem. E são esposos, irmãos e mães de nosso Senhor Jesus Cristo.
Somos esposos, quando pelo Espírito Santo a alma se une a Jesus Cristo.
Somos seus irmãos, quando fazemos a vontade do seu Pai que está nos céus (Mt 12, 50).
Somos suas mães, quando o levamos no nosso coração e no nosso corpo, pelo amor e pela pura e sincera consciência, e o damos à luz pelas santas obras que devem brilhar aos olhos dos outros para seu exemplo (Mt 5, 6).
Oh! como é glorioso ter no céu um Pai santo e grande!
Oh! como é santo ter um esposo consolador formoso e admirável!
Oh! como é santo e agradável ter um tal irmão e filho, aprazível, humilde, pacífico, doce e mais que tudo desejável, que deu a vida pelas suas ovelhas (Jo 10, 15), e por nós pediu ao Pai, dizendo: Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste (Jo 17, 11). Pai todos os que me deste no mundo, eram teus, e tu mos deste (Jo 17, 6). E as palavras que tu me deste, a eles as dei; e eles as receberam e ficaram sabendo que, de verdade, eu vim de ti, e creram que tu me enviaste (Jo 17, 8). Rogo por eles, não pelo mundo (Jo 17, 9); abençoa-os e santifica-os (Jo 17, 17). Também eu por eles me santifico, para que sejam santificados (Jo 17, 19) na unidade, como nós o somos (Jo 17, 11). E, Pai, eu quero que onde eu estou, ali estejam eles comigo, para que vejam a minha glória (Jo 17, 24) no teu reino (Mt 20, 21).
E, pois, tanto sofreu por nós e tantos bens nos deu e de futuro nos dará, que toda a criatura no céu e na terra e no mar e nos abismos, renda a Deus louvor, glória e honra e bênção (Ap 5, 13); porque é ele a nossa virtude e fortaleza, ele que só é o bom (Lc 18, 19), ele só o altíssimo, ele só o omnipotente e admirável e glorioso, ele só o santo, louvável e bendito por séculos dos séculos sem fim. Amen.

11. Dos que não fazem Penitência
Mas todos aqueles que não vivem em penitência, e não recebem o Corpo e Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, antes, sim, vivem em vícios e pecados; e que correm atrás das más concupiscências e maus desejos e não cumprem o que prometeram; e com seu corpo são escravos do mundo e dos desejos carnais e dos cuidados e solicitudes deste século e das preocupações desta vida, enganados pelo demónio, de quem são filhos e cujas obras fazem (Jo 8, 41), esses todos são cegos, porque não vêem a luz verdadeira que é nosso Senhor Jesus Cristo. Não têm sabedoria espiritual, porque não têm em si o Filho de Deus, que é a verdadeira sabedoria do Pai. Deles foi dito: A sua sabedoria foi devorada (Sl 106, 27). Vêem, conhecem, sabem, e todavia fazem o mal e deliberadamente perdem as suas almas.
Olhai, ó cegos enganados pelos vossos inimigos que são a carne, o mundo e o demónio, que, se é doce praticar o pecado e amargo servir a Deus, é porque do coração dos homem brotam e procedem (Mc 7, 21. 23) todos os vícios e pecados, conforme se diz no Evangelho. E nenhum bem possuís neste mundo nem no outro. Julgais que haveis de possuir por muito tempo as vaidades deste mundo, e estais enganados, porque virá o dia e a hora em que não pensais, e que desconheceis e ignorais.

12. Dos doentes que não fazem penitência
E então o corpo vos cairá doente, a morte avança, vêm os parentes e amigos e dizem:
- Faz as tuas últimas disposições.

E a esposa e os filhos, e os parentes e amigos, fingem que choram. Ele olha e, vendo-os a chorar, levado de um mau impulso, pensando dentro de si, diz:
- Eis que deixo em vossas mãos a minha alma, o meu corpo e tudo quanto possuo.

É na verdade maldito esse homem que confia e põe em tais mãos a sua alma e o seu corpo e os seus bens, pois dele diz o Senhor pelo profeta: Maldito o homem que confia noutro homem (Jr 17, 5).
Mandam então vir o sacerdote e este pergunta-lhe:
- Queres receber a penitência de todos os teus pecados?
E ele responde:
- Quero, sim.
- Queres satisfazer pelas faltas cometidas, reparar as injustiças e fraudes com os teus bens, conforme possas?
E ele responde:
- Não!
E pergunta o sacerdote:
- Porque não?
- Porque tudo deixei nas mãos de meus parentes e amigos.
E começa de perder a fala, e assim se fina aquele infeliz.
Pois saibam todos que, de qualquer maneira e seja onde for que um homem morra em pecado mortal sem reparação condigna, e podendo satisfazer o não fez, vem o demônio arrancar-lhe a alma do corpo com tanta angústia e tribulação, como só a quem o experimentou é dado bem conhecer.
E todos os talentos e poder, ciência e sabedoria, que julgava ter, lhe serão tirados (Mc 4, 25). E os parentes e amigos tomam conta da herança, e entre si a dividem, e depois dizem: 
- Maldita seja a sua alma, pois mais nos pudera ter deixado, mais pudera ter adquirido para nós do que aquilo que adquiriu.
Entretanto os vermes lhe vão comendo o corpo. E assim perde a alma e o corpo nesta vida que é breve, e cai no inferno, onde sem fim será atormentado.

Súplica final e Bênção
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amem.

A todos quantos receberem esta carta, eu, o irmão Francisco, menor servo vosso, vos peço e suplico pela caridade que é Deus (Jo 4, 16), e com o desejo de vos beijar os pés, que vos sintais obrigados a acolher, observar e guardar com humildade e amor estas palavras e as demais de nosso Senhor Jesus Cristo. E todos aqueles e aquelas que as receberem com benevolência, lhes derem atenção e enviarem cópias a outros, se no seu cumprimento perseverarem até ao fim (Mt 24, 13), que sobre eles venha a bênção do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amem

(4) Francisco liga o jejum e a penitência ao amor à Igreja católica. São frases dirigidas contra os cátaros, que pregando uma ascese radical se queriam separar da igreja pecadora, dos seus sacramentos e sacerdotes.

(Tradução: Editorial Franciscana)