"SENHOR, FAZEI-ME INSTRUMENTO DE VOSSA PAZ".

Sua maior intenção, seu desejo principal e plano supremo era observar o Evangelho em tudo e por tudo,imitando com perfeição, atenção, esforço, dedicação e fervor os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo no seguimento de sua doutrina". (Vida de S. Francisco - 1Cel 84)

"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você está fazendo o impossível.São Francisco de Assis"

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Oração diante do Presépio



Menino das palhas, Menino Jesus,
Menino de Maria, aqui estou diante de ti.
Tu vieste de mansinho, na calada da noite,
no silêncio das coisas que não fazem ruído.
Tu é o Menino amável e santíssimo,
deitado nas palhas porque não havia lugar
para ti nas casas dos homens
tão ocupados e tão cheios de si.
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Dá a meus lábios a doçura do mel
e à minha voz o brilho do cantar da cotovia,
para dizer que vieste encher de sentido
os dias de minha vida.
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Não estou mais só: tu és o nosso companheiro
de minha vida. Tu choras as minhas lágrimas
e tu te alegras com minhas alegrias
porque tu és meu irmão.
.
Tu vieste te instalar feito um posseiro
dentro de mim e não quero que teu lugar
seja ocupado pelo egoísmo que me mata
e me aniquila, pelo orgulho que sobe à cabeça,
pelo desespero.
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Sei, Menino de Maria, que a partir de agora,
não há mais razão para desesperar
porque Deus grande, belo,
Deus magnífico e altíssimo
se tornou meu irmão.
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Santa Maria, Mãe do Senhor e Palácio de Deus,
tu estás perto do Menino que envolves
em paninhos quentes.
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José, bom José, carpinteiro de mãos duras,
e guarda de meu Menino das Palhas,
protege esse Deus que se tornou
mendigo de nosso amor.
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Menino Jesus,
Hoje é festa de claridade e dia de luz.
Tu nasceste para os homens na terra de Belém

TvFranciscanos

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

SÃO FRANCISCO E O PRESÉPIO-" NATAL DE SÃO FRANCISCO"

    Foto ano 2019 Rivaldo R. Ribeiro- Paróquia São José- José Bonifácio-SP


As biografias de S. Francisco de Assis narram-nos como foi preparado o presépio em Gréccio na noite de Natal!

"PRESÉPIO": Rivaldo R.Ribeiro

Foi na cidade italiana de Gréccio, na noite de Natal de Jesus no ano 1223 que São Francisco criou o primeiro presépio, com uma representação cênica do nascimento de Jesus numa manjedoura de palhas, acompanhado pelos animais. Era um lugar simples mais enriquecido com muita ternura e amor. Depois São Francisco chamou os moradores próximos para que estivessem no local, para que assim relembrassem a noite do nascimento em Belém do Menino-Deus.
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O nascimento de Jesus num estábulo junto com os animais, Deus nos quis dar um recado claro e sem duvidas sobre a humildade e a beleza da pobreza quando é uma alternativa de vida. Abandonando o materialismo que nos subverte da condição humana em seres predadores da natureza e da vida.  
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O presépio nos mostra a luz e a beleza na representação do nascimento do Nosso Senhor Jesus Cristo. Com isso São Francisco iluminou e reacendeu a fé que estava adormecida entre o povo naquela época, um costume que perpetuou na Igreja até os nossos dias.
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O Natal do Nosso Senhor aconteceu numa conjunção entre a vida, representada pelos animais: boi, burro e o universo representado pela estrela guia. Foi um momento extraordinário da revelação do Verbo que se fez carne, Cristo tornou-se condição de homem para estar entre os homens. E como filho de Deus nos ensinou a verdade sobre a essência humana nos diferenciando dos animais em muitos aspectos: centralizado na consciência o nosso comportamento como seres racionais. 
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Na ternura do presépio notamos a força divina daquele momento do nascimento do Senhor, São Francisco levou isso ao povo para estimular o renascimento no coração de muitos que o já havia esquecido. Uma encenação que se perpetuou até os dias de hoje e corre pelo mundo ainda com o mesmo objetivo: relembrar o singelo momento do nascimento do Salvador...




Confira o texto histórico que narra como São Francisco preparou o Natal


"Sua maior intenção, seu desejo principal e plano supremo era observar o Evangelho em tudo e por tudo, imitando com perfeição, atenção, esforço, dedicação e fervor os "passos de Nosso Senhor Jesus Cristo no seguimento de sua doutrina". 

Estava sempre meditando em suas palavras e recordava seus atos com muita inteligência. Gostava tanto de lembrar a humildade de sua encarnação e o amor de sua paixão, que nem queria pensar em outras coisas.
 Precisamos recordar com todo respeito e admiração o que fez no dia de Natal, no povoado de Greccio, três anos antes de sua gloriosa morte. Havia nesse lugar um homem chamado João, de boa fama e vida ainda melhor, a quem São Francisco tinha especial amizade porque, sendo muito nobre e honrado em sua terra, desprezava a nobreza humana para seguir a nobreza de espírito. Uns quinze dias antes do Natal, São Francisco mandou chamá-lo, como costumava, e disse: "Se você quiser que nós celebremos o Natal de Greccio, é bom começar a preparar diligentemente e desde já o que vou dizer. Quero lembrar o menino que nasceu em Belém, os apertos que passou, como foi posto num presépio, e ver com os próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi e o burro".Ouvindo isso, o homem bom e fiel correu imediatamente e preparou o que o santo tinha dito, no lugar indicado.
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Aproximou-se o dia da alegria e chegou o tempo da exultação. De muitos lugares foram chamados os irmãos: homens e mulheres do lugar, de acordo com suas posses, prepararam cheios de alegria tochas e archotes para iluminar a noite que tinha iluminado todos os dias e anos com sua brilhante estrela. Por fim, chegou o santo e, vendo tudo preparado, ficou satisfeito. Fizeram um presépio, trouxeram palha, um boi e um burro. Greccio tornou-se uma nova Belém, honrando a simplicidade, louvando a pobreza e recomendando a humildade.
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A noite ficou iluminada como o dia e estava deliciosa para os homens e para os animais. O povo foi chegando e se alegrou com o mistério renovado em sua alegria toda nova. 
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O bosque ressoava com as vozes que ecoavam nos morros.
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Os frades cantavam, dando os devidos louvores ao Senhor e a noite inteira se rejubilava. O santo parou diante do presépio e suspirou, cheio de piedade e de alegria. A missa foi celebrada ali mesmo no presépio, e o sacerdote que a celebrou sentiu uma piedade que jamais experimentara até então. O santo vestiu dalmática, porque era diácono, e cantou com voz sonora o santo Evangelho. De fato, era "uma voz forte, doce, clara e sonora", convidando a todos às alegrias eternas. Depois pregou ao povo presente, dizendo coisas maravilhosas sobre o nascimento do Rei pobre e sobre a pequena cidade de Belém. Muitas vezes,-quando queria chamar o Cristo* de Jesus, chamava-o também com muito amor de "menino de Belém", e pronunciava a palavra "Belém" como o balido de uma ovelha, enchendo a boca com a voz e mais ainda com a doce afeição. Também estalava a língua quando falava "menino de Belém" ou "Jesus", saboreando a doçura dessas palavras.
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 Multiplicaram-se nesse lugar os favores do Todo-Poderoso, e um homem de virtude teve uma visão admirável. Pareceu-lhe ver deitado no presépio um bebê dormindo, que acordou quando o santo chegou perto. E essa visão veio muito a propósito, porque o menino Jesus estava de fato dormindo no esquecimento de muitos corações, nos quais, por sua graça e por intermédio de São Francisco, ele ressuscitou e deixou a marca de sua lembrança. Quando terminou a vigília solene, todos voltaram contentes para casa.
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Guardaram a palha usada no presépio para que o Senhor curasse os animais, da mesma maneira que tinha multiplicado sua santa misericórdia. De fato, muitos animais que padeciam das mais diversas doenças naquela região comeram daquela palha e tiveram um resultado feliz. Da mesma sorte, homens e mulheres conseguiram a cura das mais variadas doenças.
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O lugar do presépio foi consagrado a um templo do Senhor e no próprio lugar da manjedoura construíram um altar em honra de nosso pai Francisco e dedicaram uma igreja, para que, onde os animais já tinham comido o feno, passassem os homens a se alimentar, para salvação do corpo e da alma, com a carne do cordeiro imaculado e não contaminado, Jesus Cristo Nosso Senhor, que se ofereceu por nós com todo o seu inefável amor e vive com o Pai e o Espírito Santo eternamente glorioso por todos os séculos dos séculos. Amém. Aleluia, Aleluia.

Tomás de Celano - Primeiro Livro (Fontes Franciscanas).

sábado, 24 de outubro de 2020

São João de Capistrano


João nasceu no dia 24 de junho de 1386, na cidade de Capistrano, próximo a Áquila, no então reino de Nápoles, atual Itália. Era filho de um conde alemão e uma jovem italiana. Tornou-se um cidadão de grande influência em Perugia, cidade onde estudou Direito Civil e Canônico, formando-se com honra ao mérito. 
Lá se casou com a filha de outro importante membro da comunidade e foi governador da cidade, quando iniciava a revolta contra a dominação do rei de Nápoles. Como João de Capistrano era muito respeitado e julgava ter amigos entre adversários, aceitou a tarefa de tentar um diálogo com o rei. 
Mas estava enganado, pois, além de não acreditarem nas suas propostas de paz eles o prenderam. 
Ao mesmo tempo, recebeu a notícia da morte de sua esposa. João tinha trinta e nove anos de idade.

Nessa ocasião tomou a decisão mais importante de sua vida. Abriu mão de todos os cargos, vendeu todos os bens e propriedades, pagou o resgate de sua liberdade e pediu ingresso num convento franciscano. Mas também ali encontrou a desconfiança do seu propósito. O superior, antes de permitir que ele vestisse o hábito, o submeteu a muitas humilhações, para provar sua determinação. Aprovado, apenas um ano depois era considerado um dos mais respeitados religiosos do convento. Aliás, Ordem que ele próprio colaborou para reformar.

Desde então sua vida foi somente dedicada ao espírito. Durante trinta anos fez rigoroso jejum, duras penitências e se dedicou às orações. Trabalhou com energia, evangelizando na Itália, França, Alemanha, Áustria, Hungria, Polônia e Rússia. Tornou-se grande pregador e os registros mostram, que, após sua pregação, muitos jovens decidiam entrar na Ordem de São Francisco de Assis. 
Foi conselheiro de quatro papas. Idoso, defendeu a Itália numa guerra que ajudou a vencer. A famosa batalha de Belgrado, contra os invasores turcos muçulmanos.

João de Capistrano contava setenta anos de idade, quando um enorme exército ameaçava tomar toda a Europa, pois já dominava mais de duzentas cidades. 
O papa Calisto III o designou como pregador de uma cruzada, que defenderia o continente. Com ele à frente, os cristãos tiveram de combater um exército dez vezes maior. 
A guerra já estava quase perdida e os soldados estavam a ponto de desfalecer, quando surgiu João animando a todos, percorrendo as fileiras e mantendo-os estimulados na fé em Cristo. 
Agiu assim durante onze dias e onze noites sem cessar. Espantados com a atitude de João, os guerreiros muçulmanos apavoraram-se, o exército se desorganizou e os soldados cristãos dominaram o campo de batalha até a vitória final.

Vitória que, embora preferisse manter o anonimato, foi atribuída a João de Capistrano. Depois disso, retirou-se para o Convento de Villach, na Áustria, onde morreu aos 71 anos de idade, a 23 de outubro de 1456. Foi beatificado pelo Papa Leão X e solenemente canonizado pelo Papa Alexandre VIII no ano de 1690. 

João de Capistrano é o padroeiro dos juízes.


segunda-feira, 5 de outubro de 2020

05/10 -SÃO BENEDITO



SÃO BENEDITO, O NEGRO, RELIGIOSO, DA ORDEM I
Benedito, cognominado o mouro – ou o “Negro”, como é conhecido no Brasil – nasceu na Sicília. De pais escravos, vindos da Etiópia para San Fratello, na Sicília, vendeu seus bens e fez-se eremita franciscano nas vizinhanças de Palermo.
Mais tarde, atendendo a um decreto de Pio IV, obrigando a todos os seguissem a Regra de São Francisco a viverem em conventos de sua Ordem, Benedito obedeceu.
No convento, dedicou-se a trabalhos humildes. Chegou a exercer o oficio de Superior, mesmo não sendo sacerdote e, mais tarde, vemo-lo novamente trabalhando na cozinha.
Morreu no ano de 1589. Seu culto cedo se espalhou pela Itália, Espanha, Portugal, Brasil e México. Pio VIII inscreveu-o solenemente no rol dos santos.

São Benedito, filho de escravos, que encontrastes a verdadeira liberdade servindo a Deus e aos irmãos, independente de raça e de cor, livrai-me de toda a escravidão, venha ela dos homens ou dos vícios, e ajudai-me a desalojar de meu coração toda a segregação e a reconhecer todos os homens por meus irmãos. São Benedito, amigo de Deus e dos homens, concedei-me a graça que vos peço do coração. 

Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.
São Benedito rogai por nós !

domingo, 4 de outubro de 2020

TAU NA VOCAÇÃO FRANCISCANA



O TAU tem a forma da letra grega TAU (T) que é uma cruz. As duas maiores influências diretas em Francisco, em relação ao TAU, foram os antonianos e o Quarto Concílio Laterano.
No princípio de sua conversão, Francisco encontrou os antonianos e seu símbolo do TAU. Mas a influência mais forte que fez do TAU um símbolo tão querido para Francisco e pela qual ele se tornou sua assinatura, foi a CONCILIO DE LATRÃO
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Os historiadores geralmente admitem que Francisco estava presente nesse Concílio, no qual o Papa Inocêncio III fez o discurso de abertura, incorporando em sua homilia a passagem de Ezequiel (9,4) que diz que os eleitos, os escolhidos serão marcados com o sinal do TAU: "Percorre a cidade, o centro de Jerusalém, e marca com uma cruz na fronte os que gemem e suspiram devido a tantas abominações que na cidade se cometem e acrescenta:
" O TAU é a última letra do alfabeto hebraico e a sua forma representa a cruz, exatamente tal e qual foi a cruz antes de ser nela fixada a placa com inscrição de Pilatos.
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O TAU é o sinal que o homem porta na fronte quando - como diz o apóstolo - crucifica o corpo com os seus pecados quando diz: "Não quero gloriar-me a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo" (...)
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Sejam portanto mestres desta cruz! Sejam os campeões do TAU! . Concílio de Latrão. . São Francisco de Assis tomou o TAU e seu significado dos antonianos. Eles eram uma comunidade religiosa masculina, fundada em 1095, cuja única função era cuidar dos leprosos. Em seus hábitos era pintada uma grande cruz. Francisco tinha relações muito familiares com eles, porque trabalhavam no leprosário de Assis, no Hospital de São Brás, em Roma, onde Francisco esteve hospedado. .
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Quando Inocêncio III terminou sua homilia com "SEJAM OS CAMPEÕES DO TAU!" Francisco tomou estas palavras como dirigidas a ele e fez do TAU seu próprio símbolo, o símbolo de sua Ordem, de sua assinatura; mandou pintá-lo em toda parte e teve grande devoção a ele até o fim de sua vida. Simples e basicamente, o TAU representa a CRUZ.
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Os Concílios da Igreja foram convocados para reformar a Igreja, cabeça e membros. Assim o grande tema da Reforma: pessoal, interior, conversão constante e mudança de vida. Aqueles que deviam comprometer-se com a conversão contínua, uma vida de constante penitência, deviam ser marcados com o TAU. .
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O TAU para Francisco é um sinal da certeza de salvação; é o sinal de universalidade da salvação e é o símbolo da conversão contínua. .
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Se você permite ser marcado com o TAU ou usa o TAU, você está dizendo que se comprometeu com a conversão contínua, isto é, com o tema da Espiritualidade Franciscana. Não que você esteja convertido de uma só vez, mas dia-a-dia, mês após mês, ano após ano, você conserva seu olhar fixo no Senhor como sua única meta, e caminha em direção a ele com a mente indivisa (Carta S. Mary Margaret, out. 1989). .
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Retirado do livro "Orando com a Bíblia e São Francisco de Assis", a. Jussara Lima Dias, da Comunidade Católica Shalom. Ed. Shalom. .


O significado do TAU Franciscano.



Programa Paz e Bem
Matéria que explica o significado do tau, símbolo católico.


Carta a todos os Fiéis


Escrito por São Francisco de Assis.

Primeira redação
Estas são as palavras da vida e da salvação: quem as ler e praticar, tem a vida e a salvação do Senhor

I. Os que fazem Penitência
Em nome do Senhor!

A todos os que amam o Senhor com todo o coração, com toda a alma, com todo o entendimento, com todas as suas forças (Mt 12, 30), e amam o seu próximo como a si mesmos (Mt 22, 39); e aborrecem seus próprios corpos com seus vícios e pecados; e recebem o Corpo e o Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo; e fazem dignos frutos de penitência; Oh! quão felizes e benditos são os homens e mulheres que praticam estas coisas e perseveram nelas! porque repousará sobre eles o espírito do Senhor (Is 11, 2) e neles estabelecerá a sua morada e mansão (Jo 14, 23);  e são filhos do Pai celeste (Mt 5, 45), cujas obras fazem; e são esposos, irmãos e mães de nosso Senhor Jesus Cristo (Mt 12, 50).
Somos esposos, quando pelo Espírito Santo a alma se une a nosso Senhor Jesus Cristo. Somos seus irmãos, quando cumprimos a vontade de seu Pai que está nos céus (Mt 12, 50); somos suas mães, quando o levamos no coração e no corpo (1Cor 6, 20) pelo divino amor e pela pura e sincera consciência, e quando o damos à luz pelas santas obras, que devem brilhar aos olhos de todos para seu exemplo (Mt 5, 16).

Oh! como é glorioso ter no céu um Pai santo e grande! Oh! como é santo ter um tal esposo, consolador, belo e admirável! Oh! como é santo e amável ter um tal irmão e um tal filho, agradável, humilde, pacífico, doce, amável e mais que tudo desejável, Nosso Senhor Jesus Cristo, que deu a vida pelas suas ovelhas (Jo 10,15) e orou ao Pai, dizendo:
Pai santo, guarda em teu nome (Jo 17, 11) aqueles que me deste no mundo; eram teus e tu mos deste (Jo 17, 6). As palavras que me deste a eles as dei, e eles receberam-nas e reconheceram que, na verdade, eu vim de ti e reconheceram que tu me enviaste (Jo 17, 8). Rogo por eles, não rogo pelo mundo (Jo 17, 9). Abençoa-os e santifica-os (Jo 17, 17); também eu me santifico a mim mesmo por eles (Jo 17, 19). Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que, pela sua palavra, hão-de crer em mim (Jo 17, 20), para que sejam perfeitos na unidade (Jo 17, 23), assim como nós o somos (Jo 17, 11). E quero, Pai, que, onde eu estiver estejam eles também comigo, para que vejam a minha glória (Jo 17, 24) no teu reino (Mt 20, 21). Amen.

II. Os que não fazem Penitência

Porém todos aqueles que não vivem em penitência; e não recebem o Corpo e o Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo; e sustentam vícios e pecados; e correm atrás das más concupiscências e maus desejos da sua carne e não guardam o que prometeram ao Senhor; e com o seu corpo são escravos do mundo pelos desejos carnais, pelas solicitudes deste século e pelas preocupações desta vida; seduzidos pelo diabo, de quem são filhos e cujas obras praticam (Jo 8, 41), todos esses são cegos, porque não vêem a luz verdadeira, que é nosso Senhor Jesus Cristo.

Não possuem a sabedoria do espírito, porque não têm em si o Filho de Deus, que é a verdadeira sabedoria do Pai. Destes foi dito: A sua sabedoria desvaneceu-se (Sl 106, 27); e: Malditos aqueles que se afastam dos teus mandamentos (Sl 118, 21). Vêem e conhecem, sabem e fazem o mal, e deliberadamente perdem as suas almas.

Olhai, ó cegos, que andais enganados pelos vossos inimigos, a carne, o mundo e o diabo, porque ao corpo agrada cometer o pecado e repugna servir a Deus; pois que todos os vícios e pecados brotam e procedem do coração do homem, como diz o Senhor no Evangelho (Mc 7, 21).

E nada tendes neste século nem no vindouro.

Pensais possuir por muito tempo as vaidades deste mundo, mas estais enganados, porque virão o dia e a hora que não suspeitais, que desconheceis e ignorais. E então o corpo debilita-se, aproxima-se a morte, e assim se morre de morte amarga.

E onde, quando e como quer que o homem morra em pecado mortal sem penitência e sem satisfação, e, podendo satisfazer o não faz, o diabo arrebata-lhe a alma do corpo com tão grande angústia e tribulação, que ninguém pode conhecê-las, a não ser quem as experimenta.

E todos os talentos e poder, ciência e sabedoria, que julgavam ter, lhes serão tirados (Lc 8, 18; Mc 4, 25).

E deixam os bens aos parentes e amigos, que os levam e dividem e depois dizem: Maldita seja a sua alma, porque mais nos pudera ter deixado e ter ganhado mais do que ganhou.

O corpo torna-se pasto dos vermes e, assim, perdem corpo e alma nesta vida que é breve, e cairão no inferno, onde eternamente serão atormentados.

III. Última recomendação
A todos aqueles a quem chegar esta carta, rogamos, pela caridade que é Deus (1Jo 4, 16), que benignamente acolham as sobreditas odoríferas palavras de nosso Senhor Jesus Cristo. E aqueles que não sabem ler, peçam a outros que lhas leiam com frequência; e tenham-nas sempre presentes até ao fim mediante a prática de obras santas, porque são espírito e vida (Jo 6, 64).

E os que assim não fizerem terão de prestar contas, no dia do juízo (Mt 12, 36), perante o tribunal de nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 14, 10).

Carta a todos os Fiéis
Escrito por São Francisco de Assis.
SEGUNDA REDAÇÃO
Em nome do Senhor, Pai e Filho e Espírito Santo. Amem.

A todos os cristãos, religiosos, clérigos e leigos, homens e mulheres, a todos os que habitam pelo mundo além, o irmão Francisco, seu servo e súbdito, envia reverentes saudações, paz verdadeira do céu e caridade sincera no Senhor.
Como servo de todos, a todos tenho obrigação de servir e ministrar as palavras do meu Senhor, cheias de suave perfume. E considerando comigo que, devido às enfermidades e fraqueza do meu corpo, me é impossível visitar pessoalmente a cada um de vós, resolvi comunicar-vos, por meio desta carta e de mensageiros, as palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, que é o Verbo do Pai, e as palavras do Espírito Santo, que são espírito e vida (Jo 6, 64).

1. A Palavra do Pai
O Pai altíssimo, pelo seu arcanjo S. Gabriel, anunciou à santa e gloriosa Virgem Maria (Lc 1, 31), que esse Verbo do mesmo Pai, tão digno, tão santo e glorioso, ia descer do céu, a tomar a carne verdadeira da nossa humana fragilidade em suas entranhas. E sendo Ele mais rico do que tudo (2 Cor 8, 9), quis, no entanto, com sua Mãe bem-aventurada, escolher vida de pobreza.
E ao aproximar-se a sua Paixão, celebrou a Páscoa com seus discípulos, e tomando o pão, deu graças e o abençoou e partiu, dizendo: Tomai e comei, isto é o meu corpo (Mt 26, 26). E tomando o cálice, disse: Este é o meu sangue da nova Aliança, que por vós e por muitos vai ser derramado, para remissão dos pecados (Mt 26, 26-28). E depois orou ao Pai, dizendo: Pai, se é possível, passe de mim este cálice (Mt 26, 39). E sobreveio-lhe um suor como de gotas de sangue, que escorria até ao chão (Lc 22, 44). Pôs, todavia, a sua vontade na vontade do Pai, dizendo: Pai, faça-se a tua vontade, não como eu quero, mas como tu queres (Mt 26, 39).

Ora, a vontade do Pai foi esta: Que seu Filho, bendito e glorioso, que ele nos havia dado e que por nós nascera, se oferecesse, por seu próprio sangue, como sacrifício e hóstia, no altar da cruz; não por si mesmo, por quem todas as coisas foram feitas (Jo 1, 3), mas pelos nossos pecados, deixando-nos seu exemplo, para seguirmos seus passos (1Ped, 2-21). E quer que todos sejamos salvos por ele, e que o recebamos com um coração puro e num corpo casto. Todavia, poucos são os que o querem receber e ser salvos por ele, não obstante o seu jugo ser suave e o seu peso leve (Mt 11, 30).

2. Malditos os que recusam os mandamentos; benditos os que os cumprem.
Os que se recusam provar como o Senhor é suave (Sl 33, 9) e mais amam as trevas do que a luz (Jo 3, 19), negando-se a cumprir os mandamentos de Deus, têm a sua maldição. Deles foi dito pelo Profeta: Malditos os que se apartam dos teus mandamentos (Sl 118, 21). Pelo contrário, que felizes e benditos são os que amam o Senhor, e praticam o que o mesmo Senhor diz no Evangelho: Amarás ao Senhor teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma, e ao teu próximo como a ti mesmo (Mt 22, 37 e 39).

3. Amemos e adoremos a Deus
Sim, amemos a Deus e adoremo-lo com um coração puro e alma simples, porque é isso o que ele mais que tudo deseja quando afirma: Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade (Jo 4, 23). Porque todos os que o adoram, devem adorá-lo em espírito e verdade (Jo 4, 24). Dia e noite lhe dirijamos louvores e preces, dizendo: Pai nosso, que estais nos céus, porque importa orar sempre e sem cessar (Lc 18,1).

4. Da confissão e comunhão
Devemos, além disso, confessar ao sacerdote todos os nossos pecados, e receber de suas mãos o Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quem não come a sua carne e não bebe o seu sangue, não pode entrar no reino de Deus (Jo 3, 5). Mas coma e beba dignamente, porque quem indignamente o recebe, come e bebe a sua própria condenação, não discernindo o Corpo do Senhor (1Cor 11, 29), isto é, não o distinguindo dos outros alimentos. E façamos dignos frutos de penitência (Lc 3, 8). E amemos ao nosso próximo como a nós mesmos (Mt Z2, 39). E quem não quiser ou puder amá-lo como a si mesmo, ao menos não lhe faça mal, mas, sim, lhe faça bem.

5. Da misericórdia dos poderosos e do valor da esmola
Os que receberam o poder de julgar os outros, julguem-nos com misericórdia, como querem que o Senhor os julgue a eles. Porque sem misericórdia será julgado aquele que não usou de misericórdia (Tg 2, 13). Sejamos, pois, caridosos e humildes, e demos esmola, porque a esmola lava as almas das imundícies do pecado (Tb 31 31 4, 11). Os homens, de verdade, perdem tudo o que neste mundo deixam, mas levam consigo o preço da sua caridade e as esmolas que houverem feito, e delas receberão do Senhor recompensa e digna remuneração.

6. Do jejum corporal e da penitência (4)
Devemos também jejuar e abster-nos de vícios e pecados (Ecl 3, 32) e de excessos na comida e na bebida. Devemos ser católicos; frequentar as igrejas e reverenciar os sacerdotes, não tanto por si, se são pecadores, mas pelo ofício que têm de administrar o santíssimo Corpo e Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, que eles sacrificam no altar, e recebem e distribuem aos demais.
E firmemente nos compenetremos disto: Que ninguém se pode salvar, senão pelo Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo e pelas santas palavras do Senhor, que os sacerdotes proclamam, pregam e administram, e só a eles pertence administrar e não aos outros.
E de um modo especial os religiosos que renunciaram ao mundo, lembrem-se que estão obrigados a fazer mais e melhores coisas, sem no entanto omitir as demais (Lc 11, 42).

7. Da negação de si mesmo, do amor aos inimigos e da obediência
Devemos aborrecer o nosso corpo com seus vícios e pecados, pois o Senhor diz no Evangelho que todos os vícios e pecados procedem do coração (Mt 15, 38 18-19; Mc 7, 23).
Devemos amar aos nossos inimigos, e fazer bem àqueles que nos odeiam (Mt 5, 44; Lc 6, 27).

Devemos observar os preceitos e conselhos de nosso Senhor Jesus Cristo.

Devemos, além disso, renunciar a nós mesmos e submeter o nosso corpo ao jugo da servidão e da santa obediência, conforme prometemos ao Senhor. Mas ninguém está obrigado por obediência a obedecer àquele que lhe manda o que é pecado ou delito.

8. Da autoridade como serviço
Porém, aquele que tem ofício para ser obedecido, e que é tido por maior em dignidade, seja como menor (Lc 22, 26) e servo dos demais irmãos e use com eles de misericórdia, como quereria que com ele usassem, se estivesse no lugar deles. Nem, pelo pecado de um irmão, contra ele se irrite, mas, com toda a paciência e humildade, bondosamente o admoeste e encoraje.

9. De como cada um se deve julgar
Não devemos ser sábios e prudentes segundo a carne (1Cor 1, 26), mas procuremos, sim, ser simples, humildes e puros. E façamos de nossos corpos objecto de opróbrio e desprezo, porque todos, por nossos pecados, somos desgraçados e pútridos, fétidos e vermes, como diz o Senhor pelo Profeta: Eu sou um verme e não um homem, o opróbrio dos homens e o rebotalho da plebe (Sl 21, 7). Nunca devemos desejar estar acima dos outros, mas antes devemos ser servos e sujeitos a toda a humana criatura por amor de Deus (Pe 2, 13).

10. Da felicidade dos filhos de Deus
E todos os que assim procederem, e perseverarem até ao fim, sobre eles repoisará o espírito do Senhor (Is 11, 2) e neles fará morada e mansão (Jo 14, 23). E serão filhos do Pai celeste (Mt 5, 45), cujas obras fazem. E são esposos, irmãos e mães de nosso Senhor Jesus Cristo.
Somos esposos, quando pelo Espírito Santo a alma se une a Jesus Cristo.
Somos seus irmãos, quando fazemos a vontade do seu Pai que está nos céus (Mt 12, 50).
Somos suas mães, quando o levamos no nosso coração e no nosso corpo, pelo amor e pela pura e sincera consciência, e o damos à luz pelas santas obras que devem brilhar aos olhos dos outros para seu exemplo (Mt 5, 6).
Oh! como é glorioso ter no céu um Pai santo e grande!
Oh! como é santo ter um esposo consolador formoso e admirável!
Oh! como é santo e agradável ter um tal irmão e filho, aprazível, humilde, pacífico, doce e mais que tudo desejável, que deu a vida pelas suas ovelhas (Jo 10, 15), e por nós pediu ao Pai, dizendo: Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste (Jo 17, 11). Pai todos os que me deste no mundo, eram teus, e tu mos deste (Jo 17, 6). E as palavras que tu me deste, a eles as dei; e eles as receberam e ficaram sabendo que, de verdade, eu vim de ti, e creram que tu me enviaste (Jo 17, 8). Rogo por eles, não pelo mundo (Jo 17, 9); abençoa-os e santifica-os (Jo 17, 17). Também eu por eles me santifico, para que sejam santificados (Jo 17, 19) na unidade, como nós o somos (Jo 17, 11). E, Pai, eu quero que onde eu estou, ali estejam eles comigo, para que vejam a minha glória (Jo 17, 24) no teu reino (Mt 20, 21).
E, pois, tanto sofreu por nós e tantos bens nos deu e de futuro nos dará, que toda a criatura no céu e na terra e no mar e nos abismos, renda a Deus louvor, glória e honra e bênção (Ap 5, 13); porque é ele a nossa virtude e fortaleza, ele que só é o bom (Lc 18, 19), ele só o altíssimo, ele só o omnipotente e admirável e glorioso, ele só o santo, louvável e bendito por séculos dos séculos sem fim. Amen.

11. Dos que não fazem Penitência
Mas todos aqueles que não vivem em penitência, e não recebem o Corpo e Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, antes, sim, vivem em vícios e pecados; e que correm atrás das más concupiscências e maus desejos e não cumprem o que prometeram; e com seu corpo são escravos do mundo e dos desejos carnais e dos cuidados e solicitudes deste século e das preocupações desta vida, enganados pelo demónio, de quem são filhos e cujas obras fazem (Jo 8, 41), esses todos são cegos, porque não vêem a luz verdadeira que é nosso Senhor Jesus Cristo. Não têm sabedoria espiritual, porque não têm em si o Filho de Deus, que é a verdadeira sabedoria do Pai. Deles foi dito: A sua sabedoria foi devorada (Sl 106, 27). Vêem, conhecem, sabem, e todavia fazem o mal e deliberadamente perdem as suas almas.
Olhai, ó cegos enganados pelos vossos inimigos que são a carne, o mundo e o demónio, que, se é doce praticar o pecado e amargo servir a Deus, é porque do coração dos homem brotam e procedem (Mc 7, 21. 23) todos os vícios e pecados, conforme se diz no Evangelho. E nenhum bem possuís neste mundo nem no outro. Julgais que haveis de possuir por muito tempo as vaidades deste mundo, e estais enganados, porque virá o dia e a hora em que não pensais, e que desconheceis e ignorais.

12. Dos doentes que não fazem penitência
E então o corpo vos cairá doente, a morte avança, vêm os parentes e amigos e dizem:
- Faz as tuas últimas disposições.

E a esposa e os filhos, e os parentes e amigos, fingem que choram. Ele olha e, vendo-os a chorar, levado de um mau impulso, pensando dentro de si, diz:
- Eis que deixo em vossas mãos a minha alma, o meu corpo e tudo quanto possuo.

É na verdade maldito esse homem que confia e põe em tais mãos a sua alma e o seu corpo e os seus bens, pois dele diz o Senhor pelo profeta: Maldito o homem que confia noutro homem (Jr 17, 5).
Mandam então vir o sacerdote e este pergunta-lhe:
- Queres receber a penitência de todos os teus pecados?
E ele responde:
- Quero, sim.
- Queres satisfazer pelas faltas cometidas, reparar as injustiças e fraudes com os teus bens, conforme possas?
E ele responde:
- Não!
E pergunta o sacerdote:
- Porque não?
- Porque tudo deixei nas mãos de meus parentes e amigos.
E começa de perder a fala, e assim se fina aquele infeliz.
Pois saibam todos que, de qualquer maneira e seja onde for que um homem morra em pecado mortal sem reparação condigna, e podendo satisfazer o não fez, vem o demônio arrancar-lhe a alma do corpo com tanta angústia e tribulação, como só a quem o experimentou é dado bem conhecer.
E todos os talentos e poder, ciência e sabedoria, que julgava ter, lhe serão tirados (Mc 4, 25). E os parentes e amigos tomam conta da herança, e entre si a dividem, e depois dizem: 
- Maldita seja a sua alma, pois mais nos pudera ter deixado, mais pudera ter adquirido para nós do que aquilo que adquiriu.
Entretanto os vermes lhe vão comendo o corpo. E assim perde a alma e o corpo nesta vida que é breve, e cai no inferno, onde sem fim será atormentado.

Súplica final e Bênção
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amem.

A todos quantos receberem esta carta, eu, o irmão Francisco, menor servo vosso, vos peço e suplico pela caridade que é Deus (Jo 4, 16), e com o desejo de vos beijar os pés, que vos sintais obrigados a acolher, observar e guardar com humildade e amor estas palavras e as demais de nosso Senhor Jesus Cristo. E todos aqueles e aquelas que as receberem com benevolência, lhes derem atenção e enviarem cópias a outros, se no seu cumprimento perseverarem até ao fim (Mt 24, 13), que sobre eles venha a bênção do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amem

(4) Francisco liga o jejum e a penitência ao amor à Igreja católica. São frases dirigidas contra os cátaros, que pregando uma ascese radical se queriam separar da igreja pecadora, dos seus sacramentos e sacerdotes.

(Tradução: Editorial Franciscana)



Dia de São Francisco - Bênção às criaturas

 

 

 Veja como foi a missa de encerramento do dia do padroeiro na Paróquia São Francisco na Vila Clementino, São Paulo (SP).
04/10/2017



Música Franciscana | A gente pode ser muito mais feliz



Frades Franciscanos das Províncias e Custódias do Brasil cantam a canção "Quando o fogo do amor" (Letra: Pe. Geraldo C. da Silva; Música: Pe. Geraldo C. da Silva e Pe. Joãozinho, SCJ).

Organização: Frei Rogério Constantino

Acompanhe na  TvFranciscanos



A maneira inesperada que São Francisco utilizou para mudar o mundo


Ele não tinha poder político e não levou exércitos à batalha. Mas tinha uma virtude que fez (e faz) toda a diferença

Muitos dos homens e mulheres mais influentes da História possuíam grande poder político e eram líderes com intensa determinação. Eles mudavam o mundo, quer as pessoas gostassem ou não.
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Com base nessa realidade histórica, São Francisco de Assis não deveria ter tido nenhum impacto no mundo.
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Embora ele tenha nascido em uma rica família de comerciantes, após sua conversão Francisco renunciou à família e tornou-se um homem pobre. Ele não tinha nada e estava destinado a apodrecer como um mendigo na beira da estrada. No entanto, havia algo diferente em Francisco. Ele era pobre, mas era alegre. Ele não possuía bens, no entanto vivia como se tivesse tudo.
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Rapidamente, seu modo de vida radical atraiu outros seguidores, que davam seus pertences para se tornarem mendigos.
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O que é ainda mais notável em São Francisco é que ele nem era um sacerdote ordenado. Ele acabou se tornando um diácono, e atraía outros religiosos por ser um leigo comprometido.
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De muitas maneiras, a vida de São Francisco reflete a de Jesus Cristo. Ambos eram homens bastante “insignificantes” que vagavam pelas pequenas aldeias pregando a quem quisesse ouvir. Eles não tinham poder político e não levaram exércitos à batalha. Nos últimos anos de sua vida, São Francisco não viajou e ficou isolado. A maneira inesperada como São Francisco mudou o mundo foi através de seu exemplo.
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Sua maneira revolucionária de pensar é tão radicalmente simples que qualquer um pode fazê-lo! Tudo o que você precisa fazer é seguir o Evangelho, viver com simplicidade e mostrar sua alegria ao mundo.
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Quando as pessoas vêem a beleza de uma vida unida a Deus, são imediatamente atraídas por ela. São Francisco nunca esperou que seu pequeno grupo de irmãos tivesse algum significado, e ainda hoje eles são uma das maiores ordens religiosas do mundo!
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Uma vida vivida autenticamente enraizada no Evangelho tem mais poder do que qualquer rei ou governante terrestre – e perdurará por toda a eternidade.
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Você quer mudar o mundo? Não tente se tornar poderoso de acordo com os padrões terrestres. Comece simplesmente por si mesmo e, lentamente, influenciando as pessoas da sua família e da comunidade local.
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O Evangelho é difundido de maneira mais eficaz não por organizações poderosas que alcançam todos os cantos do globo, mas por indivíduos que o transmitem a outras pessoas.

sábado, 3 de outubro de 2020

TRÂNSITO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS-03 DE OUTUBRO


Ao cair da tarde de 3 de outubro, Francisco viu suas forças se reduzirem e a febre aumentar. Pede, então, que os frades o coloquem sobre a terra e cantem com ele o Salmo 141, que fala do desejo de ir para Deus:




“Em voz alta ao Senhor eu imploro,
em voz alta suplico ao Senhor!
Eu derramo na sua presença
o lamento da minha aflição,
diante dele coloco minha dor!
Quando em mim desfalece minh’alma,
conheceis , ó Senhor, meus caminhos!
Na estrada por onde eu andava
contra mim ocultaram ciladas.
Se me volto à direita e procuro,
não encontro quem cuide de mim
e nem tenho aonde fugir;
não importa a ninguém minha vida!
A vós grito, Senhor, a vós clamo
e vos digo: “Sois vós meu abrigo,
minha herança na terra dos vivos”,
Escutai meu clamor, minha prece,
porque fui por demais humilhado!”

Francisco havia deixado seu corpo sobre a terra. O canto enfraqueceu e se apagou na boca dos frades, que recitaram, emocionados, o Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Fez-se silêncio na cabana. 

A natureza se despedia do seu maior cantor. Era sábado, 3 de outubro de 1226!


SALMO 141 ( Heb. 142) -Bíblia Ave Maria
"
1.Hino de Davi, quando estava na caverna. Oração.* 
2.Minha voz lança um grande brado ao Senhor, em alta voz imploro ao Senhor. 
3.Ponho diante dele a minha inquietação, eu lhe exponho toda a minha angústia. 
4.Na hora em que meu espírito desfalece, vós conheceis o meu caminho. Na senda em que ando, ocultaram-me um laço. 
5.Olho para a direita e vejo: não há ninguém que cuide de mim. Não existe para mim um refúgio, ninguém que se interesse pela minha vida. 6.Eu vos chamo, Senhor, vós sois meu refúgio, meu quinhão na terra dos vivos. 
7.Atendei ao meu clamor, porque estou numa extrema miséria. Livrai-me daqueles que me perseguem, porque são mais fortes do que eu.* 
8.Tirai-me desta prisão, para que possa agradecer ao vosso nome. Os justos virão rodear-me, quando me tiverdes feito este benefício."

Parte dessa postagem foi colhida no site:
https://franciscanos.org.br

Hoje a Igreja celebra o Translado de São Francisco,onde marca a passagem da irmã Morte Corporal para a Vida Eterna!!"...



Aproximando-se, por fim, a hora de sua morte, fez com que chamassem à sua presença todos os religiosos que se mostravam naquela santa casa, e consolando-os com palavras amorosas pelo sofrimento que causava, exortou-os, como pai cheio de carinho, ao amor de Deus. Falou-lhe depois, longamente sobre a paciência, a pobreza tão amada por ele e a fidelidade que deviam conservar à Santa Igreja Romana, recolhendo-lhes, sobre tudo a observância do Santo Evangelho. 

Estando em seu redor todos os religiosos, estendeu as mãos sobre eles, pondo um braço sobre o outro em forma de cruz, pelo especial amor que sempre mostrou por esse sacrossanto sinal, e abençoou em nome e virtude do crucificado todos os seus religiosos, tanto ausentes como presentes, e acrescentou 'Temei ao Senhor, meus amados filhos, e permanecei sempre unidos a Ele. E pelo fato de se aproximar no bem começado. Eu, de minha parte, volto-me para o meu Deus e vos recomendo à sua graça'".

Concluída esta maravilhosa e suave exortação, mandou o servo de Deus que lhe trouxessem o livro dos Santos Evangelhos e pediu que lessem aquela passagem de São João (13,01) que começa assim:

"... Na véspera da Festa da Páscoa..." Em seguida, reunindo suas escassas forças, começou a recitar o Salmo 141 que inicia assim: "... Em alta voz eu grito pelo Senhor, em alta voz suplico ao Senhor", e continuou até as ultimas palavras que dizem: "Os justos virão me rodear por causa do bem que me fizestes" (Legenda).

Fonte: Fraternidade Toca de Assis


3 de outubro dia do Trânsito de São Francisco de Assis

TRÂNSITO (morte) DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS.


Era um sábado, 3 de outubro.
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Nas primeiras horas do dia, pediu que lhe lessem o relato da Paixão de Jesus Cristo, segundo São João. Enquanto o faziam, lentamente, o enfermo quedava-se imóvel como esquecido de si mesmo. Muitos pensavam que já estivesse morto, mas quando terminou a leitura, voltou a falar para pedir um pão. Tomou-o em suas mãos trêmulas, o abençoou e o partiu imitando o gesto de Jesus na ùltima Ceia, e o fez repartir entre os presentes. Quiz dizer algo, mas não lhe brotavam palavras.
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Em torno da cabana uma atmosfera tensa. Os irmãos não sabiam se orar pelo moribundo ou se interceder ao santo. Uns estavam de é a seu lado, solícitos ao menor de seus movimentos; outros, permaneciam de joelhos na capelinha da Virgem. De vez em quando o silêncio era interrompido pela melodia solene do Cântico das Criaturas que ia perder-se entre as árvores do bosque.
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Eram cinco da tarde. Francisco suplicou que o desnudassem totalmente e o colocassem sobre a terra. Muitos resistiram em fazê-lo, mas por fim cumpriram seu último desejo. Então, com voz quase imperceptível começou a recitar o Salmo 142, que os irmãos acompanhavam lentamente. "Com minha voz clamei ao Senhor... ele é minha porção na terra dos viventes... Tira, Senhor, minha alma do cárcere, para que vá cantar teu nome, pois me esperam os justos e tu me darás meu galardão".
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Quando terminou o salmo, tudo permaneceu imóvel e em silêncio. Dizem que somente se escutava um leve rumor de asas.

Obs. Aqui o Salmo 142 é citado na numeração hebraica, enquanto a versão latina ( Bíblia que usamos) o numero desse Salmo é 141 

Fonte: Texto Face Clay Regazoni 

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

FRANCISCO E BEIJO NO LEPROSO

                 
O biógrafo Tomás de Celano em 2Cel 9, 11 relata: “Quando o leproso lhe estendeu a mão como que para receber alguma coisa, ele colocou dinheiro com um beijo (...). Repleto, a partir daí, de admiração e de alegria, depois de poucos dias, trata de fazer obra semelhante. Dirige-se às habitações dos leprosos e, depois de ter dado o dinheiro a cada leproso, beija a mão e o rosto deles. Assim toma as coisas amargas como doces”.

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Esta é uma passagem impactante da vida de Francisco de Assis. Mexe com o nosso imaginário ou nosso asco. Mas afinal que beijo é este? Quem beijou quem? Deixar-se beijar é mais do que beijar. Em meio a banalização atual do beijo, como compreender que alguém possa dar um beijo na beleza do horrível? Com unir doçura em meio ao amargo da vida?
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Beijo é passar a intimidade através do sopro sagrado do espírito que respira em nós. Beijo é hálito vital, é insuflar vida. Não existe beijo verdadeiro que não seja um caminho progressivo de aproximação. 
É um lento, longo e necessário processo de conquista do outro diferente de mim. Francisco foi beijado por uma inspiração. Sentia-se beijado pelas obras do Senhor: vento, água, ar, nuvens e pássaros. Sentia-se beijado pela Encarnação: o Amor divino vem morar no aconchego da carne do humano. Sentia-se beijado pelo sopro do Espírito. Beijo é comunhão de alma e não apenas comunhão física. Beijo é passar para o diferente de mim quem eu sou. É passar aquilo que está no centro de nosso ser. O beijo é como moldar novamente, do barro, a obra perfeita soprando nela a força da vida. É respirar do mesmo jeito. É o momento onde o corpo obedece o espírito.
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Beijar o leproso foi um ponto de virada em Francisco. Mudou o seu destino espiritual. Aprendeu que não basta encher as mãos de alguém de bens materiais sem um gesto de afeto. É o beijo do lava-pés, é o beijo de Madalena nos pés de Jesus; puro encontro de divindades! 
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A partir do beijo no leproso Francisco estava preparado para reconstruir o despedaçado mundo do humano em ruínas por falta de gestos de amor e cuidado. No beijo nos reconstruímos passando sopro, saliva, silêncios e reverência.
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FREI VITÓRIO MAZZUCO, OFM