Ao longo da celebração, símbolos da espiritualidade franciscana, como a Cruz de São Damião, o Evangelho, a túnica de São Francisco e a esteira, ajudaram a recordar a herança deixada pelo Seráfico Pai. Também foram elevadas preces pela reconciliação, pela paz, pelo cuidado com a criação, pelas missões, pelos irmãos idosos e enfermos e pela unidade da Família Franciscana.
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“Esta celebração não é um olhar melancólico para o passado. Não celebramos o fim, mas o ‘Trânsito’: a passagem para o Amor que não morre. O Trânsito de Francisco não foi simplesmente um pôr do sol, mas um amanhecer! O amanhecer de uma presença que por oito séculos continua a iluminar a humanidade e, hoje, o nosso caminho comum”, pontuou Frei Walter de Carvalho durante a celebração.
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Um dos destaques da noite ocorreu durante a leitura do relato de São Boaventura sobre os últimos momentos de São Francisco. O texto recorda que, antes de morrer, o santo pediu que fosse proclamado o Evangelho de São João e, em seguida, entregou sua vida ao Senhor rezando e cantando um salmo. Após o relato, em memória desse gesto, os frades entoaram o Salmo 141 (composição de Frei Pierbattista da Falconara, frade italiano), em latim e a três vozes, envolvendo toda a assembleia em um clima de contemplação.
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Em sua homilia, Frei Paulo convidou os participantes a viverem os próximos dias como um verdadeiro tempo de escuta e renovação do carisma franciscano. A celebração também destacou o Capítulo das Esteiras como um espaço de comunhão, inspirado na tradição iniciada por São Francisco de reunir os irmãos para fortalecer a vida fraterna e o compromisso com o Evangelho.
“Durante o ano inteiro nós revisitamos a história, nos reencontramos com a memória e assumimos revigoradamente os compromissos que dão sentido a essa história tão longeva. Além dos 350 anos da Província, celebramos os oitocentos anos do Trânsito de São Francisco, com a perspectiva de que, ao reviver a história franciscana, nós tenhamos o vigor necessário para assumi-la no nosso dia a dia”, refletiu.
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O Ministro provincial também afirmou que a memória franciscana deve conduzir a um testemunho concreto do Evangelho, marcado pelo desapego e pelo serviço aos irmãos, a exemplo de Francisco de Assis.
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“Francisco certamente viveu o Evangelho na sua integralidade e soube interpretar com sua vida as últimas palavras de Jesus com seus discípulos. Ele se sentiu extraordinariamente livre para servir e, no gesto do Lava-Pés, compreendeu que o ser humano, o meu irmão e a minha irmã, é digno de toda reverência. Com a alma extraordinariamente livre, ele pôde voar para o céu para viver aquele amor que nunca morre. Francisco nos mostrou o caminho. Assim seja.”
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Durante a celebração, os participantes também rezaram juntos a oração composta pelo Papa Leão para o XVIII Centenário do Trânsito de São Francisco. O texto recorda a serenidade com que o pobrezinho de Assis acolheu a irmã Morte e apresenta seu testemunho como inspiração para os dias atuais. Em um dos trechos, por exemplo, a oração pede: “Neste tempo afligido por conflitos e divisões, intercede para que nos tornemos operadores de paz: testemunhas desarmadas e desarmantes da paz que vem de Cristo.”
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A celebração foi concluída com o acendimento do Círio Pascal, alimentado por três chamas conduzidas por um confrade, uma irmã religiosa e um leigo da Ordem Franciscana Secular, simbolizando a unidade da Família Franciscana e a continuidade do carisma ao longo dos oito séculos de história.
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“Este Capítulo não é um encontro de planejamento administrativo ou estratégico; é sobretudo um exercício de escuta recíproca. A memória da Páscoa de Francisco nos convida a quebrar os muros do poder e do isolamento para redescobrir a nossa identidade comum: somos uma única Família”, afirmou o Ministro Provincial. Ao concluir sua reflexão, acrescentou: “O Amor não morre! Como Família Franciscana reunida em Capítulo, ide em paz e o Senhor vos acompanhe!”.
o Capítulo das Esteiras 2026 da Província Franciscana da Imaculada Conceição do BrasilUm tempo de escuta e fraternidade
Ao final da celebração, o Vigário Provincial, Frei Gustavo Medella, destacou que o Capítulo das Esteiras representa um tempo privilegiado para fortalecer os laços fraternos e renovar a esperança inspirada pelo testemunho de São Francisco.
;“É um momento de escuta, um momento de aprendizagem, um momento de reaproximação, um momento de reforçar os laços de consagração, os laços fraternos, os laços que nos unem. Então é um tempo de graça privilegiado para todos que aqui estamos”, observou.
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Frei Gustavo também compartilhou uma lembrança pessoal despertada durante a celebração do Trânsito de São Francisco. Ao entoar o canto juntamente com os confrades, recordou os anos de infância no Coral dos Canarinhos de Petrópolis, quando, aos 8 e 9 anos de idade, aprendeu a mesma melodia para cantá-la ao lado dos frades na Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Para o Vigário Provincial, reviver esse momento tantos anos depois, agora como frade menor, representou um reencontro com uma memória afetiva que continua alimentando sua vocação
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Ao dirigir uma mensagem àqueles que acompanham o Capítulo pelas rádios, redes sociais e demais meios de comunicação da Província, Frei Gustavo expressou o desejo de que o encontro leve a todos um testemunho concreto de esperança, paz e fraternidade, inspirado nos valores do Evangelho e do carisma franciscano.
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“Que esse Capítulo possa levar a cada canto onde chega o sinal das nossas rádios, das nossas redes, das nossas emissoras, das nossas paróquias, da nossa comunicação, uma mensagem de esperança e de paz. A certeza de que um mundo diferente é possível. Em vez da competição, a colaboração. Em vez da acumulação, a divisão. Em vez de olharmos só às vezes para as telas, os olhos nos olhos também dizem muito e sempre vão ter o que dizer.”
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Até quinta-feira (6), a programação do Capítulo das Esteiras reunirá momentos de oração e convivência fraterna, encerrando o tempo jubilar dos 350 anos da Província em sintonia com as celebrações dos 800 anos do Trânsito de São Francisco de Assis.