"Senhor, fazei-me instrumento de Vossa Paz"
São Francisco de Assis

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segunda-feira, 21 de abril de 2025

Compadre Francisco e Comadre Clara, recebam o nosso Papa Francisco no quintal da Eternidade!



Hoje, o mundo amanheceu em silêncio,
como quem segura o fôlego diante do sagrado.
Partiu o Papa do povo, o pastor de passos simples e olhar profundo, que abraçou o mundo com ternura e verdade.

Francisco – não por acaso – nome escolhido em oração e lágrima, voz que ecoou entre os muros de Roma e os becos esquecidos da humanidade.
Pai dos pobres, irmão da Criação, profeta de uma Igreja em saída, barco aberto ao sopro do Espírito.

Os católicos choram seu Pai Espiritual, que ensinou que a misericórdia tem rosto, que a Eucaristia clama por partilha,
e que o altar começa na calçada.

Os crentes o recordam como referência de fé, homem que falou com Deus no silêncio das dores, que nunca se escondeu nas estruturas, mas saiu ao encontro, como Cristo pelas estradas.

Os não crentes o reverenciam como um grande homem,
que acreditava na dignidade de cada ser, e cujo evangelho era o respeito, a escuta, e a coragem de servir.

Um homem da unidade, um profeta de nossos tempos, que pediu pontes onde havia muros, que escolheu o diálogo ao invés do grito, e que caminhou com todos, sem exigir uniformes.

Nas praças, nas favelas, nos desertos e nos sínodos,
plantou sementes de misericórdia, regou com lágrimas o solo duro das guerras, e colheu, mesmo sob críticas, flores de compaixão.

Disse-nos: “a realidade é maior que a ideia”, e fez do Evangelho um gesto, da teologia, pão repartido, da cruz, um sinal de esperança.
Ensinou-nos a cuidar da Casa Comum, a curar as feridas com o óleo da escuta, a fazer da Igreja um hospital de campanha.

Hoje, na grande Páscoa, o Senhor que um dia o chamou de Jorge acolhe agora o seu Francisco, com o abraço que só o Amor sabe dar.

E nós, filhos da aurora que ele despertou, seguiremos seus passos entre os pobres, seus sonhos entre os jovens, sua fé entre os ventos.

Que os sinos toquem baixinho, que os passarinhos de Assis cantem mansamente, pois o Pastor voltou ao coração do Pai,
e a Terra se lembra — com gratidão — do homem que ousou amar como Jesus.

Sem nome, Sem data, Sem endereço
Yj.
Compadre Francisco e Comadre Clara, recebam o nosso Papa Francisco no quintal da Eternidade!

- Frei Vitório Mazzuco

JUFRA Porciúncula



sábado, 20 de julho de 2024

DIA DA AMIZADE



A amizade é um dom precioso, um laço de amor que nos une e nos eleva, refletindo o próprio amor de Deus por nós. Entre os muitos exemplos de amizades santas, destaca-se a profunda e inspiradora relação entre Santa Clara e São Francisco de Assis.

São Francisco, conhecido por sua humildade e amor pela criação, encontrou em Clara uma alma gêmea espiritual. Juntos, eles trilharam um caminho de renúncia ao mundo e de entrega total a Deus. Clara, ao deixar tudo para seguir Francisco, encontrou não apenas um líder, mas um amigo fiel e companheiro de jornada espiritual.

A amizade deles era fundamentada na fé e no amor divino. Essa profunda conexão espiritual é um testemunho de que as amizades verdadeiras nos conduzem mais perto de Deus, fortalecendo nossa fé e nossa vocação.

Clara, em sua Regra de Vida, ecoa este sentimento: ‘No santo amor que é Deus, vos rogo que admoesteis umas às outras para que cresçais sempre no bem’. Ela nos lembra que a verdadeira amizade nos impulsiona a crescer no amor e na virtude, buscando sempre o bem maior.

A Bíblia nos oferece inúmeras passagens que exaltam o valor da amizade. No livro de Eclesiástico, lemos: ‘Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o encontrou, encontrou um tesouro’. (Eclesiástico 6,14). Santa Clara e São Francisco viveram essa realidade, sendo um para o outro um refúgio e um apoio em meio às dificuldades.

Que a amizade deles inspire nossas relações, para que possamos buscar e cultivar amizades que nos aproximem do Criador, que nos ajudem a trilhar o caminho da santidade e que sejam um reflexo do amor incondicional de Deus por cada um de nós.

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Como vejo Francisco por Frei Vitório Mazzuco








 


Foto em comemoração ao dia de São Francisco de Assis - 4 de outubro.

. Vejo Francisco como um escândalo positivo e necessário que abalou seu tempo e continua impactando até hoje. Um modelo vivo do melhor que a humanidade produziu nestes últimos oito séculos, um santo natural, caseiro e vizinho de todos, com sua atraente simplicidade, com seu cristianismo de sedução, com sua conquistadora humildade e uma vida que arrasta. É o simpático admirado universalmente. Reuniu um número considerável de seguidores e seguidoras em sua época que santificaram estradas e paisagens. Amou apaixonadamente Jesus Cristo e seu Evangelho a ponto de ficar igualzinho ao Deus Encarnado, deixando que este amor marcasse seu corpo com as chagas do Amado.

Vejo Francisco como um asceta que abraçou a fraternidade de um modo pleno e cordial; um cantor da criação, menestrel dos louvores mais puros ao Criador, uma comunhão de afetividade e espiritualidade, um cultor da paz e do bem. 
Ele é a estética do simples e o onipresente em tantas representações iconográficas. 
É o santo dos pobres e dos pássaros, da cruz e do presépio, da eucaristia e da poesia. 
É o santo dos caminhos e das grutas, das montanhas e das planícies, dos nichos e catedrais. 
Um cavaleiro fiel da Senhora Dama Pobreza cheio de fidelidade e gentileza. 
Um Sol de Assis, como diz Dante, e uma Clara Lua, como diz seu lado mãe e irmã na Clara Flor de Assis, confidente e portadora de seus contemplativos segredos. 
Um Mestre espiritual do Ocidente reverenciado no Oriente, um profeta que atravessa a linha de guerra das Cruzadas e vai dialogar com o sultão numa conversa de homens de têmpera e fé.

Vejo Francisco como um mendigo despojado que possui a única riqueza essencial. Preso em Perugia libertou seus sonhos. Abraçou leprosos, curando as podres cicatrizes da exclusão. Tocou violino em galhos secos e dançou a alegria ridente e luminosa dos que possuem a liberdade de espírito. 
Reconstruiu a casa da existência calejando as mãos e cuidando dos pilares da alma. 
Brigou com o pai avarento e reconciliou-se com a prodigalidade. 
Deu um salto de qualidade para ensinar que conversão é mudar de lugar e não apenas câmbio de mentalidade. 

Vejo Francisco o jeito mais gostoso de ser irmão, a sensibilidade de uma mãe, a parceria de um compadre, a sempre presente energia de um amigo… 

Enfim, meu Pai Seráfico, Mestre Espiritual a ensinar que ser do jeito de Jesus não é estar na prisão de obscuras doutrinas, mas tornar fácil o caminho dos que vêm seguindo as marcas da Boa Nova. 
Assim vejo, sinto e vivo Francisco.

. Frei Vitório Mazzuco, OFM, é o Reitor do Convento
Santo Antônio do Rio de Janeiro e Mestre em Teologia com especialização em Teologia Espiritual Pontificium Athenaeum Antonianum.



sábado, 26 de janeiro de 2019

A ecologia de Francisco: perceber o Criador



O Cântico das Criaturas é uma espécie de escada, que une Céu e Terra. Uma fusão amorosa, afetiva e efetiva do coração de São Francisco, afirma Frei Vitorio Mazzuco no Palavra da Hora de hoje. 
Acompanhe!


terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Palavra da Hora | A união mística franciscana



"Francisco torna-se diferente, porque tem um jeito único e especial de estar no mundo", afirma Frei Vitorio Mazzuco no Palavra da Hora de hoje. Acompanhe!

TvFranciscanos



domingo, 11 de novembro de 2018

FRANCISCO, O SANTO DA ECOLOGIA



A ecologia de Francisco sempre foi perceber que há um Criador, Aquele que faz tudo se mover pelo sopro do Espírito. "Todos nós somos criaturas de Deus, somos irmãos e irmãs. É muito importante perceber que existem laços que nós unem", 
ensina Frei Vitorio Mazzuco.

TV Franciscanos 



sábado, 20 de outubro de 2018

A espiritualidade evangélica do Santo de Assis




A espiritualidade de Francisco é a espiritualidade evangélica, isto é, a espiritualidade vivida e pensada a partir da Boa-Nova. "Cada palavra do Evangelho é para Francisco o sopro do Espírito. 
Viver uma espiritualidade do Evangelho é se encantar por este Deus que Francisco de Assis se encantou", afirma Frei Vitório Mazzuco.


domingo, 12 de novembro de 2017

TV Franciscanos | Leigo Franciscano - Frei Vitório Mazzuco



TV Franciscanos | Leigo Franciscano - Frei Vitório Mazzuco

TV Franciscanos | Leigo Franciscano Comentário de Frei Vitório Mazzuco Filho , OFM Pró-Vocações e Missões Franciscanas 

TV Franciscanos | Identidade Humana Franciscana - Frei Vitório Mazzuco



TV Franciscanos | Identidade Humana Franciscana Comentário de Frei Vitório Mazzuco Filho , OFM Pró-Vocações e Missões Franciscanas 


terça-feira, 8 de agosto de 2017

O jeito franciscano de não ter cargo de mando


Nas Crônicas de Salimbene de Parma temos o relato: “Também Frei João de Parma, sendo Ministro Geral, quando se tocava o sino para limpar os legumes ou verduras, ia aos grupos de trabalho do convento e trabalhava como os outros irmãos, como muitas vezes vi com meus olhos. E porque me era familiar, eu lhe dizia: “Pai, vós fazeis o que ensinou o Senhor: Quem é o maior entre vós faça-se o menor, e o que precede como quem serve” (Lc 22,26). E ele respondia: “Assim devemos cumprir toda justiça, isto é, a perfeita humildade”. Também participava do ofício eclesiástico dia e noite, principalmente das Matinas, das Vésperas e da missa conventual. Tudo o que o cantor lhe pedia, fazia-o imediatamente, iniciando as antífonas, cantando as leituras e responsórios e rezando as missas conventuais” (Slb 44).
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Num mundo onde existe competição, excesso de status hierárquico, sedução do poder, domínio e ostentação do cargo de mando, vale este jeito franciscano de servir. Ter um cargo não é ter poder, mas serviço. Serviço como a ação generosa de se dar, uma ação esplendorosa de disponibilidade humilde, generosa, cheia de cordialidade. Fazer na pura gratuidade, no modo de doar-se livremente, voluntariamente, na oferenda do fenômeno chamado amor.
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Não é ter cargo de mando, mas estar na ação espontânea de ser útil, ser capaz de estar à altura de uma grande ou pequena ação feita na boa vontade. É aquele que tem no servir o espírito do serviço. Servir é eliminar a superioridade. Não é ser maior ou melhor, mas é dar-se sem conotação de domínio, de imposição, de exploração e de poder. É a original doação do simples, capaz de um trabalho humilde.

Frei Vitório Mazzuco

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Francisco de Assis, visitado pelo Senhor

Diz a Legenda dos Três Companheiros: “Quando, já refeitos, saíram de casa e os companheiros todos juntos o precediam, indo pela cidade a cantar, ele, levando o báculo na mão como senhor, ia um pouco atrás deles, não cantado, mas meditando com mais diligência. E eis que subitamente é visitado pelo Senhor, seu coração fica repleto de tão grande doçura que ele não podia falar, sentir nem se mover, e nada mais conseguia sentir ou ouvir, a não ser aquela doçura que de tal modo o alienara dos sentidos corporais que, - como ele disse posteriormente – se naquele momento tivesse sido todo cortado em pedaços, não teria podido mover-se do lugar” ( 3Comp III, 3-4 ).
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Em muitos e muitos momentos de sua vida, Francisco de Assis entrou num recolhimento necessário. Saiu dos tumultos do mundo para concentrar-se em estar mais perto do seu Senhor. Numa busca fervorosa, as respostas vão tornando-se mais claras. É uma passagem mística! E a passagem mística significa de uma experiência que se tem escolher com mais intensidade, escolher o melhor, escolher com exatidão o que é o Espírito do Senhor e o seu santo modo de operar e recolher-se mais na exatidão do que o Espírito do Senhor está pedindo. É o instante de intimidade que irrompe no coração.
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Ser visitado pelo Senhor, ser visitado pela inspiração, ser visitado pelo amor. É aquele momento que instaura uma vontade de existir na doçura do Senhor. A partir de então, Francisco de Assis fala com a suavidade do Senhor. Doçura é contraste com a aridez, doçura é contrário de vazio, do sem sentido. Ao encontrar o instante da graça que toma conta de todo ser, Francisco de Assis procura não perder este momento, e guarda o suave, hospeda a calma e, na serenidade, tem as melhores palavras, atos e presença. Na paz que isto traz percebe melhor a verdade de todas as coisas. Começa a falar com a tranquilidade do Senhor. Vai mais para dentro de si, torna-se rigoroso na busca, mas muito cordial com tudo e todos. Encontra a nova medida do agradável. Experimenta o serviço abnegado ao desprezível.
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Ser visitado pelo Senhor é a doçura do enamoramento, a medida exata do modo de amar, servir e trabalhar; é ter a coragem de ser diferente, de ser despertado por uma grande afeição. Ser visitado pelo Senhor traz para Francisco o sabor suave da vida. Atentos a esta experiência vamos também experimentá-la em nós.

FREI VITÓRIO MAZZUCO


domingo, 22 de janeiro de 2017

FRANCISCO DE ASSIS E O SENTIMENTO ESTÉTICO CHEIO DE VIRTUDES

Uma das obras mais lidas no mundo franciscano é a biografia São Francisco de Assis, de Maria Sticco, Vozes, Petrópolis, 2001. 
É uma obra escrita por alguém que amou profundamente São Francisco de Assis. A autora nasceu em Perugia, aos 23 de Novembro de 1891 e faleceu em Assis no dia 18 de março de 1981, aos 90 anos. 
Uma mulher de literatura e espiritualidade e que muito contribuiu para a espiritualidade franciscana. 
Tornou-se uma leiga intelectual consagrada. 
Uniu estudo, silêncio, oração, pesquisa e mística. Ela não escreveu sobre ele, ela deixou-se moldar pelo ideal franciscano.
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Viveu no mundo como uma mulher das letras e mestra do espírito e vida franciscana. Agostinho Gemelli, OFM, no prefácio da obra sintetizou bem o que o livro traduz:
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Baseado diretamente nas Fontes Franciscanas, chega, através da meditação, à compreensão da humanidade e sobrenaturalidade de Francisco de Assis, numa fusão do elemento humano e divino. A obra quer apresentá-lo através dos fatos, de um modo muito vivo e muito próximo, para que o leitor tenha em sua frente a imagem e a identidade de Francisco. É mostrar através de Francisco uma consciência e um modo de ser cristão. É uma narração religiosa e artística ao mesmo tempo. É um livro sereno, escrito com amor, por um coração franciscano.
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Diz Maria Sticco: “O amor de Deus o leva a encontrar alegria em tudo, mas especialmente na dor perfeita, e eis a conclusão de que a vida é boa e tanto melhor quanto mais dolorosa; faz-lhe abraçar a morte como irmã, e eis que, se outros poetas haviam entendido que o amor é morte, São Francisco afirma que a morte é amor, compreendendo-o Dante e compreendendo-o todos aqueles que na vida não encontram amor e que, à palavra do santo, o esperam firmemente na agonia”. 
Se alguém quiser entender os princípios cavalheirescos que inspiraram o caminho de Francisco de Assis, leia esta obra!

FREI VITÓRIO MAZZUCO´


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Francisco de Assis e a nobre atitude de não decidir sozinho


Relata a Legenda dos Três Companheiros: “No tempo em que houve a guerra entre Perúgia e Assis, Francisco foi capturado com muitos concidadãos seus e encarcerado em Perúgia, mas, porque era nobre de costumes, foi colocado como prisioneiro com os cavaleiros. Num dia em que seus companheiros de prisão estavam tristes, ele, que naturalmente era sorridente e jovial, não parecia entristecer-se, mas de certo modo parecia alegrar-se.” ( LTC 4,1-2 )
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Ser nobre de costumes é ter sentimentos e atitudes nobres. Poderia ter ficado quieto sofrendo no seu canto sem se importar com ninguém, mas preferiu estar alegre e sereno em meio às tensões de uma prisão. Estar com um grupo humano não significa apenas amontoar-se entre os sofridos da hora; mas fazer valer a nobreza de costumes ao levantar a moral dos que estão ali com ele em situação adversa. Quando convive com a desfiguração e a decadência do ser humano, Francisco reconstrói. No leproso, no cárcere, e entre os banidos do bem-estar, Francisco faz um encontro direto com a pessoa. Valorizar a pessoa que ali está faz com que ela volte a acreditar que existe solidariedade e fraternidade. A sua alegria vem desta presença. É como se ele dissesse com aquele leve sorriso dos realizados: “Olha, meu irmão, olha minha irmã, mesmo que não possa ajudar, eu estou junto com você, caminho com você, estou ao seu lado”.
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Das horas orantes e contemplativas do eremitério organizado e regrado em materna fraternidade; ao levar consigo um irmão para as fronteiras da batalha em Damieta, no Egito, por ocasião de mais uma Cruzada, e dialogar com o Sultão; no momento de ir a Roma, com mais nove irmãos, falar com o Papa Inocêncio III; ao consultar a clara Irmã Clara e Frei Silvestre em sérias decisões para a sua vida, Francisco não sabe ser e fazer sozinho. Há carismas pessoais que preferem fazer sozinhos. Há o Carisma de Francisco de Assis que está sempre em meio a todos, com a força fraterna que garante a nobreza do discernimento, a nobreza de costumes, a nobreza de atitudes que passa pela vontade de muitos.


FREI VITÓRIO MAZZUCO

BLOG: http://carismafranciscano.blogspot.com.br


sábado, 9 de novembro de 2013

NUMA ALMA FRANCISCANA, A PRIMAVERA NÃO PODE PASSAR DESPERCEBIDA

Clique na imagem para ampliar.

Dizem as Fontes a respeito de São Francisco de Assis: “Que alegria ele sentia diante das flores, vendo sua beleza e sentindo seu perfume! Passava imediatamente a pensar na beleza daquela flor que brotou da raiz de Jessé no tempo esplendoroso da primavera e com seu perfume ressuscitou milhares de mortos. Quando encontrava muitas flores juntas, pregava para elas e as convidava a louvar o Senhor como se fossem racionais. Da mesma maneira, convidava com muita simplicidade os trigais e as vinhas, as pedras, os bosques e tudo que há de bonito nos campos, as nascentes e tudo o que há de verde nos jardins, a terra e o fogo, o ar e o vento, para que tivessem muito amor e fossem generosamente prestativos. Afinal, chamava todas as criaturas de irmãs, e de uma maneira especial, por ninguém experimentada, descobria os segredos do coração das criaturas porque na verdade parecia já estar gozando a liberdade gloriosa dos filhos de Deus” (1 Cel 29, 80.81).

“Nas coisas belas reconhecia aquele que é o mais belo, e que todas as coisas boas clamavam: Quem nos fez é ótimo!” (...) Mandou que o hortelão deixasse sem cavar o terreno ao redor da horta, para que, em seu tempo, o verde das ervas e a beleza das flores pudessem apregoar o formoso Pai de todas as coisas. Mandou reservar um canteiro na horta para as ervas aromáticas e as flores, para que lembrassem a suavidade eterna aos que as olhassem” ( 2Cel 124, 165).

“Costumava dizer ao irmão que tomava conta do jardim que não ocupasse todo o terreno com legumes, mas reservasse uma parte para as árvores que, em seu tempo, produzem nossas irmãs flores, por amor para com aquele que disse: “As flores dos campos e os lírios dos vales” ( SP 118).

“Louvado sejas, meu Senhor, por nossa Irmã e Mãe Terra, que nos sustenta e governa, e produz diversos frutos, e coloridas flores e ervas” ( Cântico das Criaturas)

Francisco não leu antologias poéticas, mas simplesmente amou profundamente a Natureza! Ele é Santo da Eterna Primavera! O Santo que percebia que as flores combinam explodir todas ao mesmo tempo para revelar a Onipotência de Deus, tão assim Belo, Poderoso e Simples! Em Francisco, o espírito que fraterniza é o espírito que personaliza, que vê, sente, cheira e colhe. Dos detalhes pequenos aos grandiosos, para Francisco de Assis a vida é uma revelação sagrada. É como diz o poeta Paulo Leminski:

“Quem me dera
Até para a flor no vaso
Um dia chega a primavera”

Para Francisco, o tempo, a hora, as estações são tempo de louvor. E Manoel de Barros confirma: “Os girassóis têm o dom de auroras”

Por isso, com São Francisco vamos celebrar a Primavera fazendo da vida uma bela celebração! Deus cuida de nós no nascivo de cada dia!

Feliz Primavera na Paz e no Bem!

Texto do blog: http://carismafranciscano.blogspot.com.br/


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Coletâneas de um modo de Pensar Franciscano

Nas minhas andanças por aí, espalhando o modo franciscano de ver a vida, não posso fugir do fervor das palavras. Palavras são provocações e desafios. Escrever e falar é a maior responsabilidade. Ao refletir o franciscanismo, sempre tem alguém coletando a fala. Muitos me pedem: “Frei repete isto novamente!” .
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Pensar franciscanamente é elaborar sendas para a humanidade. Ajuntei curtas frases que andei falando ou escrevendo. Divido com vocês. Se quiserem usar, fiquem à vontade! O saber franciscano é perceber que não sabemos nada.
 .

“Sábios são aqueles que dividem e duvidam e não aqueles que têm certeza”. Então, vamos dividir! Nem sei como chamar este bloco de idéias que quero publicar neste blog... São Coletâneas de um modo de Pensar Franciscano. De olho na vida e na fala de Francisco de Assis aprendi com ele a vigor do Espírito e da Vida, e na sensibilidade vital de sua percepção, ir além da superfície da realidade, para acolher a admiração, o espanto, a alegria, o amor, a reverência, o cerne, o coração, a vida dos seres, e estas coisas todas que ele nos ensinou...

FRANCISCANAS PALAVRAS

1. São Francisco é encarnado até o pescoço no Infinito!

2. O grupo primitivo franciscano não fez fraternidade através da simpatia pessoal. Fez vida fraterna pela escuta comum de uma séria convocação para um viver exigente.

3. Viver franciscanamente é despojar-se de qualquer sofisticação. É repetir continuamente gestos de generosidade e acreditar numa Novidade Originária.
4. Francisco nos ensinou que servir é algo divino. Para ele, o próprio Deus é o Grande Servo do Universo.

5. Ser franciscano não é ter padrão fixo, mas buscar afinamento com o melhor.
6. Francisco nunca foi uma pessoa perturbada porque nunca perdeu a limpidez da busca ( cfr. A Perfeita Alegria )

7. É preciso intuir nas Fontes Franciscanas um grande princípio de uma Nova Humanidade. 


8. Francisco via no Cavaleiro Medieval um arquétipo do Ideal Humano, a descrição ideal de um tipo humano caracterizado pela Nobreza de Alma: honradez, coragem e cortesia.

FRANCISCANAS PALAVRAS – II
(Postado no Blog do Frei Vitório no dia 16/03/2009)

9. Francisco, ao dispor-se à vida, ao buscar o que ele mesmo não sabia, deixou-se conduzir por um real confronto com o Evangelho e assim foi conduzido ao que procurava.

10. Ser Franciscano é ter paixão pela Paixão do Senhor.

11. Este é o modo de ser natural de Francisco: pródigo, nobre, jovial, cordial, magnânimo, generoso, simples e amigo.

12. Francisco é uma vontade boa bem trabalhada.

13. Com São Francisco vamos aprender a ouvir uma inspiração e encontrar em São Damião o nosso chão.

14. É difícil fazer aparecer o modesto que é a força de Francisco; nós sempre tendemos à uma interpretação tecnológica, aclesiológica, teológica, acadêmica demais.... e ficamos longe da sua vivência.

15. Usar um hábito, cortar cabelos à moda da antiga tonsura, jejuar, vestir-se de pobre só porque São Francisco apresentava-se assim não é interessante para nós modernos. O mais importante é entender a Força Originária que está aí.

16. Francisco permaneceu porque tinha consciência historial. A pertença historial gera força, coerência, pertença à uma grande família.

FRANCISCANAS PALAVRAS – III-
(Postado do Blog do Frei Vitório no dia 20/03/2009)
  
17.Francisco é um homem cheio de encontro, de amor, de brilho, sem cair num pieguismo.

18. Servo que não é bom não dá conta. Ser Servo não é só ter a intenção de servir, tem que servir bem! O medieval não se justifica pela intenção mas pelo persistente trabalho de ser bom. Francisco nos ensinou que um raio apenas, do Irmão Sol, é um bom servo.

19. Não diria São Francisco: “Como Deus pode permitir uma coisa dessa?!” Mas ele diria: “O que Ele está querendo dizer com isto?”

20. A função de um Ministro ou Ministra da Fraternidade não é de censurar, mas de remeter à Inspiração.

21. É preciso ler com seriedade os textos das Fontes Franciscanas, porque eles sustentam gerações e gerações de Fraternidades.

22. Francisco tornou-se espiritualmente adulto e grande sem mesquinharias.

23. Francisco nos ensinou que a Devoção se alimenta de Deus e não de sentimentalismo.

24. Porque o Amor é um Valor Absoluto que precisa ser abraçado, Francisco saiu pelas estradas da Úmbria bradando: “O Amor não é amado!”
FRANCISCANAS PALAVRAS – IV
(Publicado do blog do frei Vitório data: 17/04/2009).
 25. Francisco, quando olha para si mesmo, é porque primeiro olhou para Deus.

26. Como um bom medieval, Francisco nos ensina que, tudo o que acontece, é a Vida nos exercitando.

27. Francisco de Assis é um sábio que, no vigor do Espírito e na Sensibilidade vital de sua percepção, penetra através da superfície da realidade para acolher a admiração, o Amor, a reverência, o cerne, o coração, enfim a Vida das coisas.

28. Com o grupo primitivo de Francisco aprendemos a não viver no grupo da mediocridade. Temos que nos responsabilizar! Não ter ações que não possuam a força do Espírito e sermos cada vez mais uma exigência concreta.

29. Para Francisco de Assis, Deus, ao se manifestar, não se revela como majestade, força, doador, Ser Supremo, mas sim como benignidade, bondade, gratuidade, gratidão, graça, serviço. Ele mesmo é servo de toda humana criatura.

30. Francisco e Leão vão até Santa Maria dos Anjos; a Porciúncula é o berço da Ordem, o lar, o lugar onde reside o memorial mais íntimo, o aconchego originário do mistério da Ordem. Lá é o lugar da Perfeita Alegria, isto é, a fala da jovialidade da Cruz!

31. Somos franciscanos enquanto dentro de nós existir uma imensa saudade de Deus.

32. Ser franciscano é ser peregrino.


Fonte Frei Vitório Mazzuco Filho:  http://carismafranciscano.blogspot.com/