"Senhor, fazei-me instrumento de Vossa Paz"
São Francisco de Assis
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terça-feira, 23 de abril de 2024
Francisco reconstrói a minha Igreja
Música de Teresinha de Melo e Frei Beraldo Hanlon, gravada durante o Encontro de Cantos Franciscanos em Campo Largo - PR.
domingo, 6 de novembro de 2022
Francisco, reconstrói a minha casa.
Nos últimos meses de 1205 ou, no mais tardar, no início do ano de 1206, o jovem Francisco de Assis teve uma profunda e singular experiência de Deus, que o atraía para si através de um longo processo de conversão. Depois de desistir da guerra na Apúlia (sul da Itália) e voltar para a casa de seus pais, rezando diante do Crucificado da pequenina ermida de São Damião, Francisco ouviu uma voz que lhe dizia: “Reconstrói a minha casa”.
São Damião, lugar muito especial para a história franciscana, cuja construção remonta provavelmente aos dois últimos séculos do primeiro milênio, estava localizada próxima à cidade de Assis, não muito distante de seus muros. Foi dedicada aos mártires Cosme e Damião, porém em todos os documentos antigos só aparece o nome de São Damião.
No tempo da juventude de São Francisco a ermida de São Damião, propriedade do bispado de Assis, estava quase abandonada e precisando de reparos. Este estado lamentável, no qual se encontrava a pequena igreja, deve ter despertado no jovem Francisco um sentimento de compaixão por aquele santo lugar, onde escutara a voz divina que lhe falava ao coração.
Havia naquela ermida um grande e belo ícone do Crucificado, pintado por um artista anônimo, provavelmente da própria Itália, que media 1,90 metro de altura por 1,20 metro de largura. O Crucificado foi pintado,não como o homem das dores e do sofrimento, mas como Aquele que está vivo e glorioso, mostrando a sua vitória sobre a morte. Seus olhos expressivos e bem abertos contemplam com doçura o fiel que deles se aproxima. Certamente esta figura deve ter tocado o coração do jovem Francisco que, naquele momento, passava por uma profunda e radical transformação. Ainda hoje os peregrinos podem ver bem de perto este ícone (original), conservado na Basílica de Santa Clara, em Assis.
Vejamos agora o que nos dizem os antigos biógrafos de São Francisco a respeito da sua experiência com o Crucificado de São Damião:
Tomás de Celano não registrou este episódio quando elaborou a primeira biografia do santo pai Francisco alguns anos após a sua morte. Na sua segunda biografia ele nos diz: “Num certo dia, anda perto da igreja de São Damião que estava quase em ruínas e abandonada por todos... Ao entrar nela para rezar, prosternando-se suplicante e devoto diante do Crucificado... sente-se diferente do que entrara. Imediatamente, a imagem do Cristo crucificado, movendo os lábios da pintura... fala-lhe, enquanto ele estava assim comovido. Chamando-o, pois, pelo nome, diz: ‘Francisco, vai e restaura a minha casa que, como vês, está toda destruída’. Francisco, a tremer, fica não pouco estupefato... prepara-se para obedecer, entrega-se totalmente ao mandato” (2Celano 10).
A Legenda dos Três Companheiros descreve o episódio assim: “Estando ele a andar nas proximidades da igreja de São Damião, foi-lhe dito em espírito que entrasse na mesma para a oração. Entrou nela e começou a rezar com fervor diante de uma imagem do Crucificado que piedosa e benignamente lhe falou, dizendo: ‘Francisco, não vês que minha casa está destruída? Vai, portanto, e restaura-a para mim’. Tremendo e admirando-se, ele diz: Fá-lo-ei de boa vontade, Senhor’. Ele entendeu que lhe fora dito daquela igreja que, por causa da extrema antiguidade, ameaçava uma ruína próxima” (LTC 13, 6-9).
São Boaventura, por sua vez, relata assim este acontecimento: “Num certo dia, saindo a meditar no campo, ao andar perto da igreja de São Damião, que devido à excessiva velhice ameaçava ruir, e como... tivesse entrado nela para rezar, prostrado diante da imagem do Crucificado, enquanto rezava, ... Ouviu com seus ouvidos corporais uma voz vinda da própria cruz que dizia por três vezes: ‘Francisco, vai e restaura minha casa que, como vês, está toda destruída!’. Francisco, a tremer, como estivesse sozinho na igreja, ... fica fora de si, entrando em êxtase. Voltando finalmente a si, prepara-se para obedecer” (Legenda Maior 2,1).
Esta foi a missão que Deus confiou ao nosso pai Francisco: “Reconstrói a minha casa”. Apesar de começar imediatamente a restaurar velhas igrejas de Assis, mais tarde ele chegou a compreender este mandato de forma muito mais profunda, como nos assegura São Boaventura: O jovem Francisco “Recolhe todas as forças ao mandato de restaurar a igreja material, embora a principal intenção da palavra se referisse àquela Igreja que Cristo adquiriu com seu sangue, como o Espírito Santo o instruiu e ele depois revelou aos irmãos” (Legenda Maior 2,1 v.5).
Frei Salvio Romero, eremita capuchinho.
sábado, 5 de novembro de 2022
-"Francisco, restaura a minha casa, que desmorona"
E esse pedido de Deus pode ser levado a todos nós: "Restauremos a nossa Igreja."
Foi na encantadora igrejinha de São Damião, a um quilometro abaixo de Assis, toda humilde entre as oliveiras, que se deu o notável acontecimento. Francisco rezava com fervor ante o grande crucifixo bizantino: "Senhor, suplico-Vos me ilumines e dissipeis as trevas da minha alma".
Do crucifixo veio a resposta, suave e benevolente: "Francisco, restaura a minha casa, que desmorona".
Iluminado por essa ordem precisa, correu à loja do pai, que se encontrava ausente, carregou o cavalo com várias peças de tecido e galopou em direção ao mercado de Foligno. Ali vendeu o tecido e a montaria.
De volta a São Damião, encontrou o velho sacerdote que administrava o santuário e ofereceu-lhe o dinheiro para pagar as despesas de restauração; que desconfiado recusou. Francisco, então, atirou com desdém o dinheiro no canto de uma janela e suplicou ao velho sacerdote que lhe permitisse viver com ele. O outro aceitou.
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Entrementes, voltou o pai a Assis e, informando-se dos acontecimentos, teve um acesso de violenta cólera. Reunindo parentes e amigos, desceu a São Damião, a fim de capturar o filho indigno; este, porém, refugiado numa caverna, passou um mês em oração, jejum e lágrimas.
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Enfim, confiando no auxilio de Deus, foi ao encontro de seus perseguidores.
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Assis acolheu o seu herói de ontem com vaias e pedradas; Pedro de Bernardone (seu pai) lançou-o numa enxovia (prisão subterrânea), exortando-o a renuncia de seus projetos.
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Assis acolheu o seu herói de ontem com vaias e pedradas; Pedro de Bernardone (seu pai) lançou-o numa enxovia (prisão subterrânea), exortando-o a renuncia de seus projetos.
Seguiu depois em viagem de negócios e a mãe libertou o seu Francisco, que regressou a São Damião.
Voltando de novo o pai, nova cena; desta vez, quis encerrar o caso e apresentou queixa aos cônsules. Citado, Francisco compareceu e declarou-se a serviço de Deus; enviaram o queixoso ao tribunal do Bispo, perante o qual aceitou apresentar-se o filho insubmisso.
Intimado a restituir o dinheiro que tirara, Francisco respondeu com um gesto sublime: para nada conservar da herança paterna, despojou-se das próprias vestes, atirando-as aos pés do pai.
Na eloquência de sua nudez, dirigiu-se aos presentes em solene linguagem: "Escutai-me todos e compreendei. Até agora chamei Pedro Bernardone meu pai. Agora, posso dizer: Pai Nosso, que estais nos Céus" E o Bispo, em sinal de adoção, cobriu Francisco com seu manto.
Intimado a restituir o dinheiro que tirara, Francisco respondeu com um gesto sublime: para nada conservar da herança paterna, despojou-se das próprias vestes, atirando-as aos pés do pai.
Na eloquência de sua nudez, dirigiu-se aos presentes em solene linguagem: "Escutai-me todos e compreendei. Até agora chamei Pedro Bernardone meu pai. Agora, posso dizer: Pai Nosso, que estais nos Céus" E o Bispo, em sinal de adoção, cobriu Francisco com seu manto.
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Essa nova fase separava Francisco do mundo, consagrando-o ao serviço da igreja; doravante, achava-se livre para dedicar-se à tarefa que lhe indicara o próprio Cristo.
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Ganhou novamente São Damião e, vestido com o hábito de eremita, iniciou, jubiloso, a restauração do santuário, pedindo materiais e alimento, chegando mesmo a reunir, não obstante as zombarias, companheiros que o auxiliassem no trabalho.
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Ganhou novamente São Damião e, vestido com o hábito de eremita, iniciou, jubiloso, a restauração do santuário, pedindo materiais e alimento, chegando mesmo a reunir, não obstante as zombarias, companheiros que o auxiliassem no trabalho.
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Terminada a igrejinha de São Damião, e não tendo recebido outra ordem de Cristo, Francisco restaurou a de São Pedro. Depois a de Santa Maria dos Anjos, depois uma capela abandonada que ficava a uma légua da cidade e que se chamava, por causa das exíguas dimensões, "a Porciúncula".
Terminada a igrejinha de São Damião, e não tendo recebido outra ordem de Cristo, Francisco restaurou a de São Pedro. Depois a de Santa Maria dos Anjos, depois uma capela abandonada que ficava a uma légua da cidade e que se chamava, por causa das exíguas dimensões, "a Porciúncula".
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Fascinado com a solidão do lugar, ali estabeleceu o seu domicilio. E foi ali, na humilde casa de Deus que em 24 de fevereiro de 1209, festa de São Matias, ouviu Francisco o apelo que rematou sua conversão, esclarecendo-lhe o sentido das palavras percebidas havia dois anos em São Damião.
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O Evangelho do dia recordava as palavras pronunciadas por Jesus quando enviou os apóstolos a anunciarem a boa nova: "Ide e pregai, dizendo: Está próximo o Reino dos Céus... Não leveis à cintura ouro, nem prata, dinheiro, alforje para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bordão: porque o operário é digno do seu sustento"...
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O Evangelho do dia recordava as palavras pronunciadas por Jesus quando enviou os apóstolos a anunciarem a boa nova: "Ide e pregai, dizendo: Está próximo o Reino dos Céus... Não leveis à cintura ouro, nem prata, dinheiro, alforje para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bordão: porque o operário é digno do seu sustento"...
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Não era a igreja de pedra que o Senhor lhe ordenava reconstruir, mas o Corpo Místico de Cristo, retalhado pelo ódio, vício e indiferença.
(Do livro de Ivan Gobry, São Francisco de Assis e o espírito franciscano).
(Do livro de Ivan Gobry, São Francisco de Assis e o espírito franciscano).
FRANCISCO VAI, RECONSTROI A MINHA CASA! (3Comp 5)
Em 1205, Francisco de Assis escuta esta convocação vinda do Crucifixo de São Damião.
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Foi logo à prática e preparou-se para a vida e missão calejando as mãos erguendo, pedra sobre pedra, a própria capela do lugar da inspiração e outras que estavam destruídas.
Foi logo à prática e preparou-se para a vida e missão calejando as mãos erguendo, pedra sobre pedra, a própria capela do lugar da inspiração e outras que estavam destruídas.
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Ocupar-se neste trabalho foi o mesmo que tocar o intocável na sociedade medieval: os leprosos.
Ocupar-se neste trabalho foi o mesmo que tocar o intocável na sociedade medieval: os leprosos.
Ele fez casa e esteve em casa com os que não tinham casa: mendigos e camponeses.
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Ensinou também que a casa do Senhor é mais que um templo; é nada mais que o mundo, que caiu em ruínas. A vida de São Francisco não é um conto de fadas distribuído em legendas, mas a entrega de alguém por uma causa.
Ensinou também que a casa do Senhor é mais que um templo; é nada mais que o mundo, que caiu em ruínas. A vida de São Francisco não é um conto de fadas distribuído em legendas, mas a entrega de alguém por uma causa.
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Uniu o modo de ser monástico ao modo de ser errante. Nos caminhos conheceu a vida do rural ao urbano, dormiu na casa de ricos e entre os trapos dos que viviam de esmolas. Reuniu o povo da igreja, da roça, os artesãos e cavaleiros.
Uniu o modo de ser monástico ao modo de ser errante. Nos caminhos conheceu a vida do rural ao urbano, dormiu na casa de ricos e entre os trapos dos que viviam de esmolas. Reuniu o povo da igreja, da roça, os artesãos e cavaleiros.
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Antecipou o sonho de uma sociedade justa, sustentável e feliz. Olhou o Evangelho como forma de vida e abraçou a consequência de ser um crucificado com o Amado.
Antecipou o sonho de uma sociedade justa, sustentável e feliz. Olhou o Evangelho como forma de vida e abraçou a consequência de ser um crucificado com o Amado.
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Amou e cuidou da casa comum por ter um forte vínculo com todo ser criado.
Amou e cuidou da casa comum por ter um forte vínculo com todo ser criado.
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Viveu uma vida pacífica, não violenta, sem contendas.
Aprendeu com Irmã Clara um jeito terno, contemplativo, simples, sem nenhuma psicose defensiva.
Viveu uma vida pacífica, não violenta, sem contendas.
Aprendeu com Irmã Clara um jeito terno, contemplativo, simples, sem nenhuma psicose defensiva.
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Saiu do século XIII e antecipou um futuro.
Saiu do século XIII e antecipou um futuro.
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Vem, Francisco! Vem nos ajudar!
Vem, Francisco! Vem nos ajudar!
Vitorio Mazzuco OFM
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