"Senhor, fazei-me instrumento de Vossa Paz"
São Francisco de Assis

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sábado, 8 de abril de 2017

DA VISÃO DE FREI JOÃO DO ALVERNE, NA QUAL CONHECEU TODA A ORDEM DA SANTA TRINDADE. I Fioretti de São Francisco de Assis: Capítulo LII

O sobredito Frei João do Alverne, porque já tinha afogado perfeitamente todo amor e tentação mundana e temporal, e tinha posto em Deus todo o seu amor e toda a sua esperança, dava-lhe a divina bondade maravilhosas consolações e revelações, especialmente nas solenidades de Cristo.
Daí, aproximando-se uma vez a solenidade do Nascimento de Cristo, em que de certo ele esperava consolação de Deus pela doce humanidade de Jesus, o Espírito Santo colocou em seu ânimo tão grande e excessivo amor e fervor da caridade de Cristo, pela qual ele se havia humilhado para assumir nossa humanidade, que na verdade parecia-lhe que a alma lhe tivesse sido tirada do corpo e estivesse queimando como uma fornalha.
Não podendo sofrer esse ardor, angustiava-se e se derretia todo, gritando em alta voz, pois que pelo ímpeto do Espírito Santo e pelo grande fervor do amor, não podia conter-se em gritar. E na hora daquele fervor desmesurado, vinha-lhe também uma esperança tão certa e forte de sua salvação que, por nada deste mundo acreditava que, se morresse nessa ocasião, deveria passar pelo purgatório. E esse amor permaneceu nele bem seis meses, ainda que o excessivo ardor não fosse contínuo, mas vinha em certas horas do dia.
Nesse tempo recebeu maravilhosas visitas e consolações de Deus. E muitas vezes foi arrebatado, como viu o frade que escreveu estas coisas pela primeira vez. Entre elas, uma vez foi tão elevado e arrebatado em Deus, que viu no Criador todas as coisas criadas, celestiais e terrenas, e todas as suas perfeições, graus e ordens distintas. E então ficou sabendo claramente como toda coisa criada se apresentava ao seu Criador, e como Deus está acima, dentro, fora e ao lado de todas as coisas criadas.
Também ficou conhecendo um Deus em três pessoas e três pessoas em um Deus, e a infinita caridade que fez o Filho de Deus encarnar-se por obediência ao Pai.
E finalmente ficou sabendo naquela visão como não havia nenhum outro caminho pelo qual a alma pudesse ir para Deus e ter a vida eterna, a não ser por Cristo bendito, que é caminho, verdade e vida da alma.

Para louvor de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco.
Amém.

Franciscanismo


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Os Fioretti de São Francisco – Capítulo 2

De Frei Bernardo de Quintavale, primeiro companheiro de S. Francisco

O primeiro companheiro de S. Francisco foi Frei Bernardo de Assis, o qual assim se converteu. Trazendo S. Francisco ainda vestes seculares, embora já houvesse renegado o mundo, e andando todo desprezível e mortificado pela penitência de modo a ser tido por muitos como estúpido e escarnecido como louco, perseguido com pedradas e lodo por seus parentes e por estranhos, e passando pacientemente, por entre injúrias e zombarias, como surdo e mudo: monsior Bernardo de Assis, que era um dos mais nobres e ricos e sábios da cidade, começou sabiamente a considerar em S. Francisco o tão excessivo desprezo, a grande paciência nas injúrias e que, havia dois anos já assim abominado e desprezado por todos, parecia sempre mais constante e paciente, começou a pensar e a dizer de si para consigo: “Não posso compreender que este Francisco não possua grande graça de Deus”; e o convidou para cear e dormir em sua casa; e S. Francisco aceitou, e ceou e dormiu em casa dele.
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E monsior Bernardo encheu o coração de desejos de contemplar a santidade dele: mandou preparar-lhe uma cama no seu próprio quarto, no qual sempre de noite ardia uma lâmpada. E S. Francisco, para ocultar sua santidade, logo que entrou no quarto, deitou-se e pareceu dormir; e monsior Bernardo também se deitou, depois de algum tempo, e começou a ressonar fortemente, como se estivesse dormindo profundamente.
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S. Francisco, certo de que ele dormia, levantou-se e pôs-se em oração, levantando os olhos e as mãos ao céu; e, com grandíssima devoção e fervor, dizia: “Deus meu, Deus meu”, e, assim dizendo e chorando muito, esteve até pela manhã, repetindo sempre: “Deus meu, Deus meu”, e nada mais; e isto dizia S. Francisco, contemplando e admirando a excelência da divina Majestade, a qual se dignava condescender com o mundo que perecia, e preparava-se pelo seu pobrezinho Francisco a prover com o remédio da salvação a alma dele e as dos outros.
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E então, iluminado pelo espírito de profecia, prevendo as grandes coisas que Deus ia realizar por seu intermédio e de sua Ordem, e considerando a sua insuficiência e pouca virtude, clamava e suplicava a Deus que, com a sua piedade e onipotência, sem a qual nada pode a humana fragilidade, suprisse, ajudasse e cumprisse o que pôr si só não podia.
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Vendo monsior Bernardo, à luz da lâmpada, os devotíssimos atos de S. Francisco, e considerando devotamente as palavras que ele dizia, foi tocado e inspirado pelo Espírito Santo a mudar de vida; pelo que, ao amanhecer, chamou S. Francisco, e disse assim: “Irmão Francisco, estou inteiramente disposto, no meu coração, a abandonar o mundo e a seguir-te no que mandares”.
Ouvindo isto S. Francisco alegrou-se em espírito e falou: “Monsior Bernardo, isto que disseste é coisa tão grande e maravilhosa, que é preciso pedirmos conselho a Nosso Senhor Jesus Cristo e rogar-lhe que nos mostre a sua vontade e nos ensine o modo de executá-la: para isso vamos ao bispado, onde há um bom padre, e pediremos que celebre a missa; depois ficaremos rezando até Terça, pedindo a Deus que, abrindo o missal três vezes, nos mostre o caminho que lhe agrada seguir-mos”.
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Respondeu monsior Bernardo que isso era muito de seu agrado. Puseram-se a caminho e foram ao bispado; e depois de ouvirem a missa e estarem em oração até Terça, o padre, a pedido de S. Francisco, tomou o missal e, feito o sinal da santa cruz, o abriu por três vezes em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo: e na primeira vez apareceu aquela palavra que disse Cristo no Evangelho ao jovem que lhe perguntou pelo caminho da perfeição: “Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens e dá aos pobres e segue-me”; na segunda, apareceu aquela palavra que Cristo disse aos apóstolos, quando os mandou pregar: “Nada leveis para a jornada, nem bordão, nem alforje, nem sandálias, nem dinheiro”; querendo com isto ensinar-lhes que deviam pôr em Deus toda a esperança na vida, e dar toda a atenção a pregação do santo Evangelho; na terceira abertura do missal apareceu aquela palavra que Cristo disse: “Quem quiser vir após mim, abandone a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”.
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Então disse S. Francisco a monsior Bernardo: “Eis o conselho que Cristo nos dá: vai, pois, e faze exatamente como ouviste: e seja bendito Nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se dignou mostrar-nos seu caminho evangélico”.
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Ouvindo isto, partiu monsior Bernardo e vendeu o que possuía, porque era muito rico: e com grande alegria distribuiu tudo aos pobres e às viúvas e aos órfãos, aos prisioneiros, aos mosteiros, aos hospitais e aos peregrinos; e em cada coisa S. Francisco fielmente e prudentemente o ajudava. Ora, vendo um por nome monsior Silvestre, que S. Francisco dava e mandava dar tanto dinheiro aos pobres, cheio de avareza disse a S. Francisco: “Não me pagaste por inteiro aquelas pedras que me compraste para consertar a igreja e agora, que tens dinheiro, paga-me”.
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Então S. Francisco, maravilhando-se de tanta avareza e não que rendo questionar com ele, como verdadeiro seguidor do Evangelho, meteu as mãos na sacola de monsior Bernardo e, enchendo-as de moedas, derramou-as na sacola de monsior Silvestre, dizendo que, se mais quisesse, mais lhe daria.
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Satisfeito monsior Silvestre com aquilo, partiu e voltou a casa: e de tarde, repensando no que fizera durante o dia, e arrependendo-se de sua avareza, e considerando o fervor de monsior Bernardo e a santidade de S. Francisco, na noite seguinte e em duas noites outras teve de Deus esta visão: que da boca de S. Francisco saía uma cruz de ouro, cujo cimo tocava o céu e os braços se estendiam do oriente ao ocidente.
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Por causa desta visão ele deu por amor de Deus o que possuía e fez-se frade menor, e viveu na Ordem com tanta santidade e graça, que falava com Deus, como um amigo faz com outro, conforme S. Francisco muitas vezes verificou e além se declarará.
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Monsior Bernardo, semelhantemente, recebeu tantas graças de Deus, que com freqüência ficava arroubado em Deus em contemplação: e S. Francisco dele dizia que era digno de toda a reverência e que havia sido ele o fundador daquela Ordem: porque fora o primeiro a abandonar o mundo, nada reservando para si, mas dando tudo aos pobres de Cristo, e tinha começado a pobreza evangélica, oferecendo-se nu aos braços do Crucificado: o qual seja por nós bendito in secula seculorum. 
Amém.


segunda-feira, 18 de março de 2013

Como São Francisco domesticou as rolas selvagens


Um jovem havia apanhado um dia muitas rolas e levava-as a vender. Encontrando-o S. Francisco, o qual sempre sentia singular piedade pelos animais mansos, olhando com os olhos piedosos aquelas rolas, disse ao jovem:
"Ó bom moço, peçote que mas dês, para que passarinhos tão inocentes, os quais são comparados na santa Escritura às almas castas e humildes e fiéis, não caiam nas mãos de cruéis que os matem".
De repente aquele, inspirado por Deus, deu-as todas a S. Francisco; e ele recebendo-as no regaço, começou a falar-lhes docemente: "Ó irmãs minhas, rolas simples e inocentes e castas, por que vos deixastes apanhar? Agora quero livrar-vos da morte e fazer-vos ninhos, para que deis frutos e vos multipliqueis, conforme o mandamento do vosso Criador".

E vai S. Francisco e para todas fez ninhos. E elas, usando-os, começaram a pôr ovos e criar os filhos diante dos frades: e assim domesticamente viviam e tratavam com S. Francisco e com os outros frades, como se fossem galinhas sempre criadas por eles. E dali não se foram enquanto S. Francisco com sua bênção não lhes deu licença de partir. E ao moço que lhas havia dado, disse S. Francisco: "Filho, ainda serás frade nesta Ordem e servirás graciosamente a Jesus Cristo".

E assim foi; porque o dito jovem se fez frade e viveu na Ordem com grande santidade.

Em louvor de Cristo. Amém.

I FIORETTI XXII


sábado, 20 de agosto de 2011

Do santíssimo milagre que São Francisco fez quando converteu o ferocíssimo lobo de Gúbio.



I FIORETTI DI SAN FRANCESCO - Capítulo XXI.

No tempo em que São Francisco morava na cidade de Gúbio, no condado de Gúbio, apareceu um lobo muito grande, terrível e feroz, que não somente devorava os animais, mas também os homens; tanto que todos os cidadãos viviam um grande medo, pois diversas vezes ele se aproximava da cidade. E todos andavam armados quando saíam da cidade, como se fossem combater. E mesmo assim não podiam defender-se do lobo se se encontrassem sozinhos com ele. E por medo desse lobo, chegaram a uma situação em que ninguém ousava sair fora da terra.

Por esse motivo, tendo São Francisco compaixão das pessoas da terra, quis sair para encontrar o lobo, ainda que os cidadãos em conjunto não o aconselhassem. Mas, fazendo o sinal da Santíssima cruz, saiu fora da terra, ele com os seus companheiros, pondo toda a confiança em Deus. E como os outros ficassem na dúvida se deviam ir mais adiante, São Francisco tomou o caminho para o lugar onde o lobo ficava. E eis que, diante de muitos cidadãos que tinham vindo para ver esse milagre, o dito lobo foi ao encontro de São Francisco, de boca aberta.

Aproximando-se dele, São Francisco lhe fez o sinal da santíssima cruz, chamou-o a si e disse assim: “Vem aqui, frei lobo, eu te mando da parte de Cristo que não faças mal nem a mim nem a ninguém”.
Coisa admirável de dizer! Logo que São Francisco fez a cruz, o lobo terrível fechou a boca e parou de correr; e, dada a ordem, veio mansamente como um cordeiro, e lançou-se aos pés de São Francisco, deitado.
E São Francisco assim lhe falou: “Frei lobo, tu fazes muito danos por aqui, e fizeste grandes malefícios, estragando e matando as criaturas de Deus sem a sua licença. E não somente mataste e devorastes animais, mas tiveste a ousadia de matar pessoas, feitas à imagem de Deus. Por isso tu mereces a forca, como ladrão e péssimo homicida. E todo mundo grita e murmura contra ti, e toda esta terra ficou tua inimiga. Mas eu quero, frei lobo, fazer a paz entre tu e eles, de modo que tu não os ofendas mais e eles te perdoem todas as ofensas passadas, e nem os homens nem os cães continuem a te perseguir”.
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Ditas essas palavras, o lobo, com gestos do corpo, da cauda e das orelhas, e inclinando a cabeça, mostrava que aceitava o que São Francisco dissera e queria observa-lo.
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Então São Francisco disse:
“Frei lobo, porque te agrada fazer e manter esta paz, eu te prometo que te farei com que as pessoas desta terra te dêem continuamente a comida enquanto viveres, de modo que não sofrerás fome. Pois eu sei que foi pela fome que fizeste todo o mal. Mas como eu te concedo esta graça eu quero, frei lobo, que tu me prometas que tu não prejudicarás jamais a nenhuma pessoa humana nem a algum animal: tu me prometes isso?”E o lobo, inclinando a cabeça, fazia um sinal evidente de que estava prometendo.
E São Francisco disse: Frei lobo, quero que me dês prova dessa promessa, para eu poder bem confiar”. E como São Francisco estendeu a mão para receber seu juramento, o lobo levantou a pata direita e a colocou mansamente sobre a mão de São Francisco, dando-lhe o sinal que podia.
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Então São Francisco disse:
“Frei lobo, eu te mando em nome de Jesus Cristo que tu venhas agora comigo, sem duvidar nem um pouco. Vamos confirmar esta paz, em nome de Deus”.
E o lobo, obediente, foi com ele como se fosse um carneirinho manso. Vendo isso, os cidadãos ficaram muito admirados. E a novidade ficou logo conhecida por toda a cidade.
Por isso todas as pessoas, homens e mulheres, grandes e pequenos, jovens e velhos, foram para a praça ver o lobo com São Francisco.
E estando o povo aí, em reunido, São Francisco levantou-se e pegou para eles, dizendo, entre outras coisas, como pelos pecados Deus promete coisas desse tipo e pestilências, e mais perigosa é a chama do inferno, que vai durar eternamente para os condenados, do que a raiva do lobo, que não pode matar senão o corpo: “Então, como devemos temer a boca do inferno,quando tamanha multidão tem medo e tremor diante da boca de um pequeno animal. Por isso, voltai para Deus, caríssimos, e fazei uma penitência digna de vossos pecados, e Deus vos libertará do lobo no presente e, no futuro, do fogo infernal”.
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Feita a pregação, São Francisco disse:
“Ouvi, meus irmãos: frei lobo, que está aqui na frente de vós, me prometeu, e jurou, que vai fazer as pazes convosco e que não vai mais vos ofender em coisa alguma, e vós prometeis dar-lhe cada dia as coisas necessárias, e eu entro como fiador dele, de que vai observar firmemente o pacto”.
Então todo o povo, a uma só voz, prometeu alimenta-lo continuamente.
E São Francisco, diante de todos, disse ao lobo: “E tu, frei lobo, prometes a estas pessoas observar o pacto da paz, de modo que não ofendas nem os homens, nem os animais, nem criatura alguma?”. E o lobo, ajoelhou-se, inclinou a cabeça, e com gestos mansos de corpo, de cauda e das orelhas, mostrava, quanto possível que queria observar todo pacto.
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São Francisco disse: “Frei lobo, eu quero que, como tu me juraste essa promessa fora da porta, também me dês fé da tua promessa diante de todo o povo, e que não me enganarás sobre a promessa e caução que eu fiz por ti”.
Então o lobo levantou a pata direita e colocou-a na mão de São Francisco. Daí, por causa desse ato e das outras coisas que foram ditas, houve tanta alegria e admiração em todo o povo, tanto pela devoção ao santo como pela novidade do milagre, e pela paz do lobo, que todos começaram a gritar para o céu, louvando e bendizendo a Deus, que lhes tinha mandado São Francisco, que pelos seus méritos os havia libertado da boca do cruel animal.
Depois o lobo viveu dois anos em Gúbio, e entrava domesticamente pelas casas, de porta em porta, sem fazer mal a ninguém, e sem que o fizessem para ele. E foi alimentado cortesmente pelo povo. E mesmo andando assim pela terra e pelas casas, nunca um cão ladrava atrás dele. Finalmente, depois de dois anos, o lobo morreu de velho, causando muita dor aos cidadãos porque, vendo-o andar tão manso pela cidade, recordavam melhor a virtude e a santidade de São Francisco.

Para louvor de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco. Amém.