"SENHOR, FAZEI-ME INSTRUMENTO DE VOSSA PAZ".

Sua maior intenção, seu desejo principal e plano supremo era observar o Evangelho em tudo e por tudo,imitando com perfeição, atenção, esforço, dedicação e fervor os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo no seguimento de sua doutrina". (Vida de S. Francisco - 1Cel 84)

"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você está fazendo o impossível.São Francisco de Assis"

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Frades Menores Capuchinhos | Província do Rio Grande do Sul

Francisco de Assis se dirigia mais pelo espírito e conversão do que pela lei, por isto surgiram conflitos na história de sua Ordem.
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A 29-5-1517, Leão X, com a bula Ite vos, separou a Ordem Franciscana em Frades Menores Conventuais e Observantes. Mas a união foi apenas jurídica. Surgiram reformistas, divididos pelo dilema - viver a experiência fundante de Francisco ou - adequar a Ordem aos tempos.
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A Reforma Capuchinha é um movimento de Frades Observantes que buscam a recuperação do espírito original, aprovada por Clemente VII a 3-7-1528, com a bula Religionis Zelus. Os pioneiros foram Frei Mateus de Bascio, Frei Ludovico de Fossombrone e seu irmão, Frei Rafael de Fossombrone. Esses frades, a 18-5-1526 tiveram autorização de viver eremiticamente perto de Camerino, e de usar barba, hábito com capuz, vida eremítica e solidária, com custódio próprio sob a proteção do Geral Conventual, com o privilégio dos camaldulenses de receber membros de outras ordens. Os três reformadores foram acolhidos pelos camaldulenses, com apoio da duquesa de Camerino, Catarina Cybo, denominados Frades Menores de Vida Eremítica. Mas, devido ao capuz, a partir de 1531, foram chamados Capuchinhos.
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A 23-1-1619, Paulo V, com o breve Alias felicis recordationis, concede autonomia plena aos Capuchinhos como membros da Ordem dos Frades Menores, instituída por São Francisco de Assis, com a mesma regra: "Viver o Santo Evangelho em pobreza, obediência e castidade," como medicantes, pregadores vivendo em fraternidades, dividindo o tempo entre missão, trabalho e oração.
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A presença de Capuchinhos no Brasil obedece à dinâmica histórica da colonização e da imigração. A 6-8-1612, com os colonizadores franceses, chegam os primeiros quatro capuchinhos ao Maranhão. Eram da província que Paris que a 22-6-1614 enviava mais 9 frades. Expulsos com os franceses a 19-11-1614, só permanecem dois deles para atender os índios.
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A 14-1-1642, três Frades franceses da Província da Bretanha foram acolhidos em Olinda-PE. Eram destinados à missão da Guiné, mas foram aprisionados por corsários holandeses na ilha de São Tomé. Esses três frades consolidaram a presença dos capuchinhos em Pernambuco. No Rio de Janeiro, houve capuchinhos franceses desde 1650. Devido ao conflito entre França e Portugal, os 40 capuchinhos franceses regressaram à França, em 1701 e 1702, depois de 60 anos.
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A presença de Capuchinhos italianos começa na Bahia, em 1705; em Pernambuco, em 1710 e no Rio de Janeiro, a 31-5-1921, donde seguiram a outros Estados.
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No Rio Grande do Sul, os primeiros capuchinhos italianos chegaram ao Forte de Rio Grande em 6-4-1737. Eram os freis Anselmo de Castelvetrano e Antônio de Perugia, aos quais se juntaram, em 1738, os freis João Francisco de Gubbio, Jeronymo de Monte Real, Sebastião de Pallanza e Mariano de Piano, que construíram o Convento e a Igreja N. Sra. do Rosário. Tempos depois voltaram ao Rio de Janeiro.
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Dom Antônio Joaquim de Mello, Bispo de São Paulo, ao fundar o seminário paulopolitano, confiou a direção a capuchinhos da Sabóia. A 8-4-1854 chegavam freis Eugênio de Rumilly e Firmino de Centelhas. Os frades dirigiram o seminário até fins de 1778.
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Hoje, no Brasil, os capuchinhos formam 10 províncias, duas vice-províncias e uma custódia, com 1.500 frades, constituindo a CCB - Conferência dos Capuchinhos do Brasil.
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A 2-1-1896, dois missionários da província da Sabóia, freis Bruno de Gillonnay e Leão de Montaspey chegam a Rio Grande, com destino a Garibaldi, onde se estabelecem em 16-1-1896, a convite de dom Cláudio José Gonçalves Ponce de Leão, 3° Bispo do Rio Grande do Sul, para atender os migrantes italianos. Frei Bruno de Gillonnay, o herói das três primeiras décadas, abandonou os esquemas europeus em favor da realidade local. Seu projeto baseou-se em missões populares, paróquias, escola vocacional, jornal e educação. As missões populares popularizaram os capuchinhos, mas a grande intuição de Frei Bruno foi a abertura da Escola Seráfica (1898), em Garibaldi, para receber os estudantes da Missão do Líbano e acolher vocações nativas. E em 1924, quando regressou à França, o novo superior da Missão era um gaúcho, descendente de italianos - frei José Cherubini.
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As numerosas vocações levaram a Província do Rio Grande do Sul a implantar a Ordem no Brasil Central (1956). E em 1982, a nova fundação, com sede em Brasília, tornava-se província independente. É a única província brasileira fundada por brasileiros. E já em 1983, abria-se nova frente missionária no Mato Grosso e Rondônia, atual Vice-Província São Francisco de Assis. Em 2004, a província estendeu seus serviços ao Caribe, auxiliando e assumindo a Vice-Província Madre Del Divino Pastor.



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