"Senhor, fazei-me instrumento de Vossa Paz"
São Francisco de Assis

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Como vejo Francisco por Frei Vitório Mazzuco








 


Foto em comemoração ao dia de São Francisco de Assis - 4 de outubro.

. Vejo Francisco como um escândalo positivo e necessário que abalou seu tempo e continua impactando até hoje. Um modelo vivo do melhor que a humanidade produziu nestes últimos oito séculos, um santo natural, caseiro e vizinho de todos, com sua atraente simplicidade, com seu cristianismo de sedução, com sua conquistadora humildade e uma vida que arrasta. É o simpático admirado universalmente. Reuniu um número considerável de seguidores e seguidoras em sua época que santificaram estradas e paisagens. Amou apaixonadamente Jesus Cristo e seu Evangelho a ponto de ficar igualzinho ao Deus Encarnado, deixando que este amor marcasse seu corpo com as chagas do Amado.

Vejo Francisco como um asceta que abraçou a fraternidade de um modo pleno e cordial; um cantor da criação, menestrel dos louvores mais puros ao Criador, uma comunhão de afetividade e espiritualidade, um cultor da paz e do bem. 
Ele é a estética do simples e o onipresente em tantas representações iconográficas. 
É o santo dos pobres e dos pássaros, da cruz e do presépio, da eucaristia e da poesia. 
É o santo dos caminhos e das grutas, das montanhas e das planícies, dos nichos e catedrais. 
Um cavaleiro fiel da Senhora Dama Pobreza cheio de fidelidade e gentileza. 
Um Sol de Assis, como diz Dante, e uma Clara Lua, como diz seu lado mãe e irmã na Clara Flor de Assis, confidente e portadora de seus contemplativos segredos. 
Um Mestre espiritual do Ocidente reverenciado no Oriente, um profeta que atravessa a linha de guerra das Cruzadas e vai dialogar com o sultão numa conversa de homens de têmpera e fé.

Vejo Francisco como um mendigo despojado que possui a única riqueza essencial. Preso em Perugia libertou seus sonhos. Abraçou leprosos, curando as podres cicatrizes da exclusão. Tocou violino em galhos secos e dançou a alegria ridente e luminosa dos que possuem a liberdade de espírito. 
Reconstruiu a casa da existência calejando as mãos e cuidando dos pilares da alma. 
Brigou com o pai avarento e reconciliou-se com a prodigalidade. 
Deu um salto de qualidade para ensinar que conversão é mudar de lugar e não apenas câmbio de mentalidade. 

Vejo Francisco o jeito mais gostoso de ser irmão, a sensibilidade de uma mãe, a parceria de um compadre, a sempre presente energia de um amigo… 

Enfim, meu Pai Seráfico, Mestre Espiritual a ensinar que ser do jeito de Jesus não é estar na prisão de obscuras doutrinas, mas tornar fácil o caminho dos que vêm seguindo as marcas da Boa Nova. 
Assim vejo, sinto e vivo Francisco.

. Frei Vitório Mazzuco, OFM, é o Reitor do Convento
Santo Antônio do Rio de Janeiro e Mestre em Teologia com especialização em Teologia Espiritual Pontificium Athenaeum Antonianum.



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